Capítulo 4 Capítulo 4
Ethan
— Você precisa lembrar de passar a bola, Jhon — falei, irritado por ele nunca me ouvir.
— Foi mal, cara. É que eu me empolgo e quero tentar fazer uma cesta — eu sabia que ele estava envergonhado por sua atitude, mas nem isso me impedia de ficar assim.
— Ok. Apenas lembre-se do que precisa ser feito.
— Você sempre fica concentrado nos jogos e treinos, mas hoje tem algo diferente em você. O que tá rolando? — David, intrometido como sempre, comentou.
— Vai ver se estou na esquina, mané — abri a tampa da garrafa de água e bebi. Estava morrendo de sede.
— Não me diga que é por causa daquela gostosinha que sua irmã nos apresentou hoje… — ele sorriu com malícia.
— Para de idiotice, David. Está vendo coisa onde não tem. — parei de beber água para respondê-lo.
A verdade era que sim, eu estava muito irritado por causa daquela garota. Irritado por saber que ela era minha companheira e não poder estar perto. Irritado por estar traindo a Eliza, pensando em outra, mas não conseguir tirar a Serena dos meus pensamentos. Irritado por ela ser tão linda a ponto de todos os caras terem ficado enlouquecidos e eu querer matá-los, devido à possessividade do meu lobo e não poder…
Eram inúmeros os motivos para explicar a minha irritação, no entanto, ninguém podia nem sequer sonhar em saber que tinha algo a ver com a Serena.
— Sai dessa, Ethan! Todo mundo percebeu como você estava olhando para a garota. Ela é linda. A sorte é que, como você tem namorada, nós podemos tentar. Caso contrário, não teríamos chance — bufei ao ouvir o David.
— Agradeça por sermos amigos, caso contrário, eu quebraria sua cara por ser tão idiota às vezes.
— Você só não quer admitir, mas está caidinho pela novata.
— De quem vocês estão falando? — fomos pegos de surpresa quando a Eliza veio até nós, tapou meus olhos por trás e perguntou.
Eu esperava que ela não tivesse escutado algo que não deveria, ou eu teria problemas.
— Ninguém importante, amor. Pensei que não viria treinar, já que faltou à aula — tirei suas mãos dos meus olhos e, com uma única mão, a puxei para o meu colo, onde ela se sentou.
— Não estava me sentindo bem hoje mais cedo, então preferi ficar em casa e descansar um pouco para tentar conseguir treinar — explicou, se ajeitando em meu colo e dando um selinho rápido em meus lábios.
— E está bem agora?
— Mais ou menos. Só não queria faltar ao treino, ou sua irmã arrancaria meus cabelos.
— Bobagem. A Sienna só fala.
— Você é quem está dizendo. Acho que ela não gosta de mim.
— Ela gosta, mas a Sienna é tranquila. Talvez se vocês se aproximassem mais, veria isso — eu sabia que ela estava certa a respeito da minha irmã, mas não queria ajudá-la a plantar caraminholas em sua cabeça. A Eliza era ótima e, honestamente, eu não conseguia entender a razão para as duas não se darem bem.
— Então… Não vai me dizer de quem estavam falando? — pensei que ela tivesse esquecido o assunto, mas, pelo visto, me enganei.
— É sobre a… — interrompi o David que iria responder.
— É uma novata, mas não a conhecemos ainda. Só sabemos o nome. Talvez você devesse perguntar a respeito dela para a Sienna, elas estavam conversando antes de nos apresentar.
— Eliza, vem! — Sienna a chamou, gritando.
Todos treinávamos perto, porque só tinha uma quadra para isso, mas, por sorte, elas não nos atrapalhavam. Às vezes elas treinavam no gramado, o que não era o caso de hoje.
— Deixa para lá, depois eu descubro sozinha. Tenho que ir agora, estávamos em pausa para um pequeno descanso. Nos vemos na saída? — Eliza me direcionou um olhar de cachorrinho.
— Claro — a beijei nos lábios e ela saiu, rebolando. Eu, é claro, conferi se os caras estavam a olhando andar, mas eles sabiam exatamente o que eu pensava sobre isso, então tinham cuidado.
— Você é mesmo um fracote. Nem sei como se denomina lobo desse jeito. Como podemos ter um futuro Alfa como você, se tem medo da namoradinha?
Mostrei o dedo do meio para o David.
— Não é medo, é evitar conflitos desnecessários. Isso também é uma atitude de um Alfa, se não sabe, otário — falei, me levantando. — Agora chega de moleza e vamos treinar.
Dei um tapa forte em sua nuca e o ouvi resmungar, passando a mão no lugar do tapa.
— Cuzão! — suas palavras me fizeram rir.
(...)
— Vamos entrar um pouco, amor. Meus pais estão viajando — Eliza sugeriu quando chegamos em frente à sua casa.
— Hoje não, gata. Estou muito cansado, ainda preciso estudar um pouco antes de ir dormir — vi sua expressão se fechar e seus ombros murcharem ao ouvir minha resposta.
— Tá tudo bem?
— Está sim, é só cansaço mesmo. Nos vemos amanhã, e talvez possamos fazer alguma coisa legal no fim de semana, que tal?
— Eu adoraria! — no mesmo instante, vi seus olhos brilharem e um sorriso pintar o seu rosto.
Pisquei para ela, que se inclinou, me deu um beijo molhado e saiu do carro. A aguardei entrar em casa para ir embora.
A verdade era que o motivo de eu ter recusado entrar não foi cansaço, ao menos não um cansaço físico e, sim, mental.
Cansaço por ter passado o dia inteiro pensando na Serena, lembrando de como a tive em meus braços, do seu cheiro, que parecia estar impregnado em minhas narinas, de como nos olhamos no refeitório e como eu a queria possuir, e isso me deixou exausto.
Além disso, depois de dar de cara com a Serena e saber que ela era minha companheira, até os beijos que eu tinha dado na Eliza já não tinham mais o mesmo sabor. Era como se eu estivesse beijando uma boca estranha e meus lábios não mais a reconhecessem.
Isso era uma droga, porque a Eliza não merecia isso, não quando sempre tinha sido uma namorada incrível. Agora, tudo o que me restava, era continuar lutando contra meus instintos de lobo a respeito da Serena e tentar me manter distante o máximo que pudesse, até decidir o que fazer quanto a esse sentimento que crescia em meu peito.
