Capítulo 4 Capítulo 4 Elise
Solto um último suspiro quando termino de me arrumar e posso dizer que amei o resultado!
O vestido caiu perfeitamente em mim e me deixou ainda mais animada. Com o salto preto de 15 cm, ficou top!
Quando comprei esse vestido, achei que não ia gostar muito, pensava que ficaria estranho. Mas, depois que provei, vi como ele valoriza minhas curvas. Me deixou belíssima e um tantinho tentadora! Retoco o batom, borrifo o perfume preferido e saio para encontrar Estela, que está jogada na minha cama. Acho que ela cansou de me esperar em pé… começo a rir sozinha com esse pensamento.
— E aí, como estou? — pergunto.
Ela abre um sorriso, deixando claro que aprovou o resultado.
— Você está linda! Hoje à noite promete! Ah, quase esqueço: Miguel acabou de me avisar que vai nos encontrar lá. Parece que um amigo dele chegou de viagem e também vai. — Ela fala animada.
— Faz dias que não vejo nem falo com o Miguel! Estou com saudade daquele ingrato! Mas já sabe, né? Venho embora cedo, e nada vai me fazer mudar de ideia! — aviso, enquanto ela sorri com aquele olhar que me diz que vai tentar me segurar lá o máximo possível.
Saímos do quarto e seguimos em direção à saída. Estela chama um carro pelo aplicativo já que nós duas vamos beber, não dá para arriscar dirigir.
E eu já imagino vocês perguntando:
“E amanhã, Elise, você não vai estar morta?”
Vou mesmo, viu: morta de ressaca! Por dentro, uma morta-viva; por fora, plena!
Ao passarmos pela sala, encontramos minhas irmãs com os maridos e meus pais, todos numa conversa animada. Mas, assim que me veem, param e ficam me olhando. Dá vontade de voltar correndo para o quarto, porque sei que hoje não vão me deixar em paz.
— Uau! Que arraso! — comenta Aysha, me fazendo sorrir.
— É hoje que eu ganho um genro! — diz minha mãe, um pouco alto, arrancando risadas de todos, menos do “senhor do drama”, também conhecido como meu pai.
— Onde a senhorita pensa que vai, Elise? — ele pergunta. Mas, antes que eu responda, minha mãe se adianta:
— Ela vai aproveitar a noite, beijar na boca! Deixa nossa filha se divertir, Eduardo! — Dona Maya fala, deixando meu pai sem graça.
— Eu ia dizer que vou à inauguração de uma boate com a Estela, mas a versão da mamãe é bem mais interessante! — brinco, arrancando risadas.
— Meninas, tomem cuidado. Qualquer coisa, liguem que vamos buscar vocês! — diz meu cunhado Ítalo, sempre protetor. Coitada da Lorena!
— Sanchez, a filha é minha. Eu mesmo a busco! — rebate meu pai.
— Parem, vocês dois. Vão, meninas! Eu dou cobertura. Se precisarem, liguem para mim ou para a Aysha. Acredito que somos as menos dramáticas desta família! — Ayla comenta, me fazendo rir enquanto todos resmungam. Estela, então, me puxa pela mão para sairmos logo de casa.
— Tchau, família! Boa noite, amo vocês! — digo antes de passar pela porta. Só ouvimos as risadas vindo de dentro. Às vezes esqueço o quanto minha família pode ser dramática!
— Devíamos ter saído pela cozinha, seria menos constrangedor! — Estela comenta rindo.
— Tenho que concordar! Mas cadê o carro? Já chegou? Porque, se ficarmos aqui, meu pai vai querer nos levar. E isso eu não quero! — falo, porque conheço muito bem o senhor Eduardo.
— Vamos, o carro já está na entrada do condomínio.
Seguimos para a portaria, rindo da cena constrangedora de instantes atrás. Logo estamos dentro do carro. Estela está falando com Miguel; eu aproveito para mexer no celular. Abro o Instagram e vejo um vídeo de uma apresentação das meninas que deu o que falar. Foi um sucesso!
Estela não pôde ir porque estava doente, e eu também acabei presa em compromissos de trabalho. Fico pensativa, quase hipnotizada pelo vídeo, até que Estela arranca meu celular da mão, me assustando.
— O que você pensa que está fazendo, sua louca? Me devolve o celular! — protesto, mas ela fica séria.
