Capítulo 3 3

Ellen

— O seu pai deseja vê-la no escritório, Senhorita Axel. — Um dos empregados disse, me fazendo bufar em contrariedade. Entretanto, apenas girei nos meus próprios calcanhares e me dirigi para o escritório da casa, encontrando uma inesperada reunião famiGracer.

— Mandou me chamar? — perguntei, observando os rostos sérios da minha mãe e da minha irmã, que me encaravam de um jeito estranho.

— Sente-se, querida. — Mamãe pediu e eu puxei uma cadeira, sentando-me ao lado da minha irmã gêmea.

— Aconteceu alguma coisa? — perguntei quando eles ainda me encaravam sérios.

— Está na hora de você contribuir com essa família de alguma maneira, filha.

Contribuir? O que isso quer dizer?

— Eu não entendi. — Fitei a minha mãe com curiosidade.

— Esse plano é realmente perfeito, mamãe! — Ruby cantarolou, abrindo um sorriso largo.

— Que plano? — Procurei saber.

— Ellen, filha eu preciso que faça algo muito, muito importante para a nossa família. — Papai sibilou, me encarando firme. Apenas meneei a cabeça em concordância.

— Faço o que for preciso por nossa família, papai?

Nunca diga tal coisa sem antes saber o que tem por trás das palavras do seu pai. É um conselho gratuito que dou para qualquer desavisado. Desperto quando o meu pai fica de pé e nos dar as costas para fitar o lado de fora da janela. O ato de levar as suas mãos para atrás do seu corpo me diz que o assunto é bem sério. Portanto, apenas prendo a respiração e o aguardo falar.

— Precisamos de um herdeiro para firmar os nossos laços com a família Hill e assim, teremos o poder de que preciso sobre essa cidade.

Definitivamente não entendi onde eu entro nessa história. Pensei me sentindo meio perdida.

— Ah, nesse caso deveria falar diretamente para a Ruby? — questiono o óbvio. — A final, ela é a esposa do Hill, certo?

— Esse é o problema, querida. — Papai volta a me fitar. — A Ruby não pode ter um filho agora. — Mamãe rebateu me deixando aturdida.

— Ela não pode? — Olho para a minha irmã que tem os olhos fixos nas mãos em seu colo. — Por que ela não pode ter um filho?

Observo os meus pais trocarem olhares e na sequência papai trinca o maxilar.

— Ellen, a sua irmã contraiu uma doença e por isso ela não poderá ter filhos por enquanto. — Franzo o cenho.

— Você contraiu uma doença? — rosno, ficando de pé. — Como assim, ela contraiu uma doença?

— Isso não importa, Ellen! — Papai rebate bruscamente.

— É claro que isso importa! — rebato o fitando com irritação e no ato, Ruby fica de pé, aproximando-se de mim, olhando bem dentro dos meus olhos.

— Você quer mesmo saber como isso aconteceu? — Ela rosna, parece irritada… comigo? E que culpa eu tenho disso?

— Ruby, não! — Mamãe a repreende.

— Eu tenho o direito de saber! — rujo, fazendo-a calar-se.

— Eu me deitei com outros homens e quer saber o porquê? Porque Collin Hill de Luxemburgo é um homem frio, calculista e sem alma. Ele é um verdadeiro ogro!

Meu coração disparou desordenado.

— E eu o odeio por isso!

— Cale a sua boca, Ruby! — Mamãe bradou, porém, ela sorriu para mim.

Definitivamente eu não reconheço essa Ruby em pé na minha frente. Quando ela se tornou essa pessoa vazia e sem pudor?

Balanço a cabeça para despertar desse estado de letargia e volto a encarar o meu pai.

— Ok, eu ainda não entendi por que estou aqui? O que vocês querem de mim? — indaguei nervosa.

— Eu preciso que se deite com o Hill de Luxemburgo, filha.

— O QUÊ? — gritei exasperada. — A caso o Senhor tem noção do que está me pedindo, papai? — interpelei agitada, mas ele apenas endureceu as suas feições.

— Como eu disse, precisamos de um herdeiro, Ellen e a sua irmã não pode nos dar isso no momento. Portanto, você fará isso por nós.

Arfei violentamente olhando de um para o outro.

Meneei a cabeça em um não.

— O Senhor não pode fazer isso comigo! — supliquei, sentindo a minha voz tremular com as lágrimas que começavam a se formar e um gosto amargo tomou conta do meu paladar. — Pai, por favor!

— Escute, Ellen, isso não é um pedido, é uma ordem. Você fará o que estou e não se fala mais nisso!

— Pai, eu nem o conheço, nunca sequer o vi na minha frente. Como farei isso com um desconhecido?

— Relaxe, irmãzinha, você terá a chance de conhecê-lo amanhã à noite. — Ruby ralha um tanto debochada. Contudo, contorno a mesa e vou para perto do meu pai.

— Pai, o Senhor não ver que isso é uma loucura?

— Calma, minha linda criança! — Mamãe diz se aproximando e leva as suas mãos para os meus ombros, fazendo-me fitá-la. — Não se preocupe, após o nascimento do bebê a Ruby assumirá o seu lugar de esposa na casa e você estará livre para fazer o que quiser.

As lágrimas escapam dos meus olhos e molham o meu rosto, porque eu bem sei, que não poderei escapar disso.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo