Capítulo 1 Capítulo 1
Serena
— Como está se sentindo, amor? — Logan perguntou enquanto eu me arrumava em frente ao espelho do meu quarto, me preparando para ir ao primeiro dia na nova escola, em meu último ano antes de ir para a faculdade. Algo que eu ansiava demais.
Meu pai fez sociedade com um empresário em uma cidade nova e tivemos que nos mudar por causa disso. O lugar não era distante de onde morávamos, mas dessa forma eu tive a oportunidade de ingressar em uma nova escola, uma com educação melhor, mais especificamente, uma escola técnica, na qual eu poderia ter a minha primeira experiência em ciência, algo que eu aspirava.
Sendo dois anos mais velho do que eu, ele já havia concluído o ensino médio, porém, ao contrário de mim, após finalizar o colegial ele optou por ficar um tempo tranquilo, sem se preocupar com estudos, e decidir só depois o que fazer. Afinal, ele podia se dar a esse luxo, tendo pais ricos. Não é que os meus não fossem, eles eram, no entanto, a riqueza da família do Logan nem se comparava à minha. Era bem maior.
— Não sei exatamente como estou me sentindo… Acho que, talvez nervosa seja a palavra mais adequada. E se eu não me adaptar à nova escola ou não gostarem de mim e eu não conseguir fazer amigos? — sem querer, exatamente como eu fazia quando ficava nervosa, falei uma coisa atrás da outra, o fazendo rir.
— Ei, vem cá — Logan me chamou, abrindo mais as pernas, sentado em minha cama e gesticulou com a mão em minha direção. Eu fiz o que ele pediu e o sorriso que ele me direcionou fez o meu coração se aquecer e errar as batidas. — Não se preocupe com nada, você será a melhor da turma, como sempre. Seja apenas você mesma. — ele segurou meu queixo e me beijou com ternura.
— Gostaria muito de dizer que você tem razão, mas ser eu mesma não é uma boa proposta, levando em conta que nenhum dos seus amigos, ou pelo menos a maioria deles, não aprova o nosso namoro. — suspirei pesadamente, após parar o beijo com nossas testas coladas.
— São todos uns babacas. Quantas vezes preciso te dizer que a minha opinião a seu e a nosso respeito é a única que importa? Somos perfeitos juntos, Sê. — eu me derretia a cada vez que ele me chamava assim.
Todos, inclusive meus pais, me chamavam de Sissy, mas ele não. O Logan sempre deixou claro não gostar de fazer o mesmo que a maioria, então me apelidou assim, desse jeito todo especial.
— Eu te amo. — falei, lhe dando um beijo rápido, mas que ele não permitiu que ficasse somente nisso.
Sem que eu pudesse me dar conta, Logan pôs uma mão em minha nuca e pressionou a outra em minha cintura, aprofundando o beijo, entrelaçando sua língua na minha. Sentia meu coração acelerar toda vez que ele fazia isso e não era por tesão. Quer dizer, não é que eu não me sentisse assim quando nos beijávamos, afinal, meu namorado beijava muito bem, mas eu era virgem e não estava pronta para dar esse passo ainda.
— É melhor pararmos, meus pais podem aparecer. — sussurrei, tentando parar o beijo.
— Relaxa, eles estavam na cozinha quando eu cheguei. Vem cá, me dá mais dessa boca gostosa. Vem. — tentou forçar, me puxando para cima dele ao deitar-se sobre a cama.
— Logan, não! — exclamei devido ao susto, mas ele só fez rir, não me levando a sério.
— Apenas curte o momento, gata. — continuou tentando me beijar, porém, não permiti.
— Esse que é o problema, eu não quero, não estou curtindo. Não estou pronta e você sabe disso. — nesse momento, o ouvi bufar e me soltar.
Respirei fundo, chateada, porque não era a primeira vez que discutíamos sobre isso.
— Isso é foda, Serena. — pelo tom de sua voz e a forma como me chamou, sabia que estava irritado. — Tenho uma namorada pela qual sou louco e não posso demonstrar que a amo de todas as maneiras possíveis.
— Já conversamos sobre isso, Logan.
— É, já conversamos e não chegamos a lugar algum! — sua voz se alterou, mas por sorte, fui salva quando um pigarro soou, me fazendo olhar para a porta.
Era minha mãe.
— Vou indo. — ele se levantou e se direcionou à porta.
— Mas… — eu iria retrucar que ele prometeu me levar à escola e estava saindo, mas nem deu tempo de eu falar nada.
— Até mais, senhora. — falou rapidamente ao passar por minha mãe, que nem se deu ao trabalho de respondê-lo.
Levantei e me apressei em juntar minhas coisas e colocar na bolsa para sair. Já que não teria mais minha carona, não poderia arriscar atrasar em meu primeiro dia de aula.
— O que foi dessa vez? — minha mãe se pronunciou.
— Melhor não falarmos sobre isso, mãe. Quer dizer, não me sinto à vontade para falar essas coisas com a senhora. — respondi sem olhá-la.
— Ah, então é sobre sexo, suponho…
— Mãe! — a repreendi, ouvindo sua risada.
— O quê? Eu ouvi uma parte da discussão sem querer. Não quero me meter entre vocês, já são bem grandinhos, mas até quando vai insistir nesse relacionamento?
— Não começa, mãe. Já estou suficientemente sem paciência, depois do Logan. — bufei, terminando de arrumar minha bolsa.
— Ok, ok! Não está mais aqui quem falou. — virando de frente para ela, a vi com as mãos estendidas em sinal de rendição.