— Elise, hoje é para se divertir. Assim que você começou a assistir, seu rosto ficou triste. Não quero nada de bad, vibes hoje e alegria. Seu celular está oficialmente confiscado até segunda ordem! — avisa, me fazendo rir.
— Está bem, você tem razão! Pode não parecer, mas estou feliz de ir com você à inauguração. Quem sabe você não dá uma chance ao Kendreck? — digo, observando como o olhar dela muda. Consigo ler minha amiga como um livro aberto.
— Deixe de loucura! Já falei que eu e ele não temos nada em comum. Pare de criar romance onde não existe! Quem já viu eu ficar com o maior pegador da cidade? Só se for para ganhar uma coroa de chifres! — quando ela diz isso, caio na gargalhada, e até o motorista não consegue segurar o riso.
— Eu desisto de você! De onde você tira essas coisas, Estela? “Coroa de chifres”, sério? — digo, ainda rindo.
— Meu pai sempre me disse que sou a princesa dele, e que preciso encontrar um príncipe que me trate bem. Se eu me envolver com o Kendreck, vou virar a rainha cheia de chifres. E esse título eu não quero!
— Já pensou que, se desse uma chance, ele poderia mostrar quem realmente é? Não julgue um livro pela capa! — falo, tentando convencê-la.
— Falou a “expert” em homens! — rebate, me deixando um pouco irritada. Ela sabe que não tenho muita experiência!
— Pode não ser muita, mas pelo menos eu não saio julgando todo mundo. Pense nisso, Estela. Quem sabe esta noite você não muda de ideia?
— Veremos! — é tudo o que ela responde. Mas sei que minhas palavras ficaram na cabeça dela.
Quando chegamos à boate, quase não acredito: a fila dá volta no quarteirão!
Meu Deus, esse povo adora uma balada, até no meio da semana! Percebo que estava completamente errada quando disse que o lugar estaria vazio. Repreendo-me mentalmente.
Estela me olha, e eu finjo demência, indo direto para a entrada. Mas desanimo ao ver o tamanho da fila. Somos salvas, porém, pelo “rei da coroa de chifres”, o próprio Kendreck, o que me arranca um riso.
— Estela, Elise! — ele nos chama.
— Oi, Kendreck! Casa cheia, hein? — digo, e ele deixa um beijo rápido na minha bochecha. Na Estela, porém, dá dois beijos… bem demorados!
— Estou confiante. E você, Estela, como está? Faz tempo que não te vejo! — ele fala, e ela fica sem graça.
— Estou bem, obrigada pelas entradas. Muito trabalho… — responde, visivelmente tímida. Eu me mantenho quieta, mas, ah, vou tirar minhas dúvidas depois!
Ele abre caminho para entrarmos, coloca nossas pulseirinhas e seguimos para dentro. A boate está fervendo! Fico impressionada com o design: quem vê por fora não imagina como é incrível por dentro.
Há cabines misteriosas que despertam minha curiosidade, um palco com dançarinas e pole dance. Fico animada.
— Aproveitem a noite! — Kendreck diz, antes de sair. Mas, antes, deixa um beijo no canto da boca da Estela. Eu sorrio de canto: essa noite promete!
— Elise, pode parar com esses pensamentos! — Estela avisa, me arrancando mais risadas.
— Vamos tomar um drink. Está tudo incrível, eu amei! — digo, fascinada, enquanto peço algo no bar.
Seguimos para uma área vip. Não que eu não goste de ficar no meio do público, mas prefiro observar o ambiente primeiro. A final, inauguração pode ter de tudo!
Chegamos ao segundo piso e a vista é ainda mais estonteante. Há cabines suspensas e um jogo de luzes incrível. Uma mulher dança em uma cabines; fico hipnotizada. A forma como ela se move me encanta. Olho para Estela, mas ela está distraída com um rapaz que não para de encará-la.
— Estela, olha que incrível! — digo, apontando.
— Nossa! Perfeito! Deve ser maravilhoso dançar ali sem ninguém reconhecer. — A resposta dela me dá uma ideia: será que Kendreck se importaria se eu tentasse dançar ali também?
Não consigo tirar os olhos da cabine até a música acabar e a dançarina desaparecer. Só consigo ver sua silhueta, nunca o rosto.
— Estela, será que, se eu pedir, o Kendreck me deixa dançar em uma daquelas cabines? — pergunto. Ela quase se engasga com a bebida.
