Capítulo 2 2

-Desculpe.-Digo.

Ela muda a bolsa para o outro ombro.

-É nova?-Ela pergunta olhando para minha farda.

-Meu primeiro dia.-Digo.-Meu nome é Júlia.

-Eu sou a Bruna. Você parece legal, último ano?

-Sim, sala A.

-Minha sala. Quer companhia?-Ela pergunta.

Sorrio e juntas vamos para o colégio. Passamos novamente em frente aos garotos é novamente o garoto de cabelo e olhos castanhos me olha. Bruna acena para eles e eles acenam de volta.

-Seus amigos?-Pergunto.

-O moreno é meu irmão. O branquinho é o melhor amigo dele. Eles e aquele lourinho são dá nossa sala, os outros são das salas do lado dá nossa. -Ela diz.

Continuamos andando até o portão dá escola. Entramos e vejo uma aglomeração de gente. Vamos em direção a um grupo de garotas. São seis ao todo.

-Olha a piranha aí.-Uma das garotas diz para a Bruna.

Então todas notam minha presença. Olho para Bruna e ela entende.

-Ah, essa aqui é a Júlia, ela é nova.

-Prazer.-Diz uma garota loira muito bonita. Ela me olha de cima em baixo e olha para a garota do seu lado. -Meu nome é Lola.

-Nanda. -Diz a morena no seu lado.

Então todas se apresentam.

Lola. Nanda. Yasmim. Clara. Amanda. Sabrina.

Todas bonitas, cada uma do seu jeito. Lola parece ser loira natural. Nanda tem a pele morena e lindos olhos apertados. Yasmim é baixa e um longo cabelo. Clara é branca e alta. Amanda tem grandes olhos azuis. Sabrina tem o maior par de cílios que já vi.

Um barulho surge, como uma buzina bem alta e Bruna me diz ser o sinal de que as aulas começaram. Bruna, Lola e Nanda são dá minha sala, mas as outras entram em uma sala do lado.

A professora já está na sala. As meninas se sentam no fundão e eu as sigo. Geralmente não sou de fazer amizades rápido, principalmente amizades femininas mas até que está sendo fácil.

A professora se apresenta e não posso deixar de notar da falta de domínio na sala que ela tem. Ninguém a respeita. Todos estão conversando, incluindo as garotas que acabei de conhecer.

Então a porta abre. E continua aberta. Todos olham para lá.

Três garotos entram. Os tres garotos que vi na praça. Um deles me encara, logo os outros também. Eles chegam perto de mim e todos param de conversar.

-Essa cadeira é minha. -O garoto loiro fala.

Levanto minhas sobrancelhas surpresa. Me inclino e olho atrás da minha cadeira.

-Foi mal, não tô vendo teu nome aqui.-Digo.

A sala inteira ri. O garoto loiro tem a cara no chão, até seus amigos estão rindo e me encarando com um olhar divertido.

-Ta com essa bola toda porque é nova?-Ele pergunta.

Olho para a professora. Ela apenas observa tudo. Que tipo de professores temos aqui?

-Não enche.-Falo tirando meu caderno dá mochila.

-Ei, Lucas! Deixa a garota.-Bruna diz.

-Senta ali, cara.-O moreno, irmão da Bruna diz.

O tal Lucas parece ceder.

-Que isso, Lucas? Vai deixar a novata mandar em ti? Vai acabar assim?-O garoto branquinho diz com um sorriso perverso.

Lucas me encara e eu o encargo de volta.

-Quem disse que acabou?-Lucas diz, se esbarra em mim e senta em uma cadeira qualquer.

-Uuuhhh, ele tá bravinho.-Nanda diz e Lucas revira os olhos pra ela.

O irmão de Bruna senta atrás de mim e o outro garoto senta ao meu lado. O tempo passa rápido e logo vem a troca de professores. Dessa vez, o professor da vez parece ser mais eficiente.

É difícil concentrar quando se está com a turma do fundão. Os meninos passam a aula conversando e as meninas não são diferente. Na minha antiga escola eu fazia parte do grupo da bagunça, mas até eles parecem  bando de nerds perto dessa turma aqui.

Todos se levantam e eu fico parada.

-Bora, Júlia?-Bruna diz junto com as outras garotas.

Me levanto ao mesmo tempo que Lucas esbarra de propósito em mim.

-Sai dá frente.-Ele diz e sai andando.

Olho para ele incrédula. Como alguém pode ser tão criança?

-Ele é assim mesmo.-Bruna diz revirando os olhos.

-Você se acostuma.-O garoto branquinho que me encarou na praça diz passando por mim. -Meu nome é Nícolas.

-Julia.-Digo estendendo a mão para um aperto de mão amistoso e ele ignora vindo em minha direção com um beijo no rosto.

-Deixa pelo menos a garota chegar, Nick!-Lola diz.

Nanda cochicha algo com Bruna e elas riem.

-Sai daí, Nick! A garota não é pra tua laia. -Bruna diz me pegando pelo braço.

Saímos e os garotos vem atrás. A medida que vamos andando, rostos conhecidos vem se juntando a nós. As meninas das outras salas que vi na entrada e os garotos que vi na praça. Paramos todos no refeitório e sentamos na maior mesa dali. Sento entre Bruna e Nicolas. Pra um primeiro dia, até que está indo bem.

Nicolas tem a perna encostada na minha. Algo nele me fez pensar. Não o conheço ainda, mas seu olhar tem uma certa marra inocente que deixa uma garota confusa.

Agora, de perto, posso ver que ele é bonito. Seu cabelo é totalmente selvagem e ele passa a mão a cada dois minutos. Seu sorriso é sincero e combina com seus olhos. Algo neles me faz sentir atraída por ele. Ele é alto, mas não tanto quanto seu amigo cujo o nome permanece em segredo para mim. Tem calos nos dedos, então eu diria que ele é músico, e de fato sua voz é diferente dos demais. Parece mais cantada.

Logo o intervalo acaba e voltamos pra sala.

Sabe, não está sendo tão ruim. Até que tem pessoas legais aqui. Talvez eu possa me acostumar. As aulas passam rápido e de vez em quando dá de entender algo. O negócio é pensar positivo sempre, assim, tudo parece mais fácil.

Logo os dois últimos horários acabam e toca o sinal dá saída. Todos saem feito avalanche. Me levanto feliz.

E junto de mim, trago a cadeira. Me desequilibro e caio no chão. Olho sem entender e quando entendo, me arrependo de ter botado os pés nessa escola infernal.

Alguém trancou um cadeado na minha mochila e na cadeira, de forma que não posso sair daqui a não ser que deixe a mochila.

Mas que merda é essa?

Me levanto tirando a mochila das costas e puxo. Mas é impossível. É um cadeado grande.

Então eu ouço risadas atrás de mim. Toda a turma que estava comigo no refeitório agora está atrás de mim rindo. Na frente, Lucas com um sorriso medonho e a chave na mão.

-Eu falei que não tinha acabado.-Ele diz e joga a chave pela janela.

E é agora que percebo que esse ano, não vai ser nada fácil.

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