Capítulo 5 Capítulo 3 - parte 2
— Que sorte hein, cara. Pena que não me dá bola e você não fez nem uma gracinha… — Nando me faz voltar à atenção para ele, vejo que está com um sorriso arteiro.
Rio nasalmente.
— Estou morto de cansaço e a mente cheia. Essa semana só apareceram os casos mais complicados naquele hospital. — recosto-me na cadeira e solto uma lufada de ar.
— Realmente, essa semana foi osso. Mas essa não é a única razão para você estar assim… Apesar de tudo, nunca reclamou tanto do trabalho, como tem feito ultimamente, nem tem dado mais aquelas festinhas no final de semana quando está de folga. Esse cansaço está com cara que tem nome, sobrenome e endereço. É, foram bons tempos, tracei muitas gostosas naquele quarto de hóspedes… — ele sorri arteiro, olhando como se estivesse imerso nas lembranças.
Dou um tapa em sua nuca em meio a uma risada.
— Nem vem com essa, Nando. Não é nada disso que está pensando.
— Ah, não? Só me diz uma coisa, por acaso, estou delirando ou vi você entrando no apartamento da gostosa da minha vizinha ontem?
Rio nasalmente e olho para baixo, balançando a cabeça para os lados.
— Ok, você viu certo, mas ainda assim, não é nada disso que sua mente pervertida fantasiou.
— Então, eu tenho a mente pervertida? Você vive de olho nela e eu sou o pervertido? A propósito, o que rolou lá? Transaram? Ela é boa de cama? Com aquele corpo, certamente deve ser. — dou risada.
— Não transamos. O que aconteceu, é que ela estava entrando no prédio depois de comprar uma pizza, após eu sair de seu apartamento e nos esbarramos, aí a pizza além de sujar a roupa dela, se espatifou no chão. Como ela estava visivelmente irritada e cansada, me ofereci para fazer um jantar. Foi apenas isso.
— Quem te viu e quem te vê, hein Justin… Já está até fazendo jantarzinho para aquela gata, nunca vi você fazer isso para nenhuma das suas fodäs.
— Cara, eu só me senti no dever de ajudá-la. Porrä, a mulher estava com uma aparência de exausta, eu também ficaria puto se estragassem a única coisa que poderia matar minha fome, após um dia de plantão. O que queria que eu fizesse?
— Você tá afim dela, né? Admita. — Nando sorri de canto.
Desvio o olhar brevemente, encarando qualquer outra coisa, menos ele.
— Não, você está vendo chifre em cabeça de cavalo. Ela nem faz o meu tipo. — dou de ombros e Nando bufa.
— Aquela mulher faz o tipo de todo mundo, Justin. Já viu o tamanho daquelas pernas e a bundä redondinha e empinada? Eu foderiä com ela uma noite inteira, sem me cansar. — poderia ficar irritado com a forma que ele falou, porém, sei que está me testando.
Minha mente vai até a noite anterior, quando reparei cada parte do corpo dela e, involuntariamente, sinto minha ëreção incomodando.
Por sorte, a garçonete trouxe nossos pedidos, me fazendo voltar à realidade. E, com isso, tento pensar em qualquer coisa não sexuaal, principalmente se tratando da Ella, para acalmar meus instintos.
— Então, vai dizer que aquele corpo não te deixa excitaado? — pergunta, enquanto bebe um gole da cerveja.
— Sim, ela é gostosa.
— Pensei que discordaria, o que seria bem contraditório, já que vive falando sobre ela sempre que conversamos.
— Não passa de uma curiosidade, ela é gostosa, qual homem em sã consciência não queria ter uma mulher como aquela na cama? Só se fosse louco. — bebo também.
— Então, admite que está afim?
— Acabei de dizer que é apenas curiosidade. Ela não é pra mim, merece alguém melhor do que eu.
— Lá vem você com esse papo de novo. Quando vai parar com isso, Justin? Que droga! — ele se aborrece sempre que tocamos nesse assunto.
— Já chega desse assunto, ou então vamos embora. — perco a paciência também.
— Ok. — responde frustrado.
Mesmo sem querer, se dá por vencido.
(...)
Algum tempo se passa, e devido à bebida, sinto o cansaço bater. Então decidimos ir embora.
Por obra do destino ou sei lá do quê, assim que paramos no condomínio em que moramos, Ella estaciona o carro dela também. Já vi que será só mais uma razão para o Nando me encher com esse assunto outra vez.
Desço do carro, segurando meu jaleco em uma das mãos e vejo meu amigo fazer o mesmo, com um sorriso cínico, olhando em direção a Ella.
— Boa noite, vizinha. — Nando é o primeiro a cumprimentá-la, enquanto está com o tronco inclinado no banco do passageiro, pegando seus pertences.
Essa posição deixa sua bundä saliente, ainda mais avantajada.
— Oi, Nando — o responde sem graça, saindo da posição em que estava — Boa noite. — fecha a porta do carro.
— Como vai a melhor advogada desse prédio? — pergunta em tom de brincadeira.
Ela ri, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
— Acho que sou a única advogada que mora aqui, mas respondendo a sua pergunta, estou bem. E você? A propósito, boa noite, Justin. — desvia o olhar dele, para mim.
— Boa noite, Ella. — sorrio.
— Estou muito bem e você está maravilhosa, linda como sempre. — fico apenas observando a performance de galanteador do meu amigo.
— Obrigada, Nando. Bondade sua. — ela o responde meio tímida.
— Engraçado como você é educada com ele, mas comigo é o oposto. — não saberia explicar porque disse isso.
Ela me fuzila com os olhos.
— Apenas retribuo aquilo que me é oferecido, se não está satisfeito, o problema é seu. — empina o nariz, me encarando.
Fico sério, mas juro que minha vontade por dentro, é de rir.
— Boa noite para os dois. — diz e entra, no prédio, pisando duro.
Solto uma gargalhada após ela sair de nossas vistas.
— E depois diz que não tá afim. Você engana a outro, a mim não. — me finjo de desentendido.
