Capítulo 3 3

Fico olhando pasma para a janela. Lucas dá meia volta e vai embora. Os outros saem pouco a pouco, sobrando apenas eu, Bruna, seu irmão e Nicolas.

-Quer ajuda?-Ela pergunta.

Respiro fundo.

Pego uma tesoura no meu estojo e corto a alça dá minha mochila nova dá Louis Vuitton. Ela está livre.

-Preciso de ajuda apenas para me vingar.-Digo passando por eles.

Ouço passos atrás de mim e uma mão toca meu ombro. É Nícolas.

-Eu não faria isso, o Lucas é....-Então ele olha pro melhor amigo pedindo ajuda.

-O Lucas é teimoso, se você se vingar, isso nunca vai acabar pra ele.-O melhor amigo diz.

-Ele não tem medo das consequências,  ele vai fazer o que tiver que fazer pra se vingar.-Bruna completa.

Me viro para eles.

-Vocês podem conhecer o Lucas, mas não me conhecem. Ele mexeu com a garota errada.-Saio andando e dessa vez não ouço os passos.

Mas que merda. Quem esse garoto pensa que é? Eu não vou deixar barato.

Quando saio, minha mãe já esta me esperando. Entro no carro emburrada e escondo a alça cortada dá minha bolsa.

-Como foi o primeiro dia?-Ela pergunta.

-Legal.-Digo olhando pela janela.

Nicolas, Bruna e seu irmão saem do colégio agora. Nicolas entra em um carro, mas os irmãos seguem até a parada de ônibus.

Quando chego em casa, não me surpreendo com a bagunça. O chão dá sala tá molhado, o que significa que tinha gente na piscina e de acordo com as malas no canto, tem gente aqui.

-Julinha!-Minha tia diz.

-Oi, tia Fátima!-Digo dando um abraço na minha tia. Ela é uma mulher robusta e gentil.

Num município próximo daqui, mora toda a família do meu pai. Meus pais vão regularmente visita-los todos os meses, mas as vezes, são eles que vem até aqui.

E se tia Fátima está aqui, todos seus oito cansativos filho também estão.

-Julinha!-Diz o coral de primos e primas.

4 meninas e 4 meninos. Ainda tento entender como minha tia tem disposição pra cuidar de todos eles.

As mais velhas são as gêmeas de 12. Os trigêmeos vem em segundo com 6, e os outros te idades alternadas de 5, 4 e 2.

Todos molhados e sorridentes. Cumprimento cada um e vou direto pro meu quarto. Não é que eu não goste de criança. Eu amo crianças, minha irmã é minha vida, mas eu gosto delas ainda mais quando estão longe das minhas coisas.

Passo à noite planejando uma vingança, mas minha mente sempre vagueia para as pessoas que conheci hoje. Bruna parece realmente legal e Nicolas também.

Acabou que não pensei em nada.

❣ ❣ ❣ ❣ ❣ ❣

-Meu Deus do céu, já é uma hora!-Digo enxaguando a boca e guardando a escova de dentes. -Mae! Por que não me avisou?

-Quem vai à escola é você, não eu.-Ela diz simplesmente.

Passo dois segundos olhando incredula para ela antes de pegar minha mochila rasgada e correr pro carro à apressando.

Em poucos minutos chego à escola. Não sei como é aqui, mas na minha antiga escola, chegar atrasado era motivo para advertência e ainda perderia a primeira aula.

Eu mesma frequentei poucas aulas do primeiro horário.

O porteiro finge que nem me vê. Continuo andando. Todos funcionários dá escola parecem achar isso a coisa mais normal do mundo. Vai ver aqui não tem muitas exigências sobre horários.

Entro na minha sala. Estão todos incrivelmente quietos. Todos os olhos se voltam para mim e depois para o professor baixinho que parece estar ensinando física.

-Como licença.-Digo e vou até minha cadeira.

-Desculpa, o que disse?-O professor diz com um grande sorriso.

-Eu disse com licença.-Falo gentilmente.

