Capítulo 6 Capítulo 6 Elise
Depois do momento constrangedor no corredor, vendo minha prima derretida nos braços de Kendreck, a atração entre os dois era gritante!
Estela voltou desconfiada, me encarando, e eu tentando me controlar, ou ela iria embora no mesmo instante. Mas agora eu tinha um propósito e iria até o fim.
Leo começou a explicar cada ponto de acesso das salas e cabines. Seguimos primeiro para a sala onde ele disse estarem os figurinos, assim eu poderia trocar de roupa e colocar uma máscara para proteger minha identidade. Quando entramos, fiquei de boca aberta: um espelho tomava toda a parede lateral, do teto ao chão. Na hora, lembrei-me do balé impossível esquecer. Leo foi até um armário embutido, abriu-o e revelou uma infinidade de figurinos. Os olhos de Estela brilharam ao ver aquilo… imagine os meus!
Eu estava em choque diante de tantos figurinos lindos. Leo começou a separar alguns para mim, enquanto eu e Estela continuávamos olhando. De repente, ele soltou um gritinho animado, chamando nossa atenção. Ele segurava um macaquinho minúsculo, preto, com pedrinhas que refletiam a luz.
— Achei! Esse vai ficar perfeito em você, Elise! — disse, empolgado. Eu olhei para a peça, tentando entender como aquilo caberia no meu corpo.
— Tem certeza, Leo? É muito pequeno! — retruquei, trazendo-o à realidade.
— Não vai caber nem uma perna da Elise nessa roupa! — Estela comentou, e nós caímos na risada.
— Bobinhas! Esse tecido é maleável, veste bem em qualquer corpo. Vai ser perfeito para você, Elise. Vá ali e experimente, enquanto eu escolho uma máscara que combine. — Ele me entregou a peça. Olhei para Estela, que apenas deu de ombros, e segui para a salinha mais reservada. Comecei a tirar meu vestido, ainda sem acreditar que aquilo caberia em mim. Mas ele sabia o que estava fazendo… quem era eu para contrariar?
Pendurei o vestido no cabide, junto com minha bolsinha, e comecei a me vestir. Para minha surpresa, o macaquinho realmente ficou ótimo! Ajustei-o no corpo: era tão confortável que parecia uma segunda pele. A parte do decote valorizava meus seios, me deixando ainda mais confiante. Antes de sair, prendi o cabelo em um coque com trança, já que tinha chegado com ele solto. Quando voltei, Leo e Estela me encararam espantados.
— E então, o que acharam? — perguntei, me virando em frente ao espelho. O figurino modelava minhas curvas, deixando meu bumbum ainda mais empinado.
— Parece que foi feito sob medida para você, Eli! — disse Estela, me fazendo rir.
— Eu falei que seria perfeito! Você está parecendo uma pérola de tão linda! — Leo completou, entregando-me uma máscara preta decorada com pequenas pérolas.
— Eu amei! Ficou perfeito, não aperta e é superconfortável! — falei, já colocando a máscara. Nem se eu tivesse planejado, encontraria um figurino que combinasse tanto comigo.
— Tenho que concordar, você ficou maravilhosa! — disse Estela, os olhos brilhando.
— Agora precisamos encontrar um nome para você, assim ninguém descobrirá sua identidade. Mas teremos que contar ao Kendreck; não posso esconder nada dele — lembrou Leo, sensato.
— Por mim tudo bem. O que acha, Estela? Será que ele vai guardar esse segredinho? — perguntei.
— Vou dar um jeito! Mesmo não apoiando completamente essa sua loucura, não deixarei nada te impedir de dançar de novo! — respondeu, me abraçando.
— Obrigada, Ella! Te amo, sabia? — falei, enquanto Leo ria.
— Já sei seu nome artístico: Pérola da Noite! — ele disse, impressionando-me.
— Gostei… Pérola da Noite — repeti em voz alta.
— Combinou com você e com o que está fazendo, Eli. Preparada para dançar? — Estela perguntou. Um friozinho percorreu minha barriga.
— Acho que sim… agora bateu até um nervoso! — confessei.
— Elise, digo, Pérola — Você vai se sair bem. Apenas dance, deixe a música conduzir seu corpo e sua alma! — disse Leo, me enchendo de confiança.
— Obrigada pelo apoio, Leo! Ella, me deseja sorte! — pedi.
— Pérola da Noite, quebre a perna! — Estela brincou. Dei alguns pulinhos antes de Leo me entregar um sobretudo.
Ele trancou a sala e me conduziu até uma cabine. Quando chegamos, dois seguranças apareceram ao lado de Kendreck, que parou e me encarou diretamente. Ele me reconheceu.
— Elise? Por que está vestida assim? — perguntou, surpreso.
— Precisamos conversar, Kendreck, mas antes quero que um dos seus seguranças acompanhe Leo e a Pérola até uma cabine e não deixe ninguém chegar perto dela! — disse Estela, sem repetir meu nome, deixando claro para ele manter segredo. Kendreck assimilou a mensagem.