Eu amava minha mãe, ela era incrível, mas às vezes se metia demais. Tudo bem, eu sabia que isso era excesso de proteção, por isso se tornava compreensível.
— Até mais tarde. Te amo. — passei por ela, lhe dando um beijo na bochecha e saindo.
(...)
Mesmo fazendo o possível para chegar no horário, quase cheguei atrasada. Estava emputecida pela atitude do Logan em me deixar na mão. Mas se ele achava que dessa vez tudo se resolveria facilmente, estava enganado.
Cheguei à escola e estava me sentindo bastante perdida, sem saber para onde ir. O lugar era imenso.
Tinham vários jovens, muitos deles pareciam se conhecer, outros estavam apenas felizes, assim como eu, por darem um passo rumo aos seus objetivos.
O friozinho na barriga me acompanhava enquanto eu olhava para cada canto, admirada.
Tinha bastante verde. Várias árvores espalhadas pelo lugar e eu amava isso. Sabia que me sentiria muito bem ali.
Segui em direção à escada, subindo os degraus e depois pelo corredor, olhando se havia algum mural onde eu pudesse me situar.
— Novata, né? — uma voz feminina me chamou a atenção, fazendo-me erguer a cabeça e olhar para o lado.
— Está tão na cara assim? — comentei, rindo e ela me acompanhou.
— Relaxa, já estive em seu lugar. Sou Sienna e você? — falou, estendendo a mão em minha direção.
Ela era linda. Alta, com cabelos e olhos escuros, magra, mas não excessivamente, e aparentava ser o tipo descolada pelas roupas que usava. Saia jeans curta e blusa de alças finas.
— Serena, mas pode me chamar de Sissy, eu até prefiro. — respondi, aceitando seu cumprimento.
— Ok, Sissy, seja bem-vinda. Qual o curso? — tentou espiar o papel que eu segurava, inclinando a cabeça para o lado.
— Ciência.
— Uou! — sua boca se abriu em um perfeito "O". — Desculpa falar assim, mas você não tem jeito de cientista. — falou meio sem graça e eu ri.
— Tudo bem, você não é a primeira pessoa a dizer isso. — sorri, a tranquilizando.
— Acho que você se daria bem com meu irmão. Talvez seja da mesma turma dele. Se ao menos aquele idiota estivesse por perto eu poderia apresentá-los, assim você não se sentiria tão deslocada. Mas tudo bem, vamos lá! — Ela me puxou pelo braço, me guiando pelo corredor.
Quem visse, diria que éramos super amigas e não que tínhamos acabado de nos conhecer.
— Sua sala é aquela ali — ela apontou. — Eu te levaria até lá, mas preciso ir para a minha. Estou em cima da hora do primeiro horário. Depois do último ano, não posso arriscar ter faltas e a professora é um porre. — eu ri do jeito que ela falou, revirando os olhos.
— Tá tudo bem, Sienna. Obrigada. Nos vemos por aí. — ela fez um sinal de continência e se apressou, sumindo do meu campo de visão, então eu segui em frente no corredor.
Não precisei caminhar muito, porque já estava bem perto da sala.
Estava prestes a entrar, quando esbarrei em alguém devido a um pequeno momento de displicência.
— Me desculpe, eu juro que foi sem querer… — falei, antes mesmo de olhar quem era a pessoa, porém, olhando as mãos fortes em minha cintura, com algumas veias saltadas no pulso, sabia que era um homem.
Fiquei envergonhada antes mesmo de olhar para a pessoa.
— Você está bem? — ele perguntou, fazendo-me levantar a cabeça e nossos olhares se encontrarem.
Por um momento, foi como se tudo, absolutamente tudo ao meu redor tivesse parado.
Seus olhos eram um castanho-esverdeado incrível, sua pele branca, os cabelos escuros e lisos, com uma mecha caída sobre a testa, o nariz arrebitado e se formavam duas covinhas em suas bochechas quando ele sorria, ainda que discretamente.
Perdi a conta de quantas batidas o meu coração errou.
— Ei! Você fala? — sua pergunta me fez perceber que eu estava parecendo uma tonta em sua frente, calada e com a boca meio aberta.
Que droga!
— É… Eu… Anh… — embolei as palavras, não conseguindo me pronunciar. Minha mente parecia ter bugado.
— Você? — ele arqueou as sobrancelhas.
— Falo, sim. Desculpe, acho que foi o susto. — inventei uma mentira qualquer para não dizer que, na verdade, fiquei encantada com tamanha beleza.
Ele era lindo, perfeito demais.
“O que você está pensando, Serena? Você tem um namorado lindo também.”
Pisquei algumas vezes, me situando.
— Acho melhor entrarmos, a aula vai começar. — ele foi me soltando aos poucos.
— Ah, claro. Tem razão. — me endireitei e consertei a bolsa em meu ombro.
— Tem certeza de que está bem? — perguntou, me analisando.
— Estou, sim. Obrigada por perguntar. — ele somente me deu uma piscadela, fazendo meu coração acelerar ainda mais, e seguiu seu caminho, indo sentar.
O observei caminhar. Suas costas largas. Ele era incrivelmente alto e tinha uma bunda redonda e linda. Seu porte parecia de atleta e, pela jaqueta que usava, diria que certamente era um.
Quando ele se sentou e me flagrou o admirando, desviei o olhar bastante sem graça e procurei algum lugar para sentar também, me sentindo uma idiota.
