Capítulo 4 Capítulo 2 - parte 1
Lorena
Enquanto estou terminando de me arrumar para receber o Kevin, ouço o som da campainha soar, verifico as horas em meu celular e noto que demorei mais que pretendia, até porque não costumo me arrumar quando estamos em casa. Eu e o Kevin, estamos nessa há alguns anos, então já nos acostumamos um com o outro, hoje em dia temos mais uma amizade colorida, que outra coisa.
Vou até à porta, dando de cara com um homem lindíssimo e sorridente me esperando.
— Para quê tudo isso? — me refiro a ele estar todo arrumado.
— Tenho que estar bem na fita para minha gata — reviro os olhos e lhe dou passagem para entrar — A propósito, você tá linda. — me dá um selinho, após colocar a caixa de pizza e a garrafa de vinho em cima do balcão da cozinha.
— Obrigada, mas não fiz nada demais.
De fato não me arrumei, coloquei um vestido solto, de alcinha e prendi o cabelo num ra.bo de cavalo alto.
— Você é linda, Lô. Mesmo se estivesse vestida num saco de batatas, ainda assim, continuaria sendo linda. — sorrio, balançando a cabeça em negação.
— Essa cantada realmente funciona?
— Tá funcionando? — pergunta com um sorriso sapeca.
— Definitivamente não. Vem, vamos para a sala. — puxo seu braço de leve.
— Já escolheu o filme?
— O que acha?
— Não sei porque ainda pergunto. — senta no sofá.
— Como se fosse fácil achar um filme que você goste, eu amo terror e você não assiste porque tem medo, parece uma mocinha. — Kevin crispa os olhos para mim.
— Claro, olha os filmes que você gosta, Annabelle, Constantine, cara. Se eu quisesse ver exorcismo, ia numa igreja.
— Lembro bem da última vez — me jogo ao seu lado no sofá — Pensei que você fosse chorar como uma menininha. — rio, tendo lembranças desse dia.
— Tá, tá — estala a língua na boca — O que veremos? — pega o controle da minha mão.
— Só porque estou boazinha hoje, deixarei você escolher.
— Eu agradeço. — aperto os lábios, tentando conter a vontade de rir.
— Otária. — solto uma gargalhada.
Kevin vira de frente para a televisão, entrando no aplicativo da Netflix.
— Achei! — só faltou gritar, apontando o tal filme escolhido.
— Sério, Kevin? A culpa é das estrelas?!
— Quê? Eu sou um romântico nato, você já deveria saber disso.
— O problema não é ser um filme romântico, mas sim, o fato de sempre que nos reunimos, você escolhe esse filme. — bufo e ele ri.
— Se o filme é bom. — dá de ombros.
— Escolhe outro ou nada de filme. — ele bufa, insatisfeito.
— Tá!
Só vejo a tela da minha enorme smart tv deslizando para baixo e nada de ele escolher um filme, quando já estava perdendo a paciência, finalmente o Kevin acha.
— Agora sim! — diz cheio de empolgação — E nem diga que não vai assistir, porque nunca assistimos juntos esse.
Ele escolheu o filme como eu era antes de você.
— Sempre quis assistir com você, então essa é a nossa oportunidade. Que tal? — arqueia as sobrancelhas, provavelmente esperando que eu negue.
— Vai ser esse mesmo, porque já perdi a paciência.
— Assim é que se fala. — pisca para mim e dá play no filme.
A medida que passa a apresentação, aquela coisa chata de início de filme, vou até à cozinha pegar a pizza, o vinho e fazer uma pipoca. É, eu sei, uma bailarina não deveria comer tanto, mas às vezes, só às vezes — sempre que estou com o Kevin — enfio o pé na jaca. Depois é só malhar um pouco e pronto.
Retorno para a sala de estar, levando tudo que fiz, coloco sobre a mesinha de centro e sento ao lado dele.
Kevin estava bastante concentrado durante todo o filme, e devo ser sincera que algumas cenas, melhor dizendo, quase o filme todo me fez lembrar do meu relacionamento com o Caleb, pessoa essa que tento esquecer há anos, sem sucesso. Ao final do filme, Kevin está chorando e minha vontade é de rir, apesar de ter sido bem emocionante, porém, devido aos fatos da minha vida, meu passado, não costumo me emocionar tão facilmente com essas coisas.
— Eu nunca vou aceitar o final desse filme. — comenta, limpando as lágrimas.
— Só me diz uma coisa, Kevin... — ele olha para mim — Quantas vezes você já assistiu esse filme?
Pensa por alguns instantes.
— Contando com essa, são cinco — dou risada — Ah confessa vai, o filme é bom.
— De fato é...
— Mas? — Kevin é uma das pessoas que mais bem me conhece nessa vida.
Respiro fundo.
— É só que, já não acredito no amor, faz um bom tempo. — ele me olha nos olhos intensamente.
— O que aconteceu em seu passado, que te deixou assim? Você nunca me contou com detalhes. — cruzo as pernas em cima do sofá, estilo borboleta, sentando de forma mais relaxada.
— É complicado, Kevin. — coloco vinho na minha taça.
— Ei! Antes de tudo, somos amigos — alisa meu rosto — Sabe que pode me contar o que quiser, não é? — assinto com um menear de cabeça.
— Tudo bem. Já se passaram dez anos, desde que tudo aconteceu. — faço uma pausa, porque ainda dói lembrar. Kevin percebendo, sente empatia.