— Roberto, Alan, acompanhem a dançarina e Leo. Não deixem ninguém se aproximar, ou terão problemas — ordenou.
— Sim, chefe! — responderam os seguranças.
— Eli, vá. Eu te espero na área VIP. Não demore, apenas seja você mesma e extravase tudo! — Estela me abraçou e saiu com Kendreck.
Leo abriu a porta da cabine, e um segurança ficou de costas, protegendo-me. A adrenalina percorreu meu corpo. Respirei fundo, deixei o sobretudo no cabide e entrei.
— Divirta-se, querida! Estarei lá fora. Arrase, Pérola da Noite! — disse Leo, fechando a porta.
Olhei rapidamente para a pista lotada, mas foquei na parede à frente para não sentir vergonha. Respirei fundo e deixei a música guiar meus movimentos. Cada batida parecia feita para mim. Dancei sem perceber o tempo passar, até meu corpo reclamar após tanto esforço. Decidi encerrar e saí da cabine revigorada, ainda sentindo a adrenalina. Vesti o sobretudo. Ao abrir a porta, os seguranças estavam no mesmo lugar. Leo saiu da cabine ao lado.
— Você foi incrível! Onde aprendeu a dançar assim? — ele perguntou, me guiando de volta à sala.
— Fui, por muito tempo, uma das melhores bailarinas. Sempre amei dançar, mas precisei me dedicar a outras coisas — expliquei.
— Você dança muito bem! Vá se trocar, depois quero te fazer uma proposta — disse, destravando a sala.
Troquei de roupa, soltando o coque e a trança. O figurino havia me transformado. Entreguei-o, junto com a máscara, a Leo.
— Obrigada por tudo, Leo. Você não imagina o quanto isso significou para mim! — agradeci.
— Imagino, sim. Pelo jeito que dançou, seu corpo falou por você. Acertei no apelido: Pérola da Noite! Você foi única, Elise. Pense bem na minha proposta: dançar aqui uma vez por semana. Posso falar com Kendreck, tenho certeza de que ele apoiaria — sugeriu.
— Agradeço, mas preciso pensar. Não faço isso por dinheiro, e sim porque precisava extravasar. Mas vou considerar!
Leo sorriu.
— Sabe onde me encontrar! — Ele me abraçou, e eu segui para a área VIP, escoltada pelos seguranças.
Estela me recebeu com um sorriso enorme. Abracei-a forte.
— Obrigada, Ella, por tudo! Depois me conta o que está rolando entre você e o Kendreck! — provoquei.
— Você foi incrível, Eli, estava linda! Parecia a velha Elise. — Ela mudou o assunto, evitando minha curiosidade, quando o barman trouxe drinks.
— Vamos brindar a você! — disse, me fazendo sorrir.
— A nós! — respondi, brindando.
— Eu também quero brindar! — ouvimos Miguel, que acabara de chegar.
— Miguelito! — grito, me jogando em seus braços. Fazia tanto tempo que não o via! — Que saudade de você, Eli! Você está linda! — ele diz, me soltando para abraçar a Estela.
Esses apelidos vêm da época em que éramos mais novos: o meu, de Elise, virou Eli; o da Estela virou Ella; e o do Miguel… fui eu quem inventou Miguelito! Mesmo ele reclamando que não gostava, eu continuo chamando assim.
— Estava com muita saudade do meu Miguelito lindo! — falo, e ele fica visivelmente sem graça com meu tom alto demais.
— Também estava com saudade! Quase não conseguimos entrar, a casa está lotada! Kendreck, como sempre, tirando onda. A boate está top! — diz, empolgado. — Ah, deixa eu te contar com quem acabei encontrando hoje... o Bernardo!
Quando me viro, levo um susto com tamanha beleza. Ele está lindo e enorme! Ombros largos, tatuagens aparecendo sob a camisa... Fiquei até sem ar. Nem parece o mesmo menino nerd que só pensava em videogame quando éramos mais novos.
— Bernardo, lembra das meninas? Estela, minha irmã! E Elise, minha priminha! — diz Miguel, e eu travo. Priminha?! Odeio quando ele fala isso, me sinto uma criança! Tá bom, eu sei que não cresci muito, mas meus 1,56 cm valem, principalmente com meu salto de 15 cm. Simples: pequena, mas poderosa!
— É bom rever vocês, meninas! — diz Bernardo, indo até Estela e deixando um beijo em sua bochecha, antes de abraçá-la. Até ela parece não acreditar que esse é o mesmo Bê nerd com quem brincávamos na infância.
Ele então vem até mim. Fico na ponta dos pés para cumprimentá-lo.
— Você está ainda mais linda, Elise — ele diz, me deixando sem graça.
Me recomponho, sorrindo, e retribuo o gesto com um beijo na bochecha dele, seguido de um abraço. Me perco por um instante naquele abraço — ele está enorme!
— Obrigada... e você está um gatinho! — respondo, e ele sorri de canto, claramente gostando do elogio.
