Capítulo 8 8
Quando encontrarmos alguém cujo o beijo se encaixa, é maravilhoso. As bocas parecem já se conhecerem e parece saber exatamente como fazer.
O beijo de Nick se encaixou tão bem com o meu, que não tenho palavras. Seu beijo é calmo. Tão calmo que faz todo meu corpo relaxar e se entregar a ele.
Suas mãos vem para minha cintura e em um pequeno salto dá minha parte, subo no seu colo. Geralmente eu me importaria com essa demonstração pública de afeto, mas estou tão envolvida no beijo e além disso, todos aqui são amigos e tenho a leve impressão que isso aqui não é nada comparado ao que rola nessas festinhas.
Nick se surpreende com meu gesto, mas não deixa de sorrir.
Ele para o beijo e olha para detrás de nós.
-Gente, vão lá ver se meu pai chegou.-Ele grita para todos ouvirem.
As meninas reviram os olhos e saem seguido dos meninos. Guto está com um olhar malicioso e ao mesmo tempo engraçado, para nós.
Nick se levanta enquanto ainda estou em seu colo, de modo que minhas pernas estão entrelaçadas na sua cintura e ele me carrega.
No momento que ele começa a andar e me beija, eu sei exatamente pra onde ele tá me levando.
O "matadouro".
Não sei se quero ser o tipo de garota que fica em um lugar chamado assim.
Assim que passamos pela cortina, posso ver que o nome não dá jus ao lugar. O "matadouro" é até...Romântico.
Tem uma cama de casal enorme bagunçada, ao lado, um criado mudo com a gaveta aberta. Algumas velas iluminam o lugar e é agradavelmente frio. Um clima perfeito pra querer se deitar em baixo das cobertas pra sempre.
Mas ele passa direto pela cama.
-Aonde tá me levando?-Pergunto.
Ele percebe meu susto e acha graça.
-Relaxa.
No canto tem uma porta. Ele abre e damos de cara com um quarto. As paredes são azuis, tem uma televisão enorme na parede, uma cama enorme com o jogo de cama laranja, uma estante com vários livros, uma prateleira com algumas medalhas e antes que eu possa analisar mais, ele me coloca na cama.
Nick vem por cima de mim me beijando. Suas mãos estão ao meu lado. Ele ainda não está próximo o suficiente de mim. Agarro a gola dá sua camisa e o puxo para mim. Ele gosta dá atitude e vê isso como um sinal para explorar mais.
Então eu sinto algo duro na minha perna. Tomo um susto tão grande que o empurro. Ele fica assustado também.
-O que foi?-Ele diz me examinando.
Merda.
Olho pra todos os lugares, menos seus olhos.
-Desculpa, é que eu...
-É virgem?-Ele pergunta.
Sinto minhas bochechas esquentando.
-Aham.
-Ah...-Ele parece um pouco desapontado.-Tudo bem.
Ele se senta escorando a cabeça e as costas na parede e me chama. Sento do seu lado e ele passa o braço por meus ombros.
-Isso é bom, sabe. Significa que posso ser seu primeiro. Se você quiser, é claro. -Ele solta uma dessa assim.
Eu sorrio.
-Quem sabe.-Falo.
Ele se mexe um pouco e me aconchego mais nele.
-Eu nunca trouxe uma garota no meu quarto.-Ele diz.
Observo seu quarto. Agora consigo ver melhor. No canto tem um violão, uma mesa com um computador de última geração e alguns livros dá escola.
Virgindade para mim nunca foi somente isso. Sempre achei ter um significado a mais, porém desde que conheci Bruna e suas amigas, estou começando a pensar diferente. Sei q só as conheço há uma semana, mas foi o bastante pra saber que elas não são do tipo que se prendem.
Nick é um cara legal.
Eu tenho quase 17 anos.
O clima está ótimo.
E não estou sóbria.
-Entao hoje será um dia de primeiras vezes para nós dois.-Digo e o beijo.
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-Isso é hora de chegar em casa, dona Júlia?-Minha mãe diz com uma cara feia.
Engulo seco.
-Desculpa, eu achei que ainda era onze horas.-Falo e realmente é verdade.
Ela bufa.
-Eu vou pregar um relógio com super bond na tua testa. Onde já se viu chegar em casa quatro e meia achando que é onze? Se eu não te conhecesse te deixaria de castigo! Pra quem tu puxou essa displicência? Foi bem dá família do teu pai?-Ela grita.
Junto o copo que foi a causa disso tudo. Copo de alumínio só serve pra duas coisas. Dar pra visita chata beber agua e derrubar no meio dá noite acordando toda a casa.
-Que barulheira é essa?-Meu pai diz bocejando.
Meu pai é alto e branco. Tem o cabelo castanho que se junta com a enorme barba castanha. Ele está vestindo uma camisa branca velha é um short de dormir azul.
-Olha a hora que a Júlia vem chegar! A porra do galo dá vizinha já vai cantar e ela na rua ainda!-Minha escandalosa mãe, diz.
-Onde você tava, filha?-Meu pai pergunta calmamente.
-Eu tava com uns amigos na casa de um amigo meu, a gente ficou jogando e conversando e perdi a hora, mas eles vieram me deixar são e salvo. Desculpa.-Falo.
Meu pai boceja de novo e vai até minha mãe. Coloca a mão nos seus ombros e a conduz pro quarto.
-Que bom que está fazendo amizades.-Ele diz e os dois somem e apenas o eco dá voz dá minha mãe é ouvido.
-Sempre passando a mão na cabeça dela....
Meu pai é tão calmo que as vezes acho que ele roubou todo o lado calmo dá minha mãe.
Vou pro meu quarto e me deito na cama. Olho pro teto.
Que merda eu fiz hoje.
E então eu sorrio.
Nick foi totalmente delicado comigo, me perguntando se doía, se eu estava bem, se eu precisava de algo. Sempre se preocupando.
Não estou arrependida e acho que posso até estar sentindo algo por ele.
Pego meu celular para ver as mensagens. Nick me mandou um coração.
Respondo com um emoji qualquer e ele me pergunta se estou bem.
Ah, Nick.
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