Ele ainda sorri.

-Toda! A sala é sua, afinal você pode chegar a hora que quer. Conte-nos sobre seu atraso.-Ele diz sorrindo.

Minhas mãos soam. Olho para Bruna em busca de apoio, mas ela me olha com pena.

-Eu perdi o horário.-Falo baixinho.

-Ah, você perdeu o horário. Que conveniente. Vamos fazer assim, você vai pegar sua cadeira, colocar ali em frente aquele relógio e...o Augusto que está rindo pode se voluntariar para lhe ajudar a encontrar essas horas que você perdeu.

Eu fico o encarando. Ele realmente está falando sério? E quem diabos é Augusto? Quem se chama Augusto hoje em dia?

Então o irmão da Bruna se levanta.

-Não esquece o caderno, Guto.-Nicolas diz.

Então ele é o Augusto. Bom, se ele está indo, não vou desobedecer esse professor doido.

Pego minha cadeira e arrasto até a frente do relógio de parede. Logo, o tal Augusto senta ao meu lado.

-Que barra.-Ele diz.

Então lembro porque ele está aqui.

-Você riu de mim.-Falo baixinho.

Ele ri.

-Foi mal, o professor Wesley é engraçado, mas também é louco. -Ele diz.-A gente nunca se apresentou. Eu sou o Guto.

-Julia. Mas você já sabe disso.-Olho pra trás.-Lucas tá se divertindo com isso.

Ele olha para Lucas também. Ele e Nicolas riem olhando para mim e Guto.

-O Lucas é um babaca. Mas é amigo, a gente não pode abandonar.

-Não consigo imaginar alguém babaca que não possa ser abandonado.-Falo.

-É complicado.-Ele diz.-Ei, meu amigo Nick ali, tá louco por você, dá uma chance pro cara?

Fico surpresa. Ele é bem direto.

-Não sei, não. Mal conheço ele.-Respondo já corando.

-É daí? Estamos falando de uns pegas, não de namoro...Seguinte, sábado agora vamos bater um play na casa dele, as meninas também vão, bora?

Olho para Nicolas. Ele me conquistou no primeiro momento, talvez não seja tão ruim.

-É, pode ser.-Falo.

Eu realmente gostaria de conhecer Nicolas melhor. Eu não sei explicar, ele tem algo no olhar que me prende.

-Te passo o endereço depois.-Guto diz e sorri para mim.

Depois de todo o show do professor, logo chegou o intervalo. Sentamos todos na mesma mesa de ontem. Observando, posso ver que esse é o maior grupo. Talvez seja uma espécie de panelinha.

-Guto me falou que convidou você pra bater um play.-Nicolas diz ao meu lado.

Seus olhos estão fixos nos meus. Eu mal o conheço mas essa sua proximidade faz minhas pernas fraquejarem. Se eu não estivesse sentada, não sei o que aconteceria.

-Ah, é. Se não tiver nenhum problema.

-Que nada.-Ele dá um sorriso.

Então do nada começa tocar uma música e percebo que vem do celular de um dos meninos.

É um funk que está bombando ultimamente. Os meninos se levantam e começam a dançar uma coreografia engraçada que eles próprios fizeram. Nicolas e Guto dançam igual. Todo o refeitório olha pra eles. Todos estão rindo, mas não estão surpresos, como se fosse normal esse tipo de coisa vindo deles.

E logo vem a cantoria.

Logo terminou o intervalo e voltamos a sala. A professora de Geografia passou um trabalho em grupo e fiquei com Bruna, Lola e Nanda.

Eles até são legais, mas Lola não foi muito com minha cara e me exclui das conversas de vez em quando.

-Vocês também vão a casa de Nicolas no sábado?-Sussurro para Bruna.

-Ah, eles te chamaram? Qual deles querem te pegar?-Nanda, que ouviu a conversa, diz.

Eu gaguejo.

-Ahn... Nenhum deles.

Elas se olham e dão risadinhas.

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