Capítulo 4
CAPÍTULO 4
MAXIMILIANO ODEIA o gosto amargo na boca. Ver sua companheira lutando contra a morte e finalmente chegando ao seu lado é algo que ele nunca quis que acontecesse novamente. Ele nunca sentiu uma emoção tão agonizante em seus 500 anos de vida. No entanto, quando estava pronto para derrubar o vilão, sua companheira voltou à forma humana, completamente nua, apenas para implorar pela clemência do homem.
Isso estava fora de sua lógica.
Ele se recusava a aceitar isso.
Sua companheira estava 'nua'. De jeito nenhum ele podia aceitar isso.
Max decidiu que poderia deixar o homem ir naquela noite. Ele precisava ouvir a razão de sua companheira para poupar o homem. Com todas as roupas dela, é claro. Max não precisava ver a pinta vermelha de cinábrio no lado esquerdo da cintura dela nem a curva de suas costas enquanto conversavam.
A visão não era para o povo de Little Maddison. Nem para seu rival amoroso, Fin. Ele fez o lobo marrom cair em um sono indesejado. Jogando-o na lixeira mais próxima, ficou satisfeito ao ver sua companheira de volta à forma de coelho branco.
Ele pisou no cimento e se agachou ao lado dela. "Acho que você não tem um lugar para ficar esta noite," ele sugeriu, "Você ficaria comigo? Você sabe que não vou parar de me preocupar até saber que você está em algum lugar seguro."
Max gostaria de conhecê-la melhor também. E a rua molhada não era um bom lugar para começar uma conversa. Ele precisava saber quem é Fin para a adorável mulher de pele clara.
O coelho pulou para sua mão. Max deixou que ela subisse até seu ombro e se aconchegasse ali. Sentia-se quente. Max podia sentir o coração frágil dela batendo. "Só cheirando, companheira? Tem certeza de que não quer uma mordida?"
Um coelho frágil bateu em sua bochecha. Ele apertou os olhos. "Agora, agora. Você gosta de ser física comigo também. É bom que você seja aberta e honesta comigo."
Max ajeitou o cabelo com uma mão. Ele assentiu solenemente. "Segure firme, querida."
DOLLY NÃO CONSEGUIA se transformar. Quando arriscou a ideia mais cedo, foi atingida pelos olhos apreciativos de Max. Agora que estão dentro do espaçoso apartamento de Maximiliano, ela não conseguia reunir coragem para se transformar. Sob o teto bem iluminado, sua ousadia estourou como um balão. Ela ficou insegura e cansada.
O deleite de Maximiliano era porque ele não conseguia ver claramente seu corpo. A rua estava escura e ela tinha certeza de que Max só viu um vislumbre de sua pele e não as cicatrizes que ela tem. Dolly optou por pular ao lado dele enquanto o homem sugeria fazer o jantar para os dois.
"Eu não sei o que os coelhos costumam comer. Sinto muito, querida." Max vasculhou a despensa da cozinha. Dolly não podia acreditar na quantidade de macarrão que o cara guardava. "Eu... eu só tenho isso. Você gosta de comer macarrão, querida?"
'Não.' Dolly fez o melhor para acenar com a cabeça e fingiu entender a lógica de comer aquilo regularmente. 'Max, você não sabe o que são frutas?'
"Ok, então. Vou cozinhar algo especial para nós." Max bateu no balcão. Depois de um bom tempo, suspirou. "Eu realmente gostaria de saber mais sobre Fin, Dolly. Você se importaria de me contar?"
'Contar para você?' Dolly entendeu que precisava se transformar para que eles pudessem conversar. Ela olhou para ele com olhos doloridos antes de começar a se transformar.
Ela não viu como Max olhou para suas pernas antes de fingir empilhar os macarrões na frente. "Você quer roupas? Eu só tenho as minhas. Você pode usar um roupão se não estiver confortável."
Os olhos de Dolly tremularam de vergonha e inquietação. Suas falhas agora estavam claras e distintas. Não havia como Max ainda querer ela. "Roupão, por favor?"
A imagem de Max desapareceu com o vento em um rápido sopro de fumaça. Em apenas cinco segundos, ele emergiu do único quarto do apartamento. Seu sorriso era cheio de charme. "Oh, veja isso, querida. Eu tenho um roupão preto aqui."
Dolly riu disso. "Você age tão surpreso. O design de interiores do seu apartamento é preto e branco."
Seu sorriso se aprofundou. Ele ofereceu o roupão sem olhar para o corpo de Dolly. Ela foi tomada por uma onda de decepção. 'Eu sabia.'
"Mas te fez sorrir." Max ajustou seu colete. "Por favor, não se importe com o cheiro de detergente. Minha senhoria foi descuidada esta manhã."
