Capítulo 8 8

Lilian

E céus, tem crianças para tudo que é lado dessa casa, fazendo a maior festa. Os filhos de Luís e os filhos de Marcos gritam e falam tudo ao mesmo tempo. É um tal de tia pra lá e tia para cá, que eu não sei quem atendo primeiro.

— Tia Lilian, você trouxe presentes?

— Muitos presentes.

— Ebaaaa!

Uma comemoração animada e coletiva preenche toda a sala.

Horas depois, estou bem instalada no meu antigo quarto e após um banho relaxante, desço para a sala, levando comigo algumas sacolas e embrulhos.

— Olha quem voltou! — cantarolo animando a criançada outra vez. — A tia Lilian vai colocar os presentes em cima do sofá, e vocês precisam encontrá-los pelas etiquetas com seus nomes, ok?

— Siiimm!!

Eles gritam e nossa, como senti falta dessa festa infantil!

— Eles sentiram a sua falta. — Mamãe sibila, sentando-se do meu lado.

— Eu também.

— É tão bom ver esse seu sorriso lindo, filha. E esse brilho nos seus olhos.

— Bom, também estou amando estar aqui no seu colo e sentindo todos esses seus carinhos — retruco, fazendo uma voz infantil, deitando a minha cabeça no seu colo, enquanto sinto os seus dedos afagam meus cabelos.

— Uma gravata? — Luís pergunta, erguendo o objeto.

— Francesa. — Completo.

— Hum, adorei o meu perfume! — Ana sibila, borrifando o pequeno frasco e uma aroma delicioso de flores se espalha pelo ar.

Sorrio.

— Esse tem seus nomes, papai e mamãe. — Luís entrega um envelope para a mamãe e eu me sento no estofado, ansiosa para vê-la abri-lo.

— É o meu presente de aniversário de casamento — digo.

Senhor Alberto se senta do lado de Dona Joana, porém, ela me lança um olhar cheio de expectativas. — Vamos, abra!

— Oh! — Mamãe resfolega. — Filha, não precisava.

— Um cruzeiro marítimo? — Papai parece conter sua festa.

— Obrigada, filha!

E novas sessões de abraços comovidos começa. Não estou reclamando. A verdade, é que eu amo momentos assim. Ainda mais quando estive afastada por tanto tempo. E após um lanche bem agitado, e alegre demais, durmo praticamente o resto do dia.


No dia seguinte…

Acordo cedo demais, sorridente demais, e me espreguiço sobre a minha antiga cama. Contudo, não me levanto. Aproveito para observar meu antigo quarto, ainda decorado com tons de rosa e branco. Uma cama de solteiro com travesseiros macios, uma penteadeira com alguns dos acessórios que deixei para trás. Alguns pôsteres das minhas bandas favoritas estão fixados em um mural de frente para a cama e, sobre o criado-mudo, repousa uma foto nossa.

Engulo o sorriso feliz ao fitá-la: Kevin, sorrindo ao meu lado, tirou a selfie no dia em que comemorávamos o término do colegial e o fato de irmos para a faculdade juntos. Com um suspiro baixo, seguro o porta-retrato, observo sua imagem por alguns segundos e decido guardá-lo em uma gaveta.

… Você vai ver que estagnou a sua vida à toa.

— Você precisa esquecê-lo de vez, Lilian. Foi para isso que veio, certo? — resmungo, saindo da cama.

Contudo, me aproximando de uma janela e fito o jardim. Sou tomada por lembranças da minha infância: Luís e eu correndo pelo gramado extenso. Nossos risos e travessuras. E depois, imagens dos nossos amigos se divertindo na piscina. Um sorriso se desenha em meus lábios, mas logo me lembro dele. De momentos nossos aqui nessa casa. Nesse jardim, na piscina.

Você precisa parar com isso, Lilian.

— É como diz a canção: um joelho ralado dói menos que um coração partido — ralho para mim mesma, puxando o ar com força e decido afastar essas lembranças. — Por que a gente tem que crescer e passar por essas coisas? — retruco.

… Não se esqueça de se divertir bastante.

As palavras de Cris preenchem os meus ouvidos.

— É isso, eu preciso sair e me divertir um pouco

Um banho frio e demorado. Diferente de Nova York, aqui no Brasil faz muito calor nessa época do ano, e uma ducha fria é revigorante. Minutos depois, escolho um vestido leve e uma rasteirinha. Faço uma maquiagem simples e um rabo de cavalo completam o meu look de menina comportada. Logo me reúno com minha família em uma mesa farta. A alegria de Luís, o falatório das crianças, o sorriso radiante de minha mãe e os questionamentos atentos do meu pai me envolvem.

Sinto uma felicidade genuína apenas por estar aqui com ele.

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