Capítulo 4 (O ponto de vista de Seraphina)
Capítulo 4
(Ponto de vista de Seraphina)
O rugido não parava.
Passos explodiram pelo corredor — gente correndo, gente gritando.
— Recuem! O Alfa está prestes a arrebentar as correntes!
— Fechem a escada do terceiro andar! Não deixem ele descer!
A voz de Margaret cortou de baixo, aguda o bastante para machucar meus ouvidos:
— Bloqueiem o corredor! Todo mundo, recuar!
Outro rugido, mais perto do que antes.
A luminária do teto balançou. Alguma coisa se despedaçou no fim do corredor com um estrondo ensurdecedor.
Ouvi alguém chorando. Uma criada ômega no quarto ao lado — soluços abafados, trêmulos.
Ember se eriçou dentro do meu peito, com cada pelo em pé.
Minhas mãos agarraram os lençóis, as unhas quase perfurando o tecido.
Aquelas mulheres antes de mim.
Será que elas deitaram nesta mesma cama, ouvindo as mesmas correntes, os mesmos rugidos, os mesmos gritos?
Será que elas também acreditaram que aguentariam?
E então—
Fechei os olhos.
Imagens da minha vida passada me inundaram. O dedo de Damien batendo no lado esquerdo do peito:
— Bala de prata. Pelo coração. Morre na hora.
Ele morreu tentando me salvar.
Ele nem sequer tinha visto meu rosto, e morreu por mim.
E eu estava ali, tremendo debaixo das cobertas?
Joguei o cobertor para o lado e saí da cama, os pés descalços tocando o chão gelado. Fui até a janela e puxei as cortinas com força, abrindo-as.
O luar entrou derramando-se, prateado e branco, inundando o quarto inteiro.
Ajoelhei-me junto à janela e fechei os olhos.
A luz da lua caiu sobre minha pele, e Ember a bebeu como terra rachada recebendo chuva. O pelo dela mudou na minha mente de opaco para vívido — um castanho profundo contornado de dourado escuro, como brasas acesas.
“Deusa da Lua misericordiosa”, eu disse em silêncio. “Você me deixou renascer. Deve haver um motivo.”
“Ele é o Par que você me deu.”
“Eu acredito que ele não vai me machucar.”
Do terceiro andar veio o som de metal se partindo — as correntes que o prendiam tinham sido rasgadas. Mais gritos apavorados.
Mas o som mais nítido eram os passos.
Pesados, com garras raspando no chão. Descendo do terceiro andar, um degrau de cada vez.
Chegando mais perto.
Meu coração martelava tão forte que eu achei que fosse explodir, mas não me mexi. Permaneci ajoelhada no luar, os dedos agarrando a barra da camisola, os nós dos dedos brancos.
Os passos chegaram à minha porta.
Pararam por um segundo.
BANG—!
A porta foi chutada e se abriu, bateu na parede, voltou, e foi segurada por uma mão.
Eu me virei para olhar, e o choque me roubou a voz.
Eu esperava um lobo fora de controle. Mas isso... isso era mais perigoso do que aquilo.
Ele mantivera a maior parte da forma humana, mas os olhos tinham virado um azul-gelo, brilhando no escuro.
Duas orelhas de lobo prateadas e acinzentadas surgiam de seus cabelos negros, as pontas tremendo de leve. Uma cauda prateada pendia atrás dele, a extremidade se agitando inquieta.
Sua camisa havia sido rasgada em pedaços. Os músculos apareciam por entre o tecido destruído, e a cicatriz que se estendia do lado esquerdo do peito até o ombro direito brilhava em branco-prateado sob a luz da lua.
Ele era lindo.
De um jeito lindo perigoso, bestial. Do tipo que faz você querer fugir e, ao mesmo tempo, torna impossível desviar o olhar.
Ele me encarava.
Não havia razão naqueles olhos. Só instinto de lobo — reivindicar, marcar, acasalar.
Ember respondeu com um choramingo, se encolhendo no fundo da minha mente, expondo a barriga, a cauda dando uma pequena abanada.
Eu me levantei devagar.
Ele se moveu — tão rápido que só vi um borrão. No instante seguinte, estava bem na minha frente, uma das mãos segurando meu queixo e erguendo meu rosto.
A mão dele queimava de tão quente.
Seu nariz se pressionou contra a lateral do meu pescoço. Ele inspirou fundo.