— Miguel! Quanto tempo! — Kendreck chega falando com ele, mas Miguel não tira os olhos do Bernardo. Eu e a Ella trocamos olhares — ela parece estar lendo meus pensamentos.
Caramba, o Bê está muito diferente!
Deu até um calor só de abraçar ele!
— Kendreck, parabéns, cara! A casa está incrível! — diz Miguel, animado. — Esse aqui é o Bernardo, um grande amigo meu. Bernardo, esse é o Kendreck, dono das casas mais badaladas da cidade.
— Parabéns, cara. Está da hora mesmo. — Bê o cumprimenta.
— Peraí… — Kendreck o encara. — Eu tô te reconhecendo… você não é o Tyler?
Bernardo fica visivelmente sem graça, e eu e Estela nos olhamos, sem entender nada. Admito: sou meio lenta pra pegar fofoca no ar!
— Não, aqui é só o Bernardo. — ele responde, um pouco mais sério. O clima fica tenso por alguns segundos, até que Kendreck muda o foco.
— Estela, você esqueceu sua bolsa no meu escritório! — diz, entregando a bolsinha dela, que fica completamente sem graça, enquanto Miguel o encara desconfiado.
— Eu disse que você tinha deixado lá, na sala do Kendreck, quando fomos ver os bastidores da boate, Estela! — tento ajudar, improvisando. Ela me olha, entende o recado e entra no jogo.
— É, você me deixou tão atordoada com suas curiosidades que acabei esquecendo mesmo! Obrigada, Kendreck! — disfarça, rindo, enquanto Miguel observa tudo com aquele olhar de “sei que estão mentindo”. O ruim de ter um amigo que nos conhece bem demais é esse! Mas não custa tentar, né?
— Fiquem à vontade, é por conta da casa! Foi ótimo te rever, Miguel. Espero te ver mais vezes por aqui.
E foi um prazer conhecer você, Bernardo! — diz Kendreck, antes de se afastar para falar com um segurança. Percebendo o clima meio estranho, resolvo intervir:
— Obrigada, Kendreck! Você é top! Já que é por conta da casa, vamos brindar ao sucesso da boate! — digo, chamando a atenção de todos. Cada um pega o copo de drink. — Um brinde à amizade! — levanto o meu, e todos me acompanham.
Depois do brinde, Kendreck se despede e sai.
— E aí, qual foi o milagre que a minha irmã fez pra te tirar de casa? — Miguel brinca.
— Há, há! Engraçadinho! Mas posso dizer que sua irmã, às vezes, é muito chata… embora eu não viva sem ela! — respondo, rindo, deixando o clima mais leve.
— Você não imagina o mico que tive que aturar hoje dos homens dramáticos da família da Eli! — Estela diz, provocando. Como se os da parte dela fossem menos ciumentos!
— Você se casou? Tão nova? — Bernardo nos interrompe, curioso, me olhando de um jeito que me deixa um pouco sem ar.
— Não! — rio. — Os dramáticos da minha família são meu pai e meu cunhado Ítalo. Acho que você deve lembrar dele. O menos dramático, por enquanto, é o Alex! — explico, lembrando do casamento duplo das minhas irmãs.
— Ah, lembro sim! O pai da Lorena, né? — ele sorri. — Por um momento, pensei que você tivesse se casado.
— Nem pensar! Estou correndo de qualquer tipo de relacionamento. — sou sincera, rindo. — Não tenho tempo pra nada! Mas, por dentro, penso: talvez eu abrisse uma exceção pra ele… Bernardo está irresistível, e meu olhar insiste em voltar para ele.
— E você, Bê? Não se casou? Nenhuma noiva, namorada… nada? — Estela pergunta, e eu agradeço mentalmente. Amo a Ella!
— Não. Ainda não encontrei a mulher certa. — ele responde, e olha diretamente pra mim. Fico sem reação. Talvez esteja imaginando demais… mas que seria interessante, ah, seria!
Agora, só consigo pensar em como ele deve ser sem camisa. Se os braços já são assim, imagina o resto? Engulo seco e tento parar de pensar besteira.
— E você, Miguel? Nenhuma namorada, noiva? — pergunto, divertida. Ele faz careta. — O que foi? Vai saber! Faz tempo que não te vejo… Vai que, em alguma noitada dessas, você bebeu todas e acordou noivo ou casado por aí! — brinco, e todos caem na risada.
— Só você com essas besteiras, Eli! — ele diz, rindo. — Continuo solteiro e disponível na pista! — comenta, olhando para a pista de dança, onde algumas meninas já o devoram com os olhos.
— Que tal irmos dançar um pouco? — pergunto, empolgada. Estela me encara, e eu apenas sorrio — ela entende.
— Por mim, tudo bem. — diz Bernardo, me deixando ainda mais animada.
— Então vamos! — Estela concorda.
Miguel vai na frente, abrindo caminho. Estela o segue, e eu vou atrás dela deixando Bernardo logo atrás de mim.
Isso não vai dar certo!
Nem quero pe
nsar em como vou acordar amanhã pra trabalhar. Minha mente que lute pra lidar com a ressaca!
