Capítulo 6 Capítulo 3 - parte 1
Caleb
Acordo com um barulho de choro, choro esse que ecoa por toda a casa, e olha que minha casa é enorme. Levanto da cama atordoado, passo a mão nos olhos para tentar me situar, pego meu celular na mesinha ao lado da cama e vejo que são três horas da madrugada, fui dormir meia-noite, ou seja, não dormi quase nada.
Respiro fundo, mesmo sendo cansativo, sei que preciso ir até meus filhos. Calço a sandália e saio do quarto, me direcionando ao quarto deles, logo ao lado do meu.
Eles continuam chorando.
— Calma, meus amores. Papai tá aqui. — tento balança-los no berço mesmo, para acalmá-los, porém, sem sucesso, permanecem chorando muito.
Pego os dois no colo, não é fácil equilibrá-los, mas acabei pegando o jeito. Aninho-os em meu corpo, porém, o choro permanece.
— O que vocês tem, hein? — começo a ficar preocupado.
Continuo me mexendo, balançando-os, mas nada de conseguir acalmá-los.
— Shii! Calma, papai tá aqui.
O desespero ameaça bater, no entanto, sei que preciso manter a calma. Tenho a ideia de tentar alimentá-los, talvez estejam com fome, então coloco eles no carrinho duplo, saio do quarto, desço a escada, indo para a cozinha, preparar o leite. Como estão chorando bastante ainda, faço tudo de forma bem rápida e sem largar o carrinho, estou desesperado.
Após o leite estar pronto, tento alimentá-los, mas não consigo, eles rejeitam.
— Se não estão com fome, o que querem? — passo a mão nos cabelos, sem saber o que fazer, o choro deles aumenta cada vez mais.
Diante da situação em que me encontro, não vejo outra saída, senão, ligar para minha irmã, pela ligação que tem com eles, certamente saberá o que fazer. Mas já imagino que ficará pu.ta comigo, por eu estar ligando a essa hora.
Lembro que deixei a por.ra do celular no quarto, corro até lá como em uma maratona e retorno para perto deles, disco seu número, que chama em seguida.
— Caleb? — sua voz está bem sonolenta.
— Desculpa te ligar a essa hora, Laura. Mas não tive alternativa, estou ficando aflito já. — nesse momento, eles berram de tanto chorar, acredito que ela ouviu.
— O que está acontecendo, Caleb? São meus sobrinhos? — percebo Laura mais acesa agora.
— Sim. Eles não param de chorar, não sei mais o que fazer, já tentei dar de comer, porém, nem isso funcionou. — minha outra mão livre, está em minha cabeça.
— Calma, respira. Estou indo para aí. — ouço uma voz mais longe, ela devia estar com alguém e eu atrapalhei.
— Volte a dormir. — ela responde, porém, não faço ideia de quem seja.
— Tem alguém aí?
— Sim, mas não se preocupe, já chego aí.
— Obrigado, Laura.
Enquanto espero minha irmã chegar, fico tentando acalmá-los, andando de um lado a outro, até que dez minutos depois a campainha soa e vou atender.
— Como eles estão? — Laura não me dá tempo para falar nada, vai entrando em meu apartamento.
— Do mesmo jeito, não pararam de chorar um segundo sequer. — caminhamos até eles.
— Oi, amores da tia — acaricia os dois, que pela primeira vez não se acalma ao ouvir a voz dela — Tentou trocar a fralda? — olha para mim.
— Droga! Não lembrei disso. — me sinto frustrado.
— Já era de se imaginar. — responde, indo para trás do carrinho, os levando de volta para o quarto e eu sigo logo atrás deles.
— Definitivamente não sirvo para ser pai, sou um desastre.
— Não fale assim, você é um bom pai, só precisa se atentar mais as necessidades deles e deixar mais as suas de lado. — entramos no quarto.
— Quem me dera conseguir essa proeza...
Observo minha irmã fazendo tudo com maestria, com tanta habilidade e delicadeza, e apesar de meus bebês terem se acalmado mais, ainda permanecem chorando.
— Estranho, eles já deveriam ter parado de chorar. Isso só pode ser uma coisa... — entorta a cabeça, parecendo pensativa.
— O quê?
— Cólica. Temos que levá-los ao médico o mais rápido possível. Se for isso, não saberemos como resolver.
— Porque não pensei nisso antes? Sou um péssimo pai. — pego o celular para falar com o pediatra.
— Para com isso, Caleb. — diz impaciente.
Coloco o celular no ouvido.
— Doutor?
— Quem está falando?
— É o Caleb Johnson.
— Ah sim! Olá, senhor Johnson.
— Desculpe estar ligando a essa hora, mas preciso de você urgentemente, meus filhos não param de chorar e minha irmã acha que estão com cólica.
— Tudo bem, senhor Johnson. Não precisa se preocupar, isso é muito comum na idade deles, faça uma compressa de água morna, colocando sobre a barriguinha deles, isso costuma aliviar. Caso não melhore, pode me ligar novamente, que irei até você. — suspiro, sentindo-me aliviado.
— Muito obrigado, doutor. Você me salvou, nem sei como te agradecer.
— Disponha. Até mais e qualquer coisa, pode me ligar.
Encerro a ligação, guardando o celular no bolso da calça moletom.
— Então? — Laura pergunta, com as sobrancelhas arqueadas.
