Capítulo II

Maria

Heloisa e eu continuamos nossa busca por algo que satisfizesse a curiosidade de nossa protagonista. Encontramos pássaros com penas lindas, animais com aparências exóticas e até algumas plantas com qualidades deslumbrantes e potencialmente raras.

Ficamos surpresas com a distância que havíamos percorrido