Capítulo 2 Cut Ties

Jordan evitou o olhar de Catherine, culpado. — Eu não quis! Eu não sabia que ele era um traficante. Ele disse que te achava fofa e queria te levar na roda-gigante, então eu concordei.

Wyatt entrou na conversa: — O Jordan era jovem naquela época. As pessoas cometem erros. Você não precisa ficar jogando isso na cara dele o tempo todo.

Catherine realmente tinha subestimado o quanto essa família podia ser sem vergonha.

Nesse momento, Harper apareceu no topo da escada, usando uma camisola branca. Desceu devagar, com os olhos baixos, parecendo digna de pena. — Quem deveria ir embora não é você. Sou eu.

— Harper! — Todos os irmãos correram para o lado dela.

Os olhos de Wyatt estavam cheios de preocupação. — Você disse que não estava se sentindo bem. Você devia descansar. A gente resolve isso.

Jordan perguntou: — Você comeu a comida que a gente mandou lá pra cima? Estava tudo bem?

Harper se apoiou nos irmãos enquanto descia, frágil como vidro. — Eu estou bem. — Ela foi até Catherine e baixou a cabeça, culpada. — A culpa é minha. Eu disse a eles que gostei da sua música, então eles tentaram conseguir pra mim.

Ela fungou, e seus olhos ficaram vermelhos na hora. — Eu nunca quis te deixar tão brava. Eu não quero mais a música. Se alguém tiver que sair desta família, que seja eu.

As palavras generosas e o teatrinho de coitada funcionaram perfeitamente. A raiva de todos contra Catherine voltou a se acender.

— Olhe para a Harper — disse Marsha, com a voz pingando de decepção. — E depois olhe para você. Quando é que você vai ser tão atenciosa quanto ela?

— Atenciosa? — Catherine soltou uma risada curta. — Só gente sem cérebro chamaria isso de atencioso. O que ela sabe fazer é bancar a vítima e usar vocês pra conseguir o que quer. Cada um de vocês está sendo usado, e ainda assim se atropelam pra agradar ela. Patético.

A sala ficou em silêncio.

Ninguém conseguia acreditar que aquelas palavras tinham saído da boca de Catherine. Antes, ela fazia tudo o que pediam.

O que tinha dado nela hoje?

Harper piscou, pega de surpresa pela ousadia de Catherine. Mas isso só fez a própria “bondade” dela brilhar ainda mais. — Catherine, não culpe a mamãe, o papai, nem seus irmãos. A culpa é toda minha... Culpe a mim. Me bata, grite comigo — eu aguento.

Ao ouvir as palavras “bata” e “grite”, os homens ao redor dela se endireitaram, prontos para proteger Harper de qualquer ameaça.

Catherine achou aquilo risível. Era mesmo necessário todo aquele teatro?

Dois anos nessa família, e até um bichinho comum inspiraria algum carinho. Mas os Taylor… ela tinha dado tudo a eles, e não tinha recebido nada em troca.

Ela estava cansada. Não queria desperdiçar mais um pingo de emoção com eles. Virou-se e caminhou em direção à porta.

Ao ver Catherine prestes a sair, Marsha sentiu o controle escapar. Aquilo a deixou profundamente inquieta.

— Catherine! É melhor você pensar bem. Se você sair por essa porta, nunca mais vai poder voltar. A família Taylor não vai mais ter você como filha.

Marsha viu Catherine parar e sentiu uma onda de alívio. Como ela imaginou — Catherine não tinha coragem. Era só um chilique, uma manobra por atenção, um jeito de competir com Harper.

Esse tipo de comportamento não podia ser incentivado. Se Catherine não pedisse desculpas direito, Marsha nunca a perdoaria.

— Palmas, palmas, palmas.

Catherine começou a aplaudir.

Marsha congelou. Então ouviu Catherine dizer: — Lembre-se do que você disse hoje. A partir de agora, eu não tenho nada a ver com a família Taylor.

Marsha quase caiu de tanta raiva.

Vendo que Catherine não ia ceder, Jordan avançou e a lembrou com frieza: — Você pode ir embora, mas vai deixar suas músicas novas aqui.

Catherine virou a cabeça e encarou o rosto sério de Jordan. Ela engoliu a maldição que já tinha subido à boca.

— Você enlouqueceu? Por que eu deixaria minhas músicas pra ela?

