Capítulo 2 O Encontro que deu Errado (Parte 2)

Agora sem a armadura parcial que usara na Terra, vestia apenas calças pretas justas que marcavam as coxas poderosas. O torso nu revelava músculos definidos, escamas iridescentes que captavam a luz e pareciam se mover. A cauda longa, quase dois metros, balançava preguiçosamente atrás dele, a ponta grossa e ligeiramente bulbosa. Seus olhos dourados percorreram o corpo dela devagar, sem pressa, como quem avalia uma joia rara.

— Bem-vinda à nave, pequena humana — disse ele, a voz grave e aveludada, com um sotaque exótico que fazia os pelos da nuca dela se arrepiarem. — Meu nome é Zayo. Você agora pertence a mim.

Ruth sentiu o pânico subir pela garganta, mas forçou a advogada dentro dela a assumir o controle.

— Pertencer? Você está louco! Isso é sequestro! Eu sou advogada, eu vou... — Ela parou quando ele deu um passo à frente. A cauda dele ergueu-se, a ponta roçando levemente seu tornozelo exposto. O toque era quente, vibrando suavemente, como um motor em baixa rotação. Um arrepio involuntário subiu por sua perna.

Zayo inclinou a cabeça, farejando o ar novamente.

— Seu cheiro... tão fértil. Tão perfeito. Meu povo precisa de você, Ruth. Nossa taxa de natalidade está em colapso. Vocês, humanas, são compatíveis. E você... — Ele se aproximou mais, a cauda agora deslizando pela panturrilha dela, subindo devagar. — Você foi escolhida.

Ruth tentou recuar na cama, mas a cauda enrolou-se possessivamente em sua perna, segurando-a no lugar com força gentil mas inquebrantável. A ponta parou perigosamente perto da junção de suas coxas. O vibrar aumentou um pouco, enviando ondas de calor indesejado através de seu corpo.

— Não me toque! — ela sibilou, mas sua voz saiu mais ofegante do que pretendia.

Zayo sorriu, revelando presas afiadas. Ele estendeu a mão grande e traçou um dedo escamoso pela curva do seio dela, descendo até o mamilo endurecido. Ruth mordeu o lábio para não gemer.

— Você lutará. É natural. Mas seu corpo já sabe a verdade. — A cauda vibrou mais forte contra a pele sensível da coxa interna. — Logo, pequena advogada, você vai implorar por isso.

O implante neural que haviam colocado enquanto ela estava inconsciente ativou-se completamente. Informações sobre o planeta Xyphos, sobre a crise reprodutiva, sobre o papel que ele pretendia para ela inundaram sua mente. Ruth sentiu lágrimas de raiva e medo queimarem seus olhos.

Mas também algo mais perigoso: uma faísca de curiosidade proibida. De desejo primal que ela odiava admitir.

Zayo observava cada reação, faminto. Ele havia encontrado sua reprodutora. E não a deixaria escapar.

A viagem para casa, para Xyphos, estava apenas começando.

Ruth tentou se levantar novamente, mas a cauda de Zayo apertou levemente, mantendo-a sentada com uma força que era ao mesmo tempo gentil e inabalável. O toque não era doloroso, era dominante, possessivo, como se a cauda tivesse vontade própria e soubesse exatamente onde pressionar para dominá-la. O que piorava tudo era como seu corpo traía sua mente. Um calor úmido e traiçoeiro se acumulava entre suas pernas, algo que ela tentava atribuir ao medo, ao choque, à adrenalina... mas que sabia ser muito mais complexo.

— Como você sabe meu nome? — perguntou ela, tentando ganhar tempo. Sua voz de advogada emergiu, afiada mesmo em meio ao pânico. — Isso é sequestro. Violação de direitos humanos. Eu tenho contatos, eu posso...

Zayo tocou a têmpora dela com um dedo longo e escamoso. O contato enviou uma faísca elétrica suave através de sua pele.

— Implante neural — respondeu ele calmamente, a voz grave e aveludada ecoando como um ronronar profundo no peito largo. — Enquanto você dormia, minha tecnologia aprendeu tudo sobre você, Ruth Menezes. Vinte e quatro anos. Advogada recém-formada. Sem companheiro estável. Ciclo menstrual regular. Extremamente fértil. Ideal.

Os olhos dourados dele brilharam com satisfação primal ao recitar os fatos. Ruth sentiu um arrepio descer pela espinha. Era como se ele tivesse invadido não só seu corpo, mas também sua privacidade mais íntima.

Ele se sentou na beira da cama luxuosa, o peso fazendo o colchão de gel aquecido afundar. De perto, o cheiro dele era inebriante — uma mistura de especiarias quentes, metal aquecido pelo sol e algo selvagem, masculino, que fazia seus instintos mais primitivos se agitarem. A pele dourada metálica parecia pulsar com vida própria, as escamas pequenas e iridescentes captando a luz suave do quarto como diamantes líquidos. Os músculos do torso nu eram definidos de forma quase irreal, ombros largos, peito largo o suficiente para que ela se sentisse minúscula ao lado dele.

Ruth olhou para baixo e notou, mais uma vez, que estava completamente nua. Seus seios pesados e cheios subiam e desciam rapidamente com a respiração acelerada, os mamilos escuros e sensíveis endurecidos pelo ar morno e pela excitação indesejada. A curva generosa de seus quadris, a suavidade da barriga, a depilação cuidadosa que ela havia feito para o date desastroso... tudo exposto. Ela tentou cobrir-se melhor com as mãos, cruzando os braços sobre o peito e apertando as coxas.

Zayo estendeu a mão grande e, com uma gentileza surpreendente, quase reverente, afastou seus braços.

— Não se esconda de mim, pequena humana — murmurou ele, os olhos percorrendo cada centímetro dela. — Seu corpo é uma dádiva. Perfeito para carregar meus filhotes. Forte. Macio. Fértil.

— Seus filhotes? — Ruth cuspiu as palavras, a raiva momentaneamente superando o medo. — Eu não sou uma incubadora! Eu sou uma pessoa! Uma advogada! Você não pode simplesmente me sequestrar da Terra como se eu fosse um objeto!

A cauda longa e grossa dele deslizou mais alto pela perna dela. A ponta roçou a parte interna da coxa sensível, parando a meros milímetros de sua intimidade. O vibrar baixo e constante era hipnótico, como um motor potente em marcha lenta, enviando pequenas ondas de prazer que faziam seus músculos internos contraírem involuntariamente.

Ruth mordeu o lábio inferior com força.

— Pare... por favor — sussurrou ela, mas seus quadris traidores se moveram levemente para frente, buscando mais daquele contato proibido apesar de si mesma.

Zayo soltou um ronronar grave e satisfeito, o som reverberando no peito dele.

— Veja como você responde tão lindamente. Na Terra, aquele macho fraco e arrogante não soube apreciar você. Eu vi o encontro. Ele tocou o que não era dele. Falou como se você fosse um troféu. Patético. Eu vou te dar prazer que nenhum humano pode imaginar, Ruth. Vou te adorar... depois de te reivindicar.

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