Capítulo 3 O don acredita que pode comprar tudo

O dedo acusador estava apontado para ela; as duas mãos presas sobre a cabeça pareciam um maldito déjà vu. Giulia praguejou mentalmente a própria falta de sorte. Aquele homem a encarava como se a odiasse, mas a chama em suas pupilas revelava que ele apreciava cada detalhe do que via. Sem perder tempo, Leoni deslizou os dedos rosnados pela pele macia e delicada do rosto dela.

— Você é muito atrevida, senhorita!

Ela quase perdeu o fôlego com a proximidade avassaladora. Era uma maldição ser encurralada duas vezes em tão pouco tempo, mas a firmeza do corpo musculoso e quente colado ao seu fazia cada fibra de seu ser reagir involuntariamente. A forma dominadora como ele a devorava com o olhar deixava as pernas da jovem trêmulas.

— Você deveria tomar cuidado com o que fala... e com a forma como toca nas mulheres — rebateu ela, mantendo o queixo erguido. — Eu posso muito bem ser alguém com quem você não deveria se meter.

Ao fundo, o rapaz soltou uma gargalhada sonora que ressoou sozinha pelo beco sombrio. Leoni Messina não desviou os olhos frios e penetrantes da mulher à sua frente por um segundo sequer. Com uma autoridade natural, envolveu delicadamente o pescoço dela com a mão grande, aproximando o rosto para aspirar o aroma adocicado de frutas e lavanda que emanava de sua pele macia.

— Você deveria seguir o próprio conselho — sussurrou ele, a voz como um rosnado grave. — Tem noção de quem são as pessoas que frequentam estas ruas?

Giulia se esquivou levemente, confusa diante do arrepio que percorreu sua espinha, embora soubesse exatamente do que ele estava falando.

— Claro que sei. E você? Sabe que não deveria estar aqui a esta hora?

Leoni olhou por cima do ombro para o irmão, que ostentava um sorriso largo e divertido.

— Você ouviu isso, Lucca? A mocinha não quer que nós dois frequentemos mais isto aqui. — O canto dos lábios de Leoni se ergueu numa promessa sombria de sorriso, que se desfez antes de se concretizar. Ele voltou sua atenção para Giulia, a aproximação ficando perigosamente íntima. — Você ainda não entendeu, boneca... Isto aqui é meu. Esta rua é minha. Esta cidade inteira me pertence... inclusive você!

A respiração dela travou quando sentiu os lábios dele roçarem seus cabelos escuros. O gesto tinha uma posse que a assustava tanto quanto a fascinava. A voz dele baixou para um tom aveludado e perigoso.

— Eu não sou de ninguém! — disparou ela, o peito subindo e descendo com força. — Você não é dono de nada. É apenas mais um rico arrogante desta cidade que acha que manda nas pessoas, mas deixe-me te contar uma coisa: você não manda em nada, e não manda em mim. Eu não tenho dono.

Leoni sorriu, visivelmente satisfeito com a audácia. Era exatamente aquele espírito selvagem que atiçava seus instintos mais dominantes.

— Engano seu, senhorita... Como é mesmo o seu nome? Acho que não ouvi.

— Não ouviu porque eu não disse. E não acho que seja do seu interesse!

As pupilas dele se dilataram, os olhos azuis parecendo quase negros sob a iluminação fraca do beco. Por um instante, Giulia acreditou que ele a agrediria, mas manteve a postura inabalável.

— Meu nome é... — começou ele.

— Eu não perguntei!

Leoni finalmente soltou uma risada baixa, um som denso e carregado de uma doçura enganosa, enquanto os olhos mantinham aquela maldade explícita e magnética. Ele olhou brevemente para trás, onde o irmão permanecia encostado na parede suja.

— Você faz programa aqui? — provocou ele, varrendo o corpo dela com o olhar.

— O quê?! — Giulia se alarmou, a indignação queimando em seu peito.

— Eu não costumo ficar com mulheres assim — murmurou Leoni, encurtando ainda mais o espaço entre eles até colar seus corpos. Ele segurou uma de suas longas mechas escuras, aspirando o cheiro suave com avidez. — Mas devo admitir que você é... perfeita. Eu seria um idiota se perdesse uma mulher como você agora.

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