Capítulo 3 CAPITULO 03

Maria Luiza narrando

Assim que ele entrou no quarto eu me joguei em cima da minha mãe pra protegê-la, ele ficou me olhando e olhava pra minha mãe e pra Leila, mas sempre voltava seu olhar pra mim, vi a porta se abrir e mais dois caras entrar e ficar do lado dele.

— E aí, qual vai ser? Vamos matar elas? — nessa hora o pânico tomou conta do meu corpo e misturou com a dor da surra e eu apaguei.

Acordei com uma luz forte no meu rosto, mal conseguia abrir os olhos, olhei pro lado e percebi que eu estava no hospital, olhei pro outro e vi a Leila sentada na cadeira e mais atrás no sofá, aquele cara gato sentado mexendo no celular, Leila levantou rapidamente assim que me viu acordada.

— Oh minha menina graças a Deus. — ela fala passando a mão nos meus cabelos.

— Leila, cadê a minha mãe? — pergunto preocupada com ela e olho pro cara gato.

— Ela tá no outro quarto meu amor, pode ficar tranquila que ela tá bem, só descansa tá bom. — olho pra ele que se vira e sai da sala sem dizer nada.

— Aonde estamos Leila, e quem é ele? — ela olha pra porta.

— Esse é o Chefin, ele é dono aqui do Alemão. — uma tensão se forma no meu corpo e o monitor mostra meus batimentos acelerados.

— Ai meu Deus Leila, será que ele vai nos matar? — eu pergunto.

— Acho que não meu amor, se não ele teria feito isso lá no PPG mesmo, se acalma que você não pode ficar nervosa. — ela fala e a porta é aberta, o médico entra e ele entra logo atrás.

— Olá mocinha, tudo bem? — concordo com a cabeça. — Bom, a senhorita levou uma bela surra, tá com duas costelas quebradas, fora as outras que a cicatrização foi feita de maneira errada, por isso a dor pra respirar, você vai precisar ficar de observação.

— A minha mãe. — eu falo e ele olha o prontuário.

— Sua mãe tá bem, ela tá bastante machucada pela surra que levou, e o bebê não resistiu. — olho pra ele assustada.

— A minha mãe tava grávida? — ele concorda, vejo o cara gato abaixar a cabeça e uma lágrima escorre no meu rosto. — Aí meu Deus, quando podemos sair daqui doutor?

— Vocês irão ficar aqui pelo menos 1 semana. — concordei e ele saiu da sala.

— Ai meu Deus Leila, e agora o que vamos fazer, não temos nada, eu não sei fazer nada.

— Se quiserem podem ficar aqui no morro e posso arrumar um trampo pra vcs, até porque já estão em dívida comigo, já tem a conta do hospital pra pagar.

— Isso é um castigo meu Deus, a gente se livra de um pra cair nas garras de outro. — eu falo já imaginando essa conta do hospital e olho pra ele.

— Deixa de ser mal agradecida caralho, eu não tenho obrigação nenhuma no barulho com vcs não, fui até bom com vcs, e livrei vcs do lixo do Lobão. — me assustou com o tom dele e me encolhi, Leila me abraçou pra me confortar.

— Me desculpa, eu não quis parecer mal agradecida, só que eu achei que agora eu ia poder ser livre e recomeçar com a minha mãe. — eu falo chorando.

— E vai, só que agora você tem uma dívida comigo, você pode trabalhar e pagar o meu dinheiro, ou pode trabalhar pra mim e eu abato a sua dívida, e já tenho até um trampo pra tu. — ele fala me olhando frio, até parece que vê através de mim. — Agora fala aí, por que o Lobão fez isso com vcs?

— Lobão era um monstro da pior espécie, já vai tarde aquele traste, elas não estavam lá por escolha, a Malu não é filha dele, e por isso ele a mantinha presa, porque aí podia controlar a mãe dela. — ele faz cara de surpreso.

— E cadê seu coroa? — ele pergunta de braços cruzados ainda afastado de nós.

— Eu não sei muito bem o que aconteceu, a minha mãe não podia me ver, e eu não podia sair do quarto, então era difícil a gente conversar, quando eu saía era isso o que acontecia. — eu falo mostrando os roxos pra ele.

— Entendi, vou ver um barraco pra vcs, vai querer o trampo?

— E o que eu teria que fazer?

— Levar umas encomendas pra mim nos outros morros, tu é nova e passa fácil com a mochila, vão pensar que tu é estudante.

— Então eu aceito. — eu falo pensando em me livrar logo dele. — Mas depois que eu quitar minha dívida estou livre né?

— Essa que é as ideia, se quiser continuar nas entregas depois disso, tudo o que ganhar vai ser seu já é, temos um acordo então? — concordo com a cabeça.

— Oh minha filha, tu não quer esperar a tua mãe acordar pra resolver isso. — nego.

— Não Leila, agora eu preciso cuidar da minha mãe e vai ser isso que eu vou fazer, ela já sofreu demais, e depois podemos abrir um restaurante por aqui, vcs duas cozinhando são ótimas.

— Já tenho até o barraco então pra vcs, ficar não é tão caro, acho que vai dar bom pra vcs, ah e eu sou o Chefin Malu. — ele fala piscando pra mim e sai do quarto.

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