Sua respiração atingiu minha pele — escaldante, irregular, tremendo com algo contido até o limite da ruptura.
Um ronco baixo saiu de sua garganta.
Então sua língua apareceu.
Úmida, áspera, começando na minha clavícula e subindo pela lateral do meu pescoço. Devagar, como se estivesse me provando. Ele parou sobre o ponto onde meu pulso batia, e senti suas presas roçarem naquela fina camada de pele.
Ele não perfurou.
Mas aquele fio de perigo — as pontas afiadas das presas e a superfície macia e lisa da língua se alternando sobre o ponto mais vulnerável — fez todos os pelos do meu corpo se arrepiarem.
Ele lambeu até o ponto atrás da minha orelha.
Minhas pernas cederam.
Agarrei seu braço — o músculo duro como ferro, a pele absurdamente quente, como se ele estivesse ardendo em febre. No instante em que meus dedos o tocaram, seu corpo ficou rígido, e então o ronco ficou mais alto.
Ele me empurrou para trás.
Minha lombar bateu na beirada do peitoril da janela. Antes que eu pudesse registrar a dor, o corpo dele já estava pressionado contra o meu. Ele se ergueu sobre mim, uma perna forçando passagem entre as minhas.
Seu joelho subiu.
Através da minha camisola, pressionando bem ali, esfregando devagar e de propósito.
— Ah...
O arquejo escapou antes que eu pudesse impedir. Levei a mão à boca, envergonhada — como eu podia ter soltado um som daqueles?
O suspiro pareceu disparar algo nele. Ele rosnou, os dedos se fechando na parte de trás da minha cabeça, e sua boca desceu sobre a minha.
Ele estava me beijando.
Não — ele estava me devorando.
Seus lábios esmagaram os meus, a língua forçando meus dentes a se abrirem, lambendo fundo e com força. Ele tinha gosto de ferro e pinho. Quando sua língua varreu meu céu da boca, meus dedos dos pés se curvaram.
Eu nem sabia que um beijo podia ser assim. Tão molhado, tão quente, tão avassalador. Sua língua se enrolou na minha e sugou, e minha mente ficou completamente em branco.
A mão dele deslizou da nuca para a minha cintura, agarrando um punhado do tecido da camisola.
Rasgo—
Aberta ao meio.
Da gola até a barra, a camisola inteira se rasgou em duas como papel. Farrapos ficaram pendurados nos meus ombros. O ar frio entrou de repente, e eu estremeci.
Ele se afastou um pouco. Os olhos azul-gelo percorreram meu corpo de cima a baixo.
Eu não estava usando nada.
Eu não tinha dormido de sutiã — só de calcinha — e agora a camisola tinha sumido. A luz da lua repousava sobre a minha pele, cada centímetro de mim exposto ao olhar dele.
O sangue subiu para o meu rosto.
Cruzei os braços sobre o peito por instinto, apertando as coxas uma contra a outra.
Ele rosnou — um aviso, descontente.
Uma das mãos segurou meu pulso, afastou meu braço e o prendeu contra o peitoril da janela.
“Não...” eu disse, com a voz tremendo muito. “Não olha...”
Ele não ouviu. Abaixou a cabeça, os lábios pousando na minha clavícula, descendo até o meu peito. A boca dele roçou meu mamilo, depois se fechou sobre ele.
“Mm—!”
Apertei os olhos, tremendo por inteiro. A boca dele era úmida e quente, a língua lambendo com força, os dentes dando uma mordida suave. Uma onda de formigamento explodiu do meu peito como uma corrente elétrica, correndo pelo meu corpo inteiro, até o baixo-ventre.
Minhas costas se arquearam sozinhas.
“Para, para...” Empurrei a cabeça dele, quase chorando.
Ele simplesmente prendeu meus dois pulsos com uma mão e os imobilizou acima da minha cabeça — uma posição que só empurrava meus seios ainda mais perto da boca dele.
Ele mudou para o outro lado. As mesmas lambidas, as mesmas mordidas, a mesma pressão.
“Mm... ah...”
Mordi o lábio, tentando não gemer, mas os choramingos presos na minha garganta não ficavam contidos.
Ele ficou inquieto só com os meus seios. A língua dele desceu mais.
Os lábios roçando minhas costelas, minha barriga, meu umbigo. A língua seguiu a linha fina de pelos no meu ventre, chegando à borda da minha calcinha.
