Capítulo 1 Prólogo

PRÓLOGO

Existe uma gaiola no meio do quarto. Uma gaiola de verdade, grande o suficiente pra eu entrar em pé, dormir e aparentemente viver ali igual à porra de um animal exótico problemático. Tem uma caminha de cachorro no canto, preta, ridiculamente macia, e um pote de ração cravejado em diamante logo ao lado. É como se aqueles filhos da puta realmente tivessem sentado juntos para discutir qual seria a maneira mais humilhante possível de me deixar ali dentro.

No momento, estou sentada no chão dessa humilhação arquitetônica, tentando decidir qual foi exatamente a decisão catastrófica que me trouxe até aqui. E, honestamente? A lista é longa.

A pior parte é que eu ainda consigo ouvi-los rindo do lado de fora, como se isso aqui fosse divertido e se me trancar numa gaiola depois de destruir minha vida fosse só mais um jogo particular deles.

E o pior? Nem é a gaiola, a porra da caminha ou o pote de ração. É a coleira, porque aqueles filhos da puta colocaram uma em mim.

Uma coleira preta, cara, pesada o suficiente pra eu sentir o couro roçando contra minha garganta toda vez que respiro. E bem na parte da frente, gravadas em rubis brilhantes como um troféu doentio, estão as palavras que provavelmente deveriam me fazer querer matar todos eles: “Propriedade dos The Cove Boys”.

Agora eu sou aparentemente propriedade de quatro homens completamente desequilibrados que alternam entre querer me matar, me possuir ou arrancar minhas roupas. Às vezes os três ao mesmo tempo. O que provavelmente diz coisas horríveis sobre eles e sobre mim também.

Mas, antes de você começar a me julgar — e, sinceramente, eu julgaria também —, talvez eu devesse voltar um pouquinho e te contar exatamente como eu me fodi o suficiente pra acabar presa numa porra de gaiola, usando uma coleira com o nome dos The Cove Boys gravado nela.

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