— Nem pense nisso, Elise! Alguém pode te reconhecer. Você ficou maluca?
— Qual é, Estela, deixa de ser careta! Fiquei observando e não dava para ver o rosto dela, só a silhueta. Vamos falar com o Kendreck! — insisto, e ela não parece muito empolgada.
Olho ao redor e vejo Kendreck conversando com dois seguranças. Puxo Estela (contra a vontade dela) e vou até ele. Ele se assusta com minha pressa.
— Aconteceu algo, meninas? — pergunta.
— Não, é que eu quero falar com você é rápido. — digo. Ele dispensa os seguranças e nos guia até o terceiro piso, entrando em um escritório organizado, com um janelão para a pista. O som não chega lá dentro.
— Aqui podemos conversar tranquilos. No que posso ajudar? — pergunta, olhando para Estela, que fica vermelha.
— Kendreck, você tem algum coreógrafo aqui? — pergunto.
— Por quê, Elise? — ele questiona, desconfiado.
— Achei incrível a forma como as bailarinas dançam. Queria falar com ele. Por favorzinho? — peço, fazendo minha melhor cara de pidona.
— Temos, sim. O nome dele é Leo. Esperem aqui, vou chamá-lo. — Ele sai, nos deixando sozinhas.
— Elise, isso pode ser perigoso. E se alguém te reconhecer? — Estela fala, preocupada.
— Relaxa! Acho que ninguém vai me reconhecer. Eu preciso disso! — digo, ainda fascinada pelas cabines.
Logo, Kendreck volta acompanhado de um homem simpático.
— Elise, Estela, este é o Leo, nosso coreógrafo. — apresenta. — Meninas, fiquem à vontade, preciso resolver algo. — Ele se retira.
— Oi, Leo! Desculpa chamar você assim, mas preciso perguntar algo. E peço sua discrição. — falo, sorrindo.
— Pode falar. Sou um túmulo! — ele garante, me animando.
— As cabines… quem está fora consegue reconhecer quem dança lá dentro? — pergunto, curiosa.
— Não. Elas foram projetadas para mostrar apenas a silhueta de quem dança, mantendo a identidade protegida. A ideia é deixar o ambiente mais instigante.
— Então, se eu quisesse dançar nelas, ninguém saberia que sou eu, certo? — confirmo.
— Certo. Mas… você quer uma vaga de dançarina? — ele pergunta, surpreso.
— Não exatamente. Só quero dançar, mas mantendo minha privacidade. Nem mesmo o Kendreck pode saber.
— Tecnicamente, eu deveria contar a ele. Mas… acho que podemos guardar esse segredinho, desde que você use um figurino e uma máscara. Assim, não corre risco de ser reconhecida. Estou adorando essa ideia! — confessa, empolgado.
— Elise, acho melhor não. Isso não vai acabar bem! — Estela protesta.
— Deixa de drama, Estela. É só uma dança! Melhor na cabine do que no meio da pista, onde sempre aparece algum engraçadinho achando que pode me agarrar.
— É verdade… teremos menos problemas. — Ela suspira, rendida.
— Você não é menor de idade, né? — Leo pergunta, cauteloso.
— Claro que não! A preocupação da minha amiga é outra: ela teme que alguém me reconheça. Alguns homens podem ser um pé no saco.
— Tem razão. Então vamos? Estou curioso para ver você dançar! — ele diz, animado.
Quando estamos saindo, Kendreck aparece de repente, nos assustando. É sempre assim: quando fazemos algo escondido, tudo vira motivo de susto!
— Já estão de saída? — ele pergunta, confuso.
— Sim, o Leo vai me mostrar os bastidores da boate! — respondo, sem graça saindo e quando olho.
Ele, porém, não tira os olhos de Estela, segurando-a pela cintura enquanto conversam.
Ela fica vermelha, sem saber onde enfiar a cara.
— O que rola entre esses dois? — Leo cochicha para mim.
— Que eu saiba, nada… — respondo, embora meus olhos vejam outra coisa.
— O clima entre eles está pegando fogo! — Leo comenta, me arrancando uma gargalhada que eu estava tentando segurar.
Saímos para o corredor, deixando-os mais à vontade.
Estela vai me matar!
Tento conter o riso, mas está quase impossível e Leo está do mesmo jeito.