"Oh..." Dolly defendeu a Sra. Shelly com um tom gentil. "Este apartamento é o maior aqui em Little Maddison. Ninguém o alugou por anos, por isso ela nunca gastou nada para reformá-lo. Por favor, não fique bravo com ela."
Max se concentrou na cozinha. Ele assentiu. "Eu vou, uma vez que tivermos uma conversa sincera, Dolly. Devemos começar a nos conhecer melhor? Eu realmente gostaria de saber o que aconteceu com aquela cicatriz nas suas costas."
Os dentes de Dolly bateram. "É horrível! Eu sei, eu sei. Aconteceu quando—"
"Antes de começarmos com isso, só quero que saiba que não é horrível. Eu vivi por centenas de anos e vi como a vida e a morte passam rapidamente por mim. Acredite em mim quando digo que uma cicatriz como essa não é um sinal de vergonha, mas uma prova de que você passou por algo ruim e sobreviveu, enquanto a maioria cai morta e perece." Max usou muita força na faca. Ela se dobrou para o lado. "Se vamos ficar juntos de alguma forma, gostaria que soubesse que eu também tenho essas cicatrizes. Dolly, Maximilian Adenhart não é perfeito. Mas gostaria de te contar todos os detalhes de por que não sou. Dessa forma, talvez, você ainda goste de mim mesmo assim."
O coração de Dolly apertou. Ela olhou para as costas dele por um momento antes de deixar o roupão cair de seus ombros para seu colo. "Então... eu não preciso desses roupões."
"O quê?" Max se virou com os olhos arregalados e surpreso. Era uma novidade para Dolly ver um homem reservado e calmo ficar inquieto na presença dela. "Por quê? Você não tem medo de que eu vá te drenar ou algo assim?"
"Não." Dolly reuniu resolutamente os roupões no colo. "Você cozinha, eu falo. Continue."
"Tem certeza?" Max perguntou pela segunda vez antes de continuar sua tarefa. "Sou conhecido pelo meu talento em multitarefas. Posso te observar enquanto cozinho?"
Dolly riu com vontade. "Não!"
Ela estava apenas provocando o homem. Dolly cobriu seu corpo com o roupão. Agora ela se sentia bem e confortável.
"O-kay." Max franziu a testa, mas eventualmente perguntou, "então... sobre aquela cicatriz?"
Ela soltou um longo suspiro. "Foi quando eu corri para o campo. Meu pai continuava gritando que eles deviam me pegar. Os quatro renegados não hesitaram e correram atrás de mim. Uma das mãos do renegado pousou no meu corpo e doeu. A garra dele quase me rasgou, Max. Eu... eu não odeio aqueles homens. Eu odiava meu pai por pedir que eles me matassem. Eu desejei uma morte súbita naquela noite, mas não aconteceu. Tenho medo da dor, mas queria que tudo acabasse. Foi a coisa mais confusa que me aconteceu."
Ele permaneceu quieto, mas Dolly notou a rigidez incomum de seus ombros.
"Eu não quero que Fin morra porque de alguma forma ele me ajudou, Max. Quando você levantou a mão e estava tão determinado a matá-lo, eu me senti muito mal. Ele me carregou apesar do meu estado ensanguentado e me tirou do nosso bairro. Ele—"
"Os renegados não perseguiram vocês dois?"
"Sim," Dolly respondeu agradecida, "sim, eles não perseguiram. O que foi sorte para nós dois."
"Querida, quanto você sabe sobre lobos renegados?"
Dolly ficou imóvel. "Eles são vis! Monstros!"
Max estalou os lábios. "Sim, querida. Eles são monstros. Monstros com habilidades auditivas um pouco mais aprimoradas do que um lobo comum. Eles são chamados de monstros por causa de sua mudança drástica de temperamento e pelo pelo fedorento."
"O que você quer dizer, Max?" Dolly se abraçou. Ela sentiu frio só de lembrar do seu passado.
"Nada, amor." Ele terminou de picar os temperos. "Fin é um alfa lobo peculiar. Você não se importa se eu fizer uma breve verificação do estado dele, certo?"
"Faça o que quiser, mas por favor, não o mate."
"Hmn." Ele tirou uma grande panela do armário. Dolly gostava de olhar para suas costas. "Qual é o nome do seu bairro, querida?"
"Sta. Mesa. Por que você pergunta?" Dolly esfregou o tecido sedoso em sua mão. "Max?"
"Oh, não é nada." A indiferença de Max dissipou a preocupação de Dolly. "Deixe-me compartilhar algo sobre mim agora, ok?"
"Claro!" Dolly sabia que ele era interessante. Conhecendo sua história de quinhentos anos, ela sentia que odiaria cada mulher mencionada nela.