Ele parou por um segundo.
Então mordeu o cós e o puxou para baixo.
“Não, não...” gritei.
Ele me ignorou.
A calcinha deslizou pelas minhas coxas até os tornozelos.
O ar frio atingiu o ponto molhado entre minhas pernas, e meu corpo inteiro estremeceu.
Ele se ajoelhou na minha frente.
As mãos dele seguraram a parte interna das minhas coxas e as afastaram.
“Não olha aí... por favor...”
O nariz dele pressionou contra mim.
Ele inspirou profundamente, um som baixo e satisfeito vibrando na garganta. Então a língua apareceu, lambendo com firmeza de baixo para cima por toda a abertura, pressionando com força o meu clitóris.
“Aah—!”
Naquele instante, perdi a capacidade de pensar.
Meus dedos se enroscaram no cabelo dele — eu não sabia se estava tentando afastá-lo ou puxá-lo para mais perto. A língua dele era quente demais, úmida demais, absurdamente ágil, separando cada dobra com lambidas, encontrando o ponto mais sensível, esfregando-o repetidas vezes com a ponta.
Minhas coxas tremiam. Meus quadris se retorciam além do meu controle. Meus dedos dos pés se curvaram até doer.
Ele lambia com concentração e força, como um lobo se alimentando.
Meu ventre se contraiu, algo se formando, subindo depressa—
Ele parou.
Olhei para ele, ofegante, atordoada, o corpo ainda tremendo além do meu controle.
A mão dele foi até o próprio cinto.
O tilintar da fivela de metal pareceu absurdamente alto no quarto silencioso.
Minha voz tremia muito. "Nós... nós vamos...?"
A mão dele começou a tremer violentamente.
O corpo inteiro dele se retesou — os músculos se contraindo em espasmos, a coluna se arqueando, as duas mãos se cravando nas próprias coxas.
Fiquei olhando para ele, impotente, estendendo a mão para tocá-lo.
Ele se jogou para trás, as costas batendo na parede oposta, e se encolheu sobre si mesmo. As mãos agarrando a cabeça, as unhas afundando no couro cabeludo.
Um rosnado áspero rasgou sua garganta — voz humana e uivo de lobo entrelaçados, distorcidos, agonizantes.
"Vá..."
Sua voz mal parecia humana.
"Saia daqui..."
Eu estava nua, ajoelhada no chão, tremendo da cabeça aos pés. A luz da lua caía sobre mim, fria o bastante para arrepiar minha pele.
Mas eu não fui embora.
Engatinhei na direção dele.
Os joelhos arrastando pelo chão, me aproximando centímetro por centímetro.
Ele ergueu a cabeça. Naqueles olhos azul-gelo — uma dor contida até o limite da ruptura. As pupilas oscilavam entre fendas e círculos, as orelhas de lobo achatadas contra a cabeça, a cauda enrolada na própria perna.
"Por favor", ele disse.
Essas duas sílabas exigiram tudo dele.
"Eu não quero machucar você."
Olhei para ele.
Para esse homem que estava se despedaçando para não me ferir.
Na minha vida passada, uma bala de prata atravessou o coração dele para me salvar.
Nesta vida, ele havia rompido correntes de ferro na loucura da lua cheia, lambido cada centímetro do meu corpo e, no último segundo — se jogado contra uma parede.
Meus olhos arderam.
Estendi a mão, enrolei os braços em volta do pescoço dele e me pressionei contra ele.
O corpo dele ficou rígido. Cada músculo travado, duro como pedra.
Inclinei a cabeça e beijei seus lábios.
Ele não correspondeu. Os lábios permaneceram selados, os músculos da mandíbula repuxando, como se cada gota de força de vontade estivesse sendo gasta para manter a boca fechada.
Passei a língua em seu lábio inferior.
Ele fez um som — quase um gemido de dor.
Pressionei a palma da mão contra o peito dele — bem sobre a cicatriz.
Uma luz dourada jorrou da minha mão.
Congelei.
Um brilho tênue e quente se infiltrou por baixo da minha pele, como se a luz da lua tivesse derretido dentro das minhas veias. A luz se espalhou dos meus dedos até o peito dele, afundando na cicatriz.
Os tremores dele diminuíram.
Ember soltou um suspiro baixo e satisfeito dentro de mim.
"Isso mesmo", ela murmurou. "Esse é o nosso poder."