— Você viveu com a gente por dois anos desde que te encontramos. Comida, roupas, tudo — e os recursos que a empresa te deu. Isso tudo custou dinheiro. Se quer cortar laços, vamos acertar as contas direito. Deixe as músicas novas para pagar sua dívida.

Jordan não queria dinheiro de verdade. Queria obrigá-la a ficar. O talento dela para compor era de primeira, e ele sabia exatamente quanto dinheiro ela tinha no bolso. Se fossem mesmo somar tudo, ela não conseguiria pagar.

— Tudo bem. Vamos calcular. — Catherine o encarou com calma. — Ao longo dos anos, a Harper pegou dez músicas minhas. Sem contrato. Eu posso contratar um advogado e processá-la por cinquenta por cento de toda a receita que essas músicas renderam.

Ela puxou o celular e abriu os rankings de música.

— Três ficaram em primeiro lugar por um ano inteiro. Cinco foram consideradas megasucessos. Cada uma teve milhões de reproduções. Jordan, com números assim... você sabe exatamente quanto a sua irmãzinha preciosa me deve, não sabe?

Jordan enrijeceu. Não esperava que ela trouxesse isso à tona.

Vendo que ele permanecia em silêncio, Catherine respondeu por ele:

— Nos anos em que estive com os Taylor, tirando comida e um teto sobre a cabeça, eu não peguei nada de vocês. A receita dessas músicas compraria esta mansão. Se a gente for mesmo acertar as contas, são vocês que deveriam estar me pagando.

Ela não tinha querido discutir isso antes. Só queria acabar logo com aquilo. Era desperdício de tempo e energia. Mas, já que Jordan insistia em calcular, então ela calcularia.

O rosto de Jordan escureceu.

— A Harper é sua irmã. Qual é o problema de escrever umas músicas pra ela? Você vai ficar mesquinhando por causa disso? Você é humana?

— E você é? — Catherine olhou para ele como se ele fosse um palhaço. — Foi você que começou a contar dinheiro comigo, lembra? Ou está com amnésia? Quer dizer que você pode intimidar os outros, mas ninguém pode revidar?

— Catherine! — Jordan parecia prestes a explodir.

— Estou te avisando. Se você continuar desobediente, vou anunciar que a família Taylor está te boicotando. Sem recursos, sem carreira. Você vai sair da indústria do entretenimento de vez.

— Tanto faz. — Catherine deu de ombros. — De qualquer jeito, nos últimos dois anos vocês não me conseguiram nenhum recurso que prestasse.

Ela foi embora sem olhar para trás. Não importava quem chamasse por ela; Catherine não parou.

— Ela está completamente fora de controle! — Marsha se jogou no sofá, arfando de raiva.

Wyatt deu tapinhas leves nas costas dela.

— Mãe, não se preocupa. Sem recursos nem contatos, ela não vai durar muito lá fora. Em poucos dias, vai voltar rastejando, pedindo perdão.

Jordan assentiu.

— E, quando voltar, a gente vai fazer ela aprender a lição.

Depois de sair, Catherine voltou para seu pequeno apartamento no centro da cidade. Ela o tinha comprado antes, com suas economias. Não era grande, mas tinha sido cenário de muitos momentos acolhedores.

Deixar os Taylor foi mais libertador do que ela esperava. Chega de ficar lendo o humor dos outros. Chega de se preocupar o tempo todo em ser odiada. Chega de massagear os ombros dos irmãos com febre enquanto eles chegavam tarde em casa, bêbados.

Agora, tudo o que ela fizesse só precisava deixá-la feliz. Isso bastava.

Ela estava deitada confortavelmente no sofá quando o celular vibrou. Olhou de lado. O nome de Stanley Rogers piscava na tela.

Um sorriso de deboche curvou seus lábios.

Stanley — o homem que ela amara por mais de dez anos. Antes de Catherine ser levada de volta para os Taylor, ela já estava com ele. Sempre achou que ele era a única pessoa que realmente a entendia. Estudavam juntos, cozinhavam juntos, passavam a noite inteira olhando as estrelas à beira do oceano imenso.

Até que, na vida passada, no instante antes de morrer, ela viu com clareza: seu noivo correndo na direção de outra mulher.

Agora que tinha uma segunda chance, não ia ser burra de novo.

Catherine apertou para atender. Seus olhos não mostravam nada.

— Alô.

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