Capítulo 10 10
Kevin
— Quem está aqui? — lanço-lhe um olhar incisivo e seus olhos se arregalam para mim. — A Lilian Alcântara está aqui?! — exclama, indo até a parede de vidro para procurá-la entre a multidão.
— O que eu faço, Ricardo? Em alguns minutos irei subir naquele palco para apresentar o jogo.
— Qual o problema? — ele retruca com desdém. — Sobe lá e mostra que você é o dono da porra toda, cara. Mostre pra essa mulher que você não abaixou a cabeça.
— E você acha que eu não pensei nisso?
Respiro fundo.
— Mas sinto que as palavras vão fugir da minha garganta. E eu… merda, eu fiquei apavorado só de senti-la assim, tão perto.
Esvazio a garrafa.
— Uma mistura insana de raiva e… de amor. Acredita nisso? Eu ainda a amo, Rick, e sinto raiva de mim por isso.
— Calma, Kevin! — pede com um tom mais brando.
— Como posso amá-la depois de tudo que ela me fez comigo, me explica? Como esse amor esteve adormecido por anos e resolve despertar justamente agora? Isso é um tormento, Ricardo. Machuca pra caralho!
— Está tudo bem, meu amigo.
— Não, não está.
— Ok, eu posso fazer essa apresentação pra você.
Fito seus olhos.
— Tem certeza? Você odeia palcos e multidões.
— Odeio mesmo. Isso quer dizer que você vai ficar me devendo essa — brinca.
Contudo, apenas assinto.
— É melhor assim. Eu não conseguiria me concentrar com ela ali, me olhando.
— Toma mais uma gelada e relaxa, cara. Não tem como vocês se encontrarem aqui em cima.
Ricardo me entrega outra cerveja, que eu aceito sem hesitar e bebo quase metade de uma vez. E após puxar o ar, sinto o efeito calmante do álcool se espalhar pelo corpo.
Como esperado, a apresentação do jogo foi um sucesso. Só aqui no evento tivemos recorde de vendas. Tanto do jogo, quanto dos pôsteres, camisas, bonés e outros acessórios. Para minha surpresa, Ricardo fez uma excelente apresentação. E no final do evento, me reuni com os coordenadores para uma breve avaliação. Depois, resolvi ir embora e deixo o meu amigo, e sócio responsável pela equipe de desmontagem do grande salão.
Não demora muito e adentro o meu apartamento. Exausto, tomo um banho demorado para tentar esfriar a minha cabeça e quando termino, coloco uma roupa casual.
Preciso sair um pouco. Beber algo com meus amigos e curtir a noite. Penso e pego meu celular para fazer algumas ligações. Ricardo como sempre confirma sua presença no Clube e garante que levará algumas garotas.
Definitivamente é disso que eu preciso. Horas relaxantes, muita bebida e muito sexo. Essa é a melhor pedida.
À noite…
Como imaginei a boate está lotada, mesmo sendo início de semana. O jogo de luzes coloridas e foscas deixa o ambiente obscuro. Na pista de dança, quase não há espaço para mais um par — e, ainda assim, as pessoas conseguem se mover ao ritmo da música. Sento-me à mesa de sempre com alguns poucos amigos. Alguns dos tempos de faculdade, outros, do escritório. A animação e a conversa descontraída me deixam mais à vontade. Alguns minutos depois, Ricardo Rosa chega conduzindo duas lindas garotas — uma morena e uma loira.
Devo admitir: ele sabe fazer boas escolhas.
— Boa noite, pessoal! — diz com a sua alegria esfuziante. — Deixem-me apresentar essas beldades. Essa é a Larissa.
Aponta para a morena.
— E essa é a Alessandra.
Aponta para a loira, que, devo admitir, está me devorando com os olhos. A apresentação é feita à moda à la carte: com beijos no canto da boca e mãos bobas, deslizando pelos braços das garotas, até chegar à cintura.
— Alessandra, não é? — falo para a loira, que assente sem desmanchar seu sorriso.
— E você é o Kevin Lacerda. O magnata dos games e das tecnologias avançadas.
— Hum, Ricardo andou falando de mim?
— Não. Mas o seu rosto está estampado em vários jornais e revistas. É impossível não o reconhecer. Quer dizer, você é considerado o bilionário mais cobiçado do estado do Rio de Janeiro. E, talvez do país. Além de ser muito sexy. — Essa última parte ela sussurra.
Seguro um sorriso presunçoso.
— Aceita uma bebida?
— Por favor.
— O que gostaria de beber?
— Você sabe, uma daquelas bebidas de mulherzinha, com azeitonas e canudo de guarda-chuva.
Dessa vez, sou eu quem sorri.
