REUNIÃO.

Bem na minha frente estava o Seth… com a secretária dele.

Os dois estavam meio despidos.

No instante em que me viram, se afastaram num salto, cada um para um lado.

Ela se atrapalhou toda para juntar as roupas, enquanto o Seth procurava desesperado a calça.

Eu senti o mundo inteiro congelar ao meu redor.

Tudo parou.

O ar.

Os sons.

O próprio tempo.

Minhas pernas fraquejaram, e eu lutei para continuar de pé.

—Meu amor, não é o que você está pensando. Eu posso explicar… por favor, deixa eu explicar.

Seth começou a vir na minha direção.

Só de olhar para ele, um nojo se revirou com força no meu estômago.

Eu me afastei.

Como ele pôde?

Como ele pôde fazer isso comigo?

—Como você pôde fazer isso comigo?

Minha voz saiu fraca… pequena… mal acima de um sussurro.

Meu corpo inteiro tremia violentamente, com o choque me atravessando.

—Alda, por favor, deixa eu explicar. Ela não significa nada pra mim. Quem eu amo é você. Você sabe que eu te amo, não sabe? Eu só estava me divertindo com ela, só isso.

As palavras dele me atingiram mais forte do que o que eu tinha acabado de ver.

Só estava se divertindo?

Eu encarei ele, sem acreditar.

Como ele podia dizer uma coisa dessas pra mim?

Como ele podia reduzir isso… nós… a algo tão sem importância?

De repente, eu senti que não conseguia respirar.

A dor no meu peito apertou, até parecer que ia me sufocar.

Eu precisava de ar.

Eu precisava de espaço.

Eu precisava ficar longe dele.

Longe daquela sala.

Longe dos restos estilhaçados de tudo o que eu achava que o meu casamento era.

Sem dizer mais nada, eu peguei minha bolsa e a marmita e fui direto para a porta.

—Alda, porra, me escuta!

A voz dele explodiu atrás de mim.

Eu congelei por um instante.

Ele… ele acabou de gritar comigo?

Uma parte de mim quis virar e jogar a comida na cara dele.

Mas eu não conseguia.

Eu simplesmente não conseguia.

Eu precisava ir embora.

A dor dentro de mim estava ficando insuportável.

Lágrimas quentes escorreram sem controle pelo meu rosto, e eu praticamente corri para fora do escritório dele, em direção ao elevador.

—Alda! Alda, para aí! Não sai andando enquanto eu estou falando com você!

Os gritos dele ecoaram pelo corredor atrás de mim.

Algumas cabeças se viraram.

Funcionários começaram a espiar das salas e das mesas, tentando entender de onde vinha aquela confusão.

A atenção só piorou a humilhação.

Eu me senti exposta.

Quebrada.

Humilhada.

E, de algum jeito… ele ainda vinha atrás de mim, como se eu fosse a errada.

Eu entrei no elevador às pressas e apertei imediatamente o botão do térreo.

Eu nunca imaginei que o Seth fosse me trair.

Nunca.

Eu nunca pensei que ele fosse capaz de me apunhalar desse jeito… e, ainda assim, ele tinha olhado bem nos meus olhos e dito que me amava.

Senti a pouca esperança que eu vinha, desesperadamente, tentando reconstruir dentro de mim se estilhaçar em um milhão de pedaços.

Um soluço escapou dos meus lábios antes que eu conseguisse impedir.

Levei a mão à boca depressa, tentando abafar o som.

No instante em que as portas do elevador se abriram, eu saí correndo.

Eu precisava me afastar daquele lugar.

Me afastar do Seth.

Me afastar daquela dor sufocante que esmagava o meu peito.

Eu não queria vê-lo de novo até conseguir pensar direito.

Eu estava tão perdida nos meus pensamentos que não percebi alguém vindo na minha direção, até esbarrar na pessoa e perder o equilíbrio.

Caí com força.

—Me desculpa... por favor, me perdoe —falei depressa, tentando me levantar do chão.

—Aqui, deixa eu te ajudar.

A voz dele era grave, firme... e, ainda assim, estranhamente agradável aos ouvidos.

Ergui o olhar e encontrei um par de olhos cinzentos me encarando de cima.

—Desculpa. Eu não quis esbarrar em você.

Pedi desculpas de novo e, na mesma hora, desviei o olhar.

Evitando encará-lo, agarrei minha bolsa e me apressei para fora do prédio da empresa.

Enxugando as lágrimas que marcavam minhas bochechas, caminhei sem rumo pela rua até encontrar uma cafeteria pequena.

Entrei e escolhi uma mesa mais afastada, fora do alcance dos olhares das pessoas.

—Senhora, posso te trazer alguma coisa?

A voz do atendente chegou até mim, mas eu não estava com vontade de falar com ninguém.

Apenas fiz um gesto para que ele me deixasse em paz.

Meu Deus... eu me sentia tão idiota.

Como eu pude ter confiado nele daquele jeito?

A imagem do Seth e da secretária dele naquele banheiro continuava se repetindo na minha cabeça, vez após vez, como um pesadelo cruel do qual eu não conseguia escapar.

Eu sentia que estava perdendo a sanidade.

Eu precisava falar com alguém.

Qualquer pessoa.

Antes que eu desmoronasse de vez.

Peguei o celular e disquei o número da Anna.

Foi direto para a caixa postal.

—Anna...

Minha voz falhou na mesma hora.

—Anna, eu estou realmente perdendo a cabeça. Por favor, me liga quando ouvir essa mensagem. Eu preciso falar com alguém... ou vou acabar fazendo alguma besteira.

Tentei, desesperadamente, segurar o choro enquanto encerrava a ligação.

Sentindo-me ainda mais despedaçada do que antes, me levantei e fui em direção ao banheiro.

POV do Xender

Fui pego de surpresa quando alguém, de repente, trombou em mim bem do lado de fora do elevador.

—Me desculpa... por favor, me perdoe —ela se desculpou, lutando para se levantar do chão.

—Aqui, deixa eu te ajudar.

Estendi a mão na direção dela.

Ela olhou para a minha mão por um instante, antes de finalmente erguer o olhar e encontrar o meu.

As lágrimas marcavam o rosto dela.

Os lindos olhos castanhos estavam cheios de tristeza.

Não uma tristeza comum.

Era o tipo de tristeza que parecia pesada... sufocante.

Como se o que quer que tivesse acontecido com ela tivesse drenado completamente a vida dela.

Ela parecia alguém que precisava desesperadamente de um tempo — de uma pausa de qualquer dor que estivesse carregando.

Mas, em vez de pegar na minha mão, ela desviou o olhar depressa, evitando encarar os meus olhos.

— Desculpa. Eu não queria esbarrar em você.

Ela se ergueu, pegou a bolsa e saiu apressada.

Eu a vi desaparecer.

Que diabos tinha deixado ela daquele jeito?

— Senhor, eu não consegui falar com o senhor Sebastian.

A voz da minha secretária me arrancou dos pensamentos quando ela se aproximou.

— É melhor ele não ficar me enrolando — resmunguei, gelado. — Ou vai se arrepender pelo resto da vida.

Eu estava furioso.

Como ele podia brincar com os meus negócios... e com os meus contatos?

— Senhor... isso aí é seu?

Rosa apontou para uma marmita caída no chão.

Eu nem tinha notado depois que a mulher de antes saiu correndo.

— Droga... isso é da moça que acabou de ir embora.

— Você quer dizer a moça do vestido azul? — Rosa ajeitou os óculos. — Eu vi ela correndo rua abaixo. Quer que eu vá atrás e entregue isso pra ela?

Eu não sei por que ela precisa ser tão irritante.

A culpa é do Charles.

Meu Deus, como eu sinto falta da Jane.

— Rosa, afinal, qual é exatamente o seu trabalho como minha secretária?

— Atender telefone, pedir material de escritório, registrar as atas das reuniões da empresa, supervisionar funcionários novos, agendar compromissos e muitas outras coisas — ela respondeu, ajeitando os óculos pela centésima vez, ou pelo menos parecia.

— E alguma dessas coisas envolve cuidar de achados e perdidos? — perguntei, sem conseguir esconder a irritação na voz.

— Não, senhor.

— Ótimo. Então entra lá e marque uma reunião pra mim com o senhor Sebastian.

— Sim, senhor.

Ela correu em direção ao elevador do jeito desengonçado de sempre.

Dois segundos depois, tropeçou.

De novo.

Eu vi os arquivos se espalharem pelo chão.

Maravilha.

Soltei um suspiro longo, frustrado, enquanto ela se atrapalhava tentando juntar os papéis espalhados.

Eu precisava mesmo que o Charles encontrasse uma secretária nova pra mim antes que a Rosa acabasse de vez com a minha sanidade.

Passei pela marmita e entrei no elevador, esperando a Rosa se juntar a mim.

Mas...

Eu não podia simplesmente deixar aquela marmita ali.

Droga.

Saí do elevador e fiquei ao lado dele, ponderando se pegava aquilo ou não.

Tenho certeza de que ela vai notar que está faltando e vai voltar pra buscar.

Eu me virei para ir embora.

Só que eu não conseguia tirar da cabeça a expressão daquela mulher.

Aqueles olhos castanhos tão tristes.

Aquele ar quebrado no rosto dela.

Com uma expiração irritada, eu voltei e peguei a marmita.

— Rosa, você consegue me dizer pra que lado a moça foi?

— Ela entrou numa cafeteria ali embaixo, na mesma rua — respondeu Rosa, depois de finalmente conseguir recolher a última folha de papel.

—Vá marcar a reunião com o sr. Sebastian. Eu volto em menos de quinze minutos.

—Sim, senhor.

—E, Rosa…

Ela travou.

—Não tropece de novo. Não faça meus arquivos saírem voando por aí de novo. E pare de ficar ajustando os óculos a cada cinco segundos. É irritante e distrai. Fui claro?

—Sim, senhor.

—Ótimo.

Peguei a marmita e saí à procura da dona.

Quando cheguei à cafeteria, fui com calma, varrendo o salão com os olhos, procurando por ela.

Nada.

Nenhum vestido azul.

Nenhum olhar castanho triste.

Nenhum sinal dela.

Caminhei até o balcão e resolvi perguntar pra atendente. Talvez ela tivesse visto alguma coisa útil.

—Senhor, o que vai querer?

Ela me recebeu com um sorriso insinuante, abaixando a blusa o suficiente pra mostrar mais decote.

Certo.

Isso nunca perde a graça.

Devolvi um meio sorriso, copiando aquele mesmo sorriso ridículo que ela estava me oferecendo.

—Na verdade, eu preciso perguntar uma coisa.

—O que você quiser, bonito —ela respondeu, passando a língua nos lábios e mordendo-os em seguida.

Eu quis dizer pra ela que aquilo não era uma maldita boate.

Se eu fosse o chefe dela, ela já teria sido demitida.

—Você viu uma mulher de vestido azul entrar aqui? Loira. Mais ou menos um metro e cinquenta.

Mesmo enquanto eu fazia a pergunta, ela parecia muito mais interessada em me encarar do que em ouvir de verdade.

Tá.

Isso tá ficando idiota.

Não acredito que eu larguei minha reunião pra procurar alguém que eu mal conheci por dez segundos.

—Deixa pra lá. Ela provavelmente não está aqui.

Eu me virei pra ir embora.

Então ela segurou a minha mão.

—Posso ter seu número? Você é totalmente meu tipo.

A voz dela saiu suave, mas eu ouvi cada palavra.

—Tá. —Eu me inclinei mais perto. —Chega aqui. Não quero que ninguém ouça isso.

O rosto dela se iluminou na hora, e ela se aproximou exatamente como eu pedi.

—Você devia aprender a focar no seu trabalho —eu sussurrei perto do ouvido dela. —Eu consigo, com facilidade, fazer você perder esse emprego se eu fizer uma denúncia contra você.

Afastei um pouco.

—E aproveita e fecha essa blusa. Você nem tem tanta coisa assim pra mostrar.

O choque no rosto dela foi imediato.

É.

Ela com certeza não esperava por essa.

Peguei a marmita e saí da cafeteria.

Eu realmente não acreditava que tinha atrasado minha reunião só pra devolver essa coisa.

Eu ia colocar exatamente no mesmo lugar onde encontrei.

Talvez a mulher eventualmente acabasse voltando pra pegar.

Fiquei do lado de fora da cafeteria, ponderando qual seria meu próximo passo.

De repente, alguém esbarrou em mim ao passar.

Eu quase me virei pra dar uma bronca, mandando prestar atenção por onde andava.

Mas quando eu virei—

Eu congelei.

Os mesmos olhos castanhos e tristes de antes me encaravam.

Eu encontrei ela.

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