Capítulo 5 Messina pretende procurar a jovem aonde quer que ela se esconda
Leoni Messina ainda continuava ali, curvado e rosnando de dor enquanto segurava as partes íntimas. A gargalhada irritante do irmão ao fundo só deixava seu ódio ainda maior.
— Eu vou acabar com aquela desgraçada — rosnou ele, com a voz falhada.
— E o que você queria? — Lucca debochou, tentando em vão segurar o riso. — A garota ficou assustada com a sua abordagem "sutil".
— Certo, mas cala a boca e para de rir. Essa porcaria dói!
Lucca tentou se controlar, mas a risada saía tão fácil quanto respirar.
— Olha só... o homem que aguenta todo tipo de tortura dobrado pelo chute de uma garotinha que encontrou no beco.
Leoni lançou um olhar mortal para ele.
— Quando eu me recuperar disso, juro que vou te deixar largado neste chão se não parar com essa merda agora!
Lucca ergueu as mãos em sinal de rendição, mas os lábios continuavam contorcidos em um riso abafado.
— Da próxima vez que gostar de uma garota, tenta não deixar a coitada apavorada desse jeito. A próxima pode acabar arrancando o seu amigo fora...
— Do que você está falando? — Leoni finalmente se endireitou, ajeitando o terno.
— Eu vi o jeito que você olhou para ela. Conheço você muito bem para saber que gostou da mulher.
Leoni olhou para ele com desprezo.
— E daí? Ela é bonita e eu fiquei atraído. Isso é tudo.
— Mas essa garota tem fibra... — Lucca encarou o irmão. — É melhor tomar cuidado. Você sabe que...
— Eu sei muito bem quais são as minhas obrigações! — interrompeu Leoni, gélido. — Agora chega dessa conversa de merda e vamos resolver o que viemos fazer aqui.
— Sim, chefe!
— E Lucca... da próxima vez que apontar uma arma, que seja para um criminoso. Você sabe que eu odeio injustiças.
— Desculpe. Não queria ameaçar a garota que você pode, quem sabe um dia, amar.
— Eu não amo ninguém — respondeu Leoni, com a voz fria. — Eu apenas me divirto com elas e depois as deixo ir, se tiverem sorte.
— Admita, você gostou dela.
— Eu preciso encontrar essa mulher de novo.
Lucca sorriu, vitorioso.
— Eu sabia!
— Para ensinar uma lição a ela — completou Leoni, com o olhar fixo e dominador.
— Sei...
Leoni o encarou com impaciência.
— Você tem sorte de ser meu irmão. Qualquer outro no seu lugar e eu já teria perdido a paciência faz tempo.
— Bom, morto eu ainda não estou.
— Essa é outra merda que eu preciso resolver. Não se preocupe!
— E não é a única...
Leoni desconfiou no mesmo instante.
— O que você quer dizer com isso?
— Sabe aquilo que você disse para eu não fazer?
— O que tem?
— Acho que me empolguei um pouco...
— Lucca Messina, que merda você fez?
— Uma festa! Mas coisa simples... Só para os nossos homens mais próximos.
Leoni tentou manter o controle, apertando o próprio punho com toda a força. A única coisa que traria algum alívio seria ver sangue, mas as unhas cravadas na pele teriam que servir por enquanto.
— Você está me dizendo que fez exatamente o que eu mandei não fazer?
— Olha, eu sei que você fica irritado, mas...
— Irritado? — Leoni deu um passo à frente. — Eu só não te mato, Lucca, porque você é meu irmão. Mas não pense que eu sou fraco. Não faça mais nada pelas minhas costas!
— Eu só achei que você deveria ser apresentado. Agora você é o dono de tudo isso e...
Leoni ajeitou o terno caro, tentando recuperar a paciência que quase tinha sumido por completo.
— Dessa vez passa.
— Você não está irritado?
— É melhor não perguntar isso agora.
— Certo... — Lucca recuou.
— Cadê a beldade...? — O viciado no chão começou a resmungar, acordando tonto por causa do golpe.
Se ele ainda tinha algum dente dentro da boca, perdeu tudo no momento em que o punho fechado de Leoni atingiu o seu rosto com violência. O mafioso sentiu o sangue ferver e descarregou a fúria sem piedade, até o homem chorar como um covarde.
— Mande tirarem esse lixo daqui! — ordenou Leoni, limpando as mãos.
— E o que eu faço com ele? — perguntou Lucca.
— Isso não é problema meu! Só faça esse verme sumir. Ele não vai fazer falta para ninguém.
— Vou ligar para alguém e te encontro lá.
— Cuide disso pessoalmente!
— Eu sei, eu sei... Você está chateado, mas eu preciso estar lá. Aquele traidor merece uma lição e eu adoro a ação.
— Eu não preciso de você lá. Você vai ficar e resolver isso.
— Está me punindo?
— Se eu quisesse te punir, não seria tão fácil.
Sem dar espaço para discussão, Leoni seguiu seu caminho a passos firmes, ajeitando a adaga escondida no terno.
Dois dias depois, ele desceu do carro blindado na frente de uma festa luxuosa, como se não estivesse violando a lei a todo momento. Ele deu a volta no veículo e abriu a porta para a mulher que o acompanhava naquela noite.
— Fique onde eu possa te achar — disse ele, frio.
— Sim, senhor — ela abaixou a cabeça e seguiu sem ele, ansiosa para conversar com as amigas.
Leoni revirou os olhos assim que entrou no salão. A presença das pessoas o incomodava, e a quantidade de gente deixava tudo ainda pior. Lucca tentou disfarçar assim que o viu, sabendo que não escaparia da fúria do mafioso por muito tempo.
Depois de um discurso curto e direto, o novo capo desceu do púlpito e se isolou entre os seus soldados. Tudo ali parecia entediante e, por algum motivo, a garota do beco não saía da sua cabeça.
— Fiquem aqui — ordenou ele aos homens.
Sem fazer perguntas, todos obedeceram sem hesitar.
Leoni debruçou-se na varanda e observou o jardim iluminado. Lá embaixo, viu um anjo de vestido amarelo e costas nuas, tão atraente que o fez imaginar a sensação de deslizar os dedos por aquela pele macia.
Mas o coração dele quase parou.
Era ela. A garota problemática que ele tinha procurado sem parar por longas vinte e quatro horas, até decidir que seria melhor não encontrá-la mais.
