Capítulo 5 5

Ellen

Vamos recobrar a consciência pelo amor de Deus. Eu preciso me livrar dessa loucura e eles precisam cair na real. A droga toda é que entreguei a minha virgindade para um homem casado. Pior ainda, ele é o meu cunhado e eles parecem não se importar com isso. Do lado de fora da casa, me sento em um banco de concreto e admiro as belas flores do nosso jardim. Um toque suave no meu ombro me faz sorri, pois o perfume suave de flores, invadem as minhas narinas anunciando-me a pessoas atrás de mim.

— Ana! — sibilo, recebendo o seu abraço.

— Não sei como consegue! — Ela comenta, alargando o seu sorriso e se senta do meu lado. — Sabe onde estive na noite passada? — Faço não com a cabeça, voltando o meu olhar para as flores. — Na casa do Daniel. — Imediatamente o meu sorriso desaparece e eu respiro fundo, me sentindo a pior pessoa desse mundo. — Ele perguntou de você.

— Perguntou? — Meu coração dispara. — E, me fala como foi a festa ontem? — Mudo de assunto e ela percebe isso.

O que eu posso dizer? Daniel Carter é o que eu chamo de primeiro amor. Eu o conheci bem aqui na mansão Axel, brincando nesses jardins, enquanto a sua mãe, a Senhora Carter trabalhava na cozinha da casa dos meus pais. É claro que o Senhor e a Senhora Axel nunca souberam dos meus sentimentos por ele, e se depender de mim eles nunca saberão. É isso ou ele será expulso daqui junto com sua mãe. A final, uma Axel jamais se casaria com um homem pobre e sem estudos como ele.

É, a minha vida é uma grande droga!

— Você sabe o que eu penso dessas festas, não é?

— Ah, eu sei sim! — ralho e rimos. Ana Davis é uma das poucas pessoas que me conhece tão bem e eu posso dizer que até melhor do que os meus próprios pais. A verdade, é que se não fosse pela Ana com certeza eu seria sozinha nesse mundo e se não for um grande exagero da minha parte, posso ariscar dizer que ela é como se fosse a minha irmã, já que nos damos tão bem. — Amiga, hoje tem cinema ao ar livre na praça. Você vai, não é?

Respiro fundo e penso na minha sentença, digo, missão noturna.

— Não sei se consigo ir, Ana.

— O Daniel vai estar lá. — Ela ralha empolgada. Contudo, não tenho animo para pensar nele agora. Não depois do que fiz na cama com o meu cunhado e principalmente, não depois do que precisarei fazer até finalmente dar o tal herdeiro para ambas as famílias. Penso que a minha vida não é minha por agora e que um amor não tem espaço no meu coração.

— Vou ver o que faço, mas não prometo nada.

— Tudo bem! Eu tenho que ir, mas antes, preciso te entregar isso aqui. — Ela me lança um olhar cheio de brilho e um sorriso igualmente brilhante, abrindo a palma da mão, revelando um pedaço de papel dobrado. Curiosa, o pego da sua mão, porém, só abro após a garota sair correndo de dentro da propriedade.

“Quero te ver essa noite.”

“Daniel.”

Um nó sufoca a minha garganta depois de ler o bilhete. Entretanto, o amasso, mantendo-o preso entre os meus dedos e decido me esconder por trás dos arbustos para chorar. Quem sabe as lágrimas consiga arrancar toda essa angústia de dentro de mim? Uma hora depois, estou firme e forte outra vez, e resolvo entrar em casa.

— Onde você esteva todo esse tempo? — Mamãe indaga irritada, fazendo-me parar abruptamente no meio do cômodo.

— Eu… estava no jardim, por quê?

— Me diga que não estava com filho do jardineiro, Ellen?! — Ela resmunga mal-humorada e eu bufo em pensamentos.

Penso que se brincar, Daniel deve ter dez vezes mais dignidade do que todos os membros dessa família agora.

— Não se preocupe, eu não estava — respondo com um lamento.

— Entenda, filha, esse rapaz não é para você…

— Eu já sei disso, mãe, não precisa repetir! — ralho um tanto malcriada. — Posso ir para o meu quarto agora?

— O que você está escondendo aí? — Seus olhos hábeis fitam a minha mão fechada.

— Nada! — respondo agitada e levo a mão para atrás do meu corpo. Entretanto, Dona Grace Axel não mede distância em se aproximar de mim e confiscar o bilhete a força. Ela o lê por alguns míseros segundos e me encara duramente, rasgando o papel no mesmo instante.

— Sinto informar, Ellen, mas você não vai a nenhum lugar essa noite, a não para a cama do Senhor Collin Hill. Você se lembra que tem uma tarefa, não é?

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