Capítulo 3 Capítulo 1 - parte 2
Caleb
O dia hoje foi bem cansativo, aliás, os últimos dias têm sido assim, minha vida está um completo caos. Na empresa, é reunião atrás de reunião, estou sobrecarregado, para completar, ainda tem meus filhos, não é fácil ser pai solteiro, muita responsabilidade, não os culpo por nada, mas é complicado.
Após a última reunião do dia, vou até minha sala, organizo minha mesa, pego minha maleta e sigo para o estacionamento. Entro no carro e retiro o terno, afrouxando a gravata, ao fim do dia o que mais anseio é chegar em casa e descansar, se bem que depois dos meus filhos, isso é quase impossível.
Dou partida no carro, pegando a estrada, indo para a casa da minha irmã, ela cuida dos meus filhos durante o dia, porque não confio em outra pessoa para isso. Paro em frente ao prédio, apertando o botão para travar o carro e sigo para seu apartamento. Toco a campainha e sem demora sou atendido pela Laura.
— Oi, maninho. — me cumprimenta ainda na porta.
— Oi, Laura. — faz menção para que eu entre.
— Que cara de bun.da é essa? — minha irmã e sua boca suja.
— Estou cansado, Laura. — caminhamos até meus bebês, que estão dormindo feito anjos, no berço.
Então sentamos um pouco no sofá, aproveito para relaxar.
— Como estão as coisas na empresa?
— Uma loucura, mas eu aguento. — permaneço sério.
— Sabe... Falei com a Lorena hoje. — respiro fundo ao ouvir esse nome.
— Isso não me interessa, Laura. Sabe disso.
— Porque não liga para ela?
— É sério que vamos entrar nesse assunto outra vez? — arqueio as sobrancelhas.
— Sim, é sério e você vai me ouvir. — fala autoritária.
Massageio as têmporas impaciente, porque estou cansado demais para ouvi-la, mas também não quero ser grosso com ela.
— O que há com vocês dois? Nunca sequer conversaram sobre o que aconteceu.
— O que queria que eu conversasse com ela, Laura? Me diz. A Lorena foi embora sem mais, nem menos, fiquei aqui como um pateta, não sei onde está, nem tenho notícias dela, faz anos.
— Se o problema é esse, ela está na Itália.
— Não, não me importa onde a Lorena está, menos ainda o que tem feito. Tenho vivido muito bem sem ela e assim, irei permanecer. — acabo soando mais irritado do que pretendia.
— Deixa de ser cabeça dura uma vez na vida, Caleb! — Laura também levanta a voz.
— Já chega, Laura! — ao falar isso, ouvimos o choro dos meus filhos, certamente se assustaram com nossa discussão.
Rapidamente, vamos até o quarto, onde eles ficam quando estão na casa da tia.
— Calma, meus amores. — Laura tenta acalmá-los e eles param de chorar somente em ouvir o som de sua voz.
Acho incrível essa conexão que eles tem, é inexplicável. Já eu, desde que minha esposa faleceu, não consigo me conectar com meus próprios filhos, é como se eles me lembrassem o tempo todo da mãe deles. Sinto como se fosse tudo culpa minha.
Colocamos eles no carrinho, e vamos até à porta do apartamento.
— Tchau, meus amores. A titia ama vocês. — dá um beijo na bochecha de cada um deles, que sorriem.
— Até amanhã, Laura. — me despeço dela.
— Até, maninho. E por favor, pensa sobre o que falei... — alisa meu rosto — Só quero que seja feliz, quero ver novamente um sorriso nesse rosto, que desde a morte da Mia, não o vejo. — sorrio sem mostrar os dentes.
Sempre fomos assim, podemos brigar, mas jamais deixamos de ser um pelo outro, nos amamos demais.
— Eu sei, maninha. Não se preocupa, estou bem assim.
Laura fecha a porta e vou até o elevador, para sair do prédio. Coloco meus filhos na cadeirinha, dentro do carro, verifico se o cinto está bem seguro, guardo o carrinho no porta-malas e entro no carro, indo para casa.
No caminho, confesso que pensei bastante sobre o que conversamos, mesmo tentando não pensar na Lorena.
Graças a Deus, o trânsito estava tranquilo, dessa forma, não demoramos a chegar em casa. Saio do carro, tiro o carrinho do porta-malas, pego meus bebês que voltaram a dormir durante a viagem, colocando-os no carrinho e entro no luxuoso prédio em minha frente, indo para minha cobertura. Benefícios de ser dono de uma grande empresa de administração.
Já em meu apartamento, vou direto para o quarto dos meus filhos, coloco-os no berço, faço um breve carinho na cabeça dos dois, ligo o abajur e saio.
Direciono-me ao meu quarto, indo para o banheiro, permito que a água morna relaxe meu corpo, levando todos os pensamentos negativos embora. É assim desde que minha esposa se foi. Não tenho mais vida, não sorrio mais, nem forças para cuidar dos nossos filhos, eu tenho tido.
Saio do banheiro com a toalha enrolada na cintura, indo até o closet, visto-me somente com uma cueca e calça moletom. Sento na cama e abro a pequena gaveta da mesinha ao lado, pegando um porta-retrato, onde tinha uma foto, nela estávamos eu, a Lorena e a Laura, tempo muito bom. Isso me faz recordar de cada momento que passei ao lado da Lorena, meu primeiro amor, fomos tão felizes, mas acabou repentinamente, sem ao menos nos dar tempo para despedidas ou explicações, o que restou foi apenas o ressentimento e o rancor.
Atualmente me pergunto se realmente foi amor ou apenas uma paixão explosiva, porque é bem difícil acreditar que tenha acabado dessa forma. Respiro fundo e guardo o porta-retrato na gaveta, fechando-a em seguida.
