Capítulo 6 Devemos nos divorciar?

O coração de Harper afundou. Finalmente, ele tinha chegado ao ponto.

Ela não conseguiu evitar o tremor que percorreu seu corpo; as unhas se cravaram nas palmas das mãos, provocando uma dor aguda.

— O quê? — tentou bancar a indiferente, fingindo que não fazia ideia do que ele estava falando.

Alex franziu a testa com força, os olhos fixos nas duas vias do divórcio.

— Por que você ainda não assinou isso?

Ela sabia que não tinha como escapar; isso ia acontecer de qualquer jeito.

Por dentro, Harper forçou um sorriso amargo, mas manteve a voz firme:

— Eu assino agora.

Ela se sentou de novo, pegou os papéis e rapidamente rabiscou o nome em um deles.

Harper Orsini, um nome tão bonito, agora lhe parecia um tapa na cara.

Ela sabia que, depois que assinasse, ela e Alex estariam realmente acabados. Cada um seguiria o próprio caminho, buscando a própria paz.

Só de pensar em cortar totalmente os laços com Alex, o coração dela parecia se despedaçar.

A caneta em sua mão pesava como chumbo. Mas, por fora, ela continuava tão calma quanto sempre.

Era isso que ele queria e, por mais que doesse, ela daria a ele o que ele desejava.

Harper fechou os dedos em volta da caneta e, com dificuldade, assinou o nome na outra via.

— Pronto, está tudo assinado. — Ela estendeu os papéis do divórcio para ele.

Alex os pegou, ainda com o cenho profundamente franzido.

Ele ficou encarando os documentos por um bom tempo, até dizer:

— Esse é o acordo antigo? A compensação é muito baixa.

Olhou para ela com um ar de pena.

— Você foi minha esposa por cinco anos, não posso te passar a perna. Vou pedir pro advogado fazer outro com uma compensação maior.

Harper achou aquilo quase engraçado; se ele realmente tivesse pena dela, não estaria se divorciando.

Ela não tinha se casado com a família Lavien por dinheiro.

Em cinco anos, ele já deveria saber que o que ela tinha dado valia mais do que qualquer compensação.

Ela ergueu o rosto e encontrou o olhar dele. Se um olhar pudesse segurar alguém, ela desejava que o dela fosse capaz de mantê-lo ali.

Harper perguntou:

— A gente precisa mesmo se divorciar? Eu não quero compensação nenhuma.

Pela última vez, ela engoliu o orgulho, tentando segurá-lo.

Ao ver aqueles olhos cheios de carinho e tristeza, Alex soube que ela o amava.

Se não amasse profundamente, não teria entrado pro Grupo Lavien logo depois de se formar, trabalhando seis anos recebendo o menor salário.

Ela era uma garota de família rica, uma aluna brilhante, cheia de qualidades. Mas, por amá-lo tanto, tinha aceitado tudo isso sem hesitar.

Mesmo depois de casar com a família Lavien, ela cuidou dele nos mínimos detalhes, se ocupando pessoalmente de tudo.

Todo mundo que sabia do casamento dos dois admirava Harper, invejando Alex por ter uma esposa tão boa.

Alex sabia de tudo isso, mas simplesmente não gostava.

Ele não gostava daquele casamento, não gostava de Harper, que lhe fora imposta pela família, e desprezava as sujeiras de Harper, que tinham destruído a promessa que ele fizera a Emily.

Desde o início do casamento, ele sempre tinha sido frio com Harper, sem se importar com nada que dissesse respeito a ela.

— Você devia entender que esse casamento foi um erro desde o começo. A gente precisa corrigir isso enquanto é tempo. Harper, você já não é mais uma criança; devia assumir a responsabilidade pelo erro que cometeu lá atrás.

A voz dele era gelada, o tom impaciente, e o olhar transbordava cansaço.

Harper se sentiu verdadeiramente ridícula. Por que é que ainda tentava segurá-lo? Por que insistir em um homem que não a amava e que ainda por cima a olhava com nojo? Em que momento ela tinha se tornado alguém tão sem orgulho e sem limites?

Alex empurrou os papéis do divórcio de volta pela mesa, com um tom ainda mais firme:

— A gente vai se divorciar, e esses documentos têm que ficar assinados. Não tem discussão.

Harper sentiu o coração afundar.

Nesses cinco anos de casamento, eles moraram juntos, compartilharam a intimidade, e tudo o que ela recebeu em troca foram os comentários frios e indiferentes dele. Ele não tinha nenhuma relutância, nenhum apego; a única relutante e apegada era ela. Durante todo o casamento, só ela ficou presa em ilusões, só ela se iludiu sozinha, a ponto de perder a própria dignidade.

Ela era a única atuando, sem um protagonista masculino. Talvez tivesse chegado a hora de sair de cena.

Ao pensar nisso, a expressão de Harper foi se acalmando.

— Nesse caso, vou aguardar notícias suas.

— Tá bom, eu te aviso o quanto antes — Alex respondeu.

— Certo — disse Harper.

A conversa dos dois não tinha qualquer emoção.

Harper se preparou para se levantar e ir embora de novo.

— Como está o projeto com o Grupo Elikin? — de repente, ele puxou assunto de trabalho.

— Tem alguns probleminhas, mas eu já negociei com o Caden. Deve andar em breve — respondeu Harper, confiante.

Ela sempre foi dedicada e responsável com as questões da empresa.

Sempre que Alex perguntava, ela conseguia dar uma resposta precisa.

Alex assentiu e conversou mais um pouco com ela sobre assuntos de trabalho.

No que dizia respeito à capacidade profissional, Harper nunca o tinha decepcionado, sempre conseguia responder com segurança e fluidez. Mesmo alguém tão exigente quanto Alex não conseguia achar defeitos, e o olhar dele revelava apreço e satisfação. Talvez Harper não pudesse ser a esposa dele, mas sempre seria sua chefe de gabinete.

Sem que eles percebessem, o tempo passou rápido, e já tinha passado da meia-noite.

O lustre de cristal da sala brilhava, criando uma atmosfera harmoniosa e aconchegante.

Se não fossem os dois acordos de divórcio embaixo da mesa, Harper realmente teria apreciado o calor daquele momento.

Enquanto estivesse com ele, ela se sentia satisfeita.

Por fim, ele terminou de falar sobre trabalho. Esfregou os olhos cansados e parecia exausto.

Harper percebia com clareza que ele estava cansado.

— Já está tarde, eu vou embora agora e amanhã te dou um retorno — disse ela, num tom profissional, tentando aliviar um pouco o peso sobre ele.

— A mansão tem muitos quartos, você pode passar a noite aqui — disse Alex.

Soava como se ela fosse apenas uma convidada ali.

Alex continuou:

— Ah, sobre a compensação do divórcio, se você tiver qualquer pedido, é só falar. Não vou deixar você sair perdendo.

Harper respondeu com calma:

— Eu não tenho nenhum pedido especial.

Alex franziu a testa. Depois de pensar um pouco, disse:

— Esta mansão vai ser sua, junto com os outros imóveis em outras cidades. Isso deve te satisfazer.

O tom dele parecia o de alguém discutindo um negócio. Será que o casamento deles era só um acordo comercial?

Depois de entregar alguns imóveis para ela, ele achava que não devia mais nada.

Harper olhou para a mansão à sua frente. Aquele era o lar do casal, onde eles tinham passado cinco anos juntos, cheio de lembranças.

Sinceramente, ela não queria abrir mão daquela casa. Pensou por um instante que, se ele viesse a se casar de novo, não iria morar ali mesmo assim.

— Eu só quero esta mansão, mais nada — a voz dela estava tão fria quanto o vento da noite.

Alex estava prestes a dizer alguma coisa quando o celular dele tocou.

Instintivamente, Harper olhou as horas: 00h30.

A única pessoa que ligaria para Alex naquele horário era Emily. Ele atendeu o telefone.

Como eles estavam perto, Harper pôde ouvir claramente a voz de Emily do outro lado da linha.

— Alex, o aniversário do seu avô não está chegando? Eu quero ir com você — a voz dela era suave. — Seu avô, naturalmente, é meu avô também; eu quero prestar a minha homenagem.

O motivo era nobre, impossível de recusar.

— Entendi, vou pensar. Já está tarde, dorme um pouco. Não fica virando a noite.

Então Alex desligou.

Em todos os anos de casamento, ele nunca tinha sido tão atencioso com Harper. Nunca se importou com a hora em que ela dormia ou com quando ela comia.

— Se ela for, eu não vou — disse Harper friamente.

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