Capítulo 4 O don pretende se vingar
— Eu não sou prostituta!
— Tenho certeza de que posso fazer você mudar de ideia — sussurrou ele, a voz rascante roçando os lábios dela.
— Eu não sou esse tipo de mulher que você costuma usar. Procure outra companhia!
— Você tem uma língua muito afiada, senhorita.
— Você ainda não viu nada!
— Tenho certeza de que você pode me mostrar... só precisa ficar de joelhos agora.
A fúria da garota explodiu no mesmo instante em que o homem atrás deles passou a rir como um imbecil. Impulsionada pelo orgulho e pela raiva sufocante, Giulia não conseguiu conter as mãos. A Palma de sua mão estalou contra o rosto esculpido e másculo de Leoni. O impacto parecia ter atingido uma rocha sólida; a cabeça dele mal se moveu, e Giulia soube que havia cometido um erro grave, embora recusasse qualquer sinal de recuo.
— Não se atreva a dizer uma coisa dessas para mim novamente!
— Ou o quê? — provocou Leoni, direcionando um olhar calmo e entediado. O tapa mal pareceu afetá-lo, apenas atiçou a fera dentro dele.
— Ou eu vou fazer você se arrepender amargamente.
Leoni riu como se aquela fosse a melhor das piadas. Ele avançou com determinação, prensando a massa musculosa do seu corpo contra a dela de forma brutal e sensual. Giulia sentiu cada centímetro da ereção rígida e imponente marcando o tecido da calça social do terno caro dele direto contra sua virilha. Os olhos dele a perfuravam com uma fome devastadora, prometendo exatamente o que desejava fazer entre quatro paredes. Em um movimento rápido, ele segurou os pulsos dela acima da cabeça, prendendo-a firme contra a parede imunda.
Giulia arregalou os olhos, sentindo o pânico e um desejo inconfessável colidirem dentro do peito. O calor do corpo dele era avassalador, e ela temeu que ele pudesse ouvir o coração traidor que disparava a cada milímetro de contato com aquele homem esculpido como um deus grego.
Ela abriu a boca para gritar, mas foi sumariamente contida por um beijo ardente, feroz e faminto. Leoni tomou sua boca com autoridade, a língua quente invadindo e explorando cada canto com uma possessividade brutal. Ele a segurou pelas laterais do rosto, aprofundando o contato até que os suspiros de Giulia se misturassem aos dele em um ritmo insano.
— Você gosta de me desafiar, não é, porra? — rosnou Leoni contra os lábios dela, a voz grave e trêmula de tesão enquanto pressionava o quadril com força contra o dela. — Essa sua boca gostosa foi feita para se submeter a mim... Sinta o quanto você me deixa duro só de encarar esses seus olhos atrevidos. Eu vou te desmanchar inteira nesta parede se você continuar me provocando.
Giulia sentiu a mente entrar em curto-circuito diante do beijo devasso e das palavras imundas sussurradas com tanta firmeza. Por um segundo, seu corpo traidor amoleceu e pareceu prestes a retribuir o fervor daquele homem descontrolado. Mas o orgulho dos Rossi falou mais alto. Em um impulso desesperado de autopreservação, ela reuniu toda a sua força e desferiu uma joelhada certeira e impiedosa direto entre as pernas dele.
O impacto atingiu em cheio. Leoni soltou um gemido grave e abafado, soltando-a imediatamente ao levar as mãos à região atingida, curvando-se como um homem ferido mortalmente onde mais lhe doía a virilidade.
Giulia não hesitou por um milésimo de segundo. Desprendeu-se do muro e disparou a correr o mais rápido que suas pernas permitiam. O pavor tomava conta de seus passos e a visão quase borrava pela adrenalina pura. Na fuga desesperada, ela sequer percebeu que Lucca chegou a sacar a arma para disparar contra suas costas, sendo impedido no último instante pela mão firme de Leoni, que segurou o pulso do irmão.
— Deixe-a ir embora! — rosnou Leoni entre dentes, arfando de dor, mas mantendo os olhos fixos na silhueta que se distanciava. — Eu vou pegar você, puta... Eu vou te achar e vou acabar com você.
Mesmo quase sem fôlego, Giulia conseguiu alcançar a fachada iluminada do orfanato que costumava frequentar nos fins de semana. Encostou-se na porta de entrada, fechando os olhos e pressionando as mãos contra o peito dolorido pelo ritmo frenético do coração, jurando a si mesma que nunca mais cometeria a loucura de andar desprotegida por aquele território.
