Capítulo 5

CAPÍTULO 5

MAX ERA um herdeiro do legado de seu pai desde que nasceu. Ele não tinha tempo para perguntar "quando" e "por quê". Ele é um garoto de quem os pais se orgulham apenas porque sabe seguir ordens. Começou a estudar no momento em que conseguiu balbuciar. Era o requisito para que fosse considerado uma criança única e digna aos olhos dos mais velhos.

Janette sempre odiou isso.

Ela esperava que Maximilian pudesse viver uma vida normal de criança. E, embora sua intenção fosse nobre, já era tarde demais para ele. Max cresceu com uma mentalidade voltada apenas para o trabalho. Ele não via problema em morrer trabalhando. Passar todos os seus dias preso nas quatro paredes de seu escritório na torre mais alta, com vista para a vasta cidade que protegia como seu território. Janette discutia com ele para que ele também se considerasse.

Max cedeu às ordens dela no mês passado. O único motivo pelo qual ele está saindo de férias. Janette o odiava, mas isso era apenas porque cresceram com princípios diferentes.

Max agora sabia que trabalhar e apenas trabalhar não é o propósito da vida. Ele poderia morrer com muito dinheiro nas mãos, mas não poderia arrastar ninguém com ele para deitar ao seu lado e rezar pela ressurreição com Deus.

Ninguém.

"Você nunca namorou?" Dolly perguntou com uma expressão ansiosa. "Não vou acreditar se você disser que não."

"Em termos de um relacionamento 'adequado'? Não." Max segurou a delicada taça de vinho na mão e girou o líquido vermelho. "Minha família sempre garantiu que eu tivesse um suprimento suficiente de sangue humano em casa. Eles enviavam mulheres— querida, por favor, não faça essa cara. Elas não foram sequestradas. Elas eram pagas e sabiam como funcionava. Caso contrário, o conselho dos metamorfos estaria no meu encalço por má conduta."

"Então..." Dolly de repente sentiu que o vinho tinha um gosto azedo e amargo ao mesmo tempo. Ela olhou para o prato. "Você deve ter uma esposa ou namorada, não é?"

"Eu disse que nunca tive um relacionamento 'adequado', Dolly." Max limpou a boca com um guardanapo. "Eu precisava que elas estivessem vivas. Eu precisava delas para me alimentar. Quanto ao resto, eu precisava delas para diversão. Quinhentos anos, querida. Quinhentos anos da minha vida e eu nem sabia quando você iria nascer ou onde eu poderia te encontrar."

"Eu sei, eu sei." Dolly fez uma careta. "Não entendo por que estou perguntando isso. É inadequado da minha parte, certo? Quero dizer—"

"Você está desconfortável?"

"Sim."

Max se recostou na cadeira. "Então não fique mais. Vou parar de me alimentar delas. Vou mandar que sejam embora. Está bem para você?"

"Eu... Eu não posso morar com você agora." Dolly achava que precisava resolver as coisas com Fin antes de começar qualquer coisa com Max. "Preciso falar com ele e esclarecer as coisas antes de começar algo com você, Max."

Max ficou paralisado na cadeira. "Você não vai ficar aqui esta noite?"

"Vou ficar esta noite, mas preciso sair de manhã. Permite?" Dolly disse esperançosa.

Max piscou. "Não me peça essas coisas. Apenas me avise seus planos e verei se posso te ajudar ou assistir."

"Oh..." Dolly ficou radiante. Ela abraçou o robe mais perto da pele. "Você é realmente incrível, Max!"

Max recebeu a visão com uma expressão pensativa. Ele precisa ligar para o conselho para fazer uma verificação de antecedentes.

ERA MEIA-NOITE quando Jeffrey atendeu sua ligação. O garoto parecia jubilante e honrado, apesar de Max ter ligado em um horário impróprio. Mas então, Max havia designado a ele um trabalho que não requer sono. Não deveria ser nada para Jeffrey.

"Tio!" o garoto cumprimentou, "Como foi seu primeiro dia?"

"Agora que encontrei minha alma gêmea? Foi fortuito, no mínimo. Vamos acabar logo com isso. Não fale alto porque ela está dormindo, ok?" Max olhou de lado para o quarto antes de se sentar no sofá. "Ela teve um dia difícil."

"Você encontrou sua..." Jeffrey gritou, mas se conteve em um segundo. Ele sussurrou, "... sua alma gêmea?"

"A única, garoto. A única." Max revirou os olhos. Seu pescoço esquentou com um raro brilho rosa. "Pense nisso. Não sou abençoado? Ela decidiu ficar para a noite também— ela quer estar comigo. Eu posso sentir isso!"

"Uau, tio, eu—" Jeffrey riu com desconforto. "Você não está como de costume."

"Não estou como de costume?" O sorriso de Max vacilou. "E como eu sou normalmente? Parece que você me conhece muito bem."

"Uh, primeiro... você iniciou a conversa comigo. E quando faz isso, só fala sobre coisas relacionadas ao trabalho. Você é basicamente chato!"

"Garoto," Max murmurou, "você está disposto a apostar comigo? Eu poderia me transportar para o seu lado por cinco minutos."

"Não-oh!" Jeffrey zombou dele. "Se isso fosse verdade, por que você aceitou andar na minha van ontem? Apenas aceite, tio. Você mudou."

Max levantou a sobrancelha. "Ninguém pode mudar da noite para o dia. Isso se chama pretensão. Isso não é mudança porque leva muito tempo para dobrar um certo hábito. No entanto, estou realmente disposto a mudar."

"Tsk!" O garoto assobiou. "Oh, grande e estimado senhor, eu concordo. Eu concordo."

"Estou surpreso que sua mãe ainda não tenha te contado sobre isso, garoto."

"Além de quando ela disse que você é um idiota? Não há mais nada, senhor."

Max gargalhou. "Silly Janette. Claro que ela é amarga. Ela odeia quando estou certo."

"Essa é minha mãe, tio," Jeffrey o lembrou.

Ele bufou. "E daí?"

"E você está certo sobre ela."

Max apreciou sua falsa obediência. Ele aprovou. "Mikael te criou bem, Jeffrey."

"Meu pai e você eram melhores amigos. De qualquer forma, senhor, há algo que eu possa fazer?"

'Bom garoto.' Max olhou para sua mão pálida. A tez caramelo de sua alma gêmea parecia tão saudável e simplesmente perfeita. "Quero que você verifique alguém, Jeffrey."

"Quem é?"

"Fin Hardaway." 'O espinho na minha garganta.' Max desabotoou o colete. "Ele é um malandro a alguns quilômetros de mim. Qualquer coisa sobre ele, registre e me envie. Peça a Cedric Mallory para investigar um lugar chamado Sta. Mesa. Mais detalhes sobre isso, vou enviar logo depois de preencher um documento."

"Uh..." Jeffrey tossiu. "Tio, você pode apenas mandar uma mensagem, sabe?"

Max olhou para o telefone com uma expressão nada amigável. "Não parece formal, seu idiota."

"Senhor, suas mudanças de humor estão ficando frequentes. Quando foi a última vez que você se alimentou?"

"Eu odeio me alimentar de humanos," a resposta curta de Max veio fria. "Isso é tudo."

"Senhor, o que aconteceu com Milani não foi culpa sua—"

Maximilian desligou a ligação. Ele odeia ser lembrado de coisas que quer esquecer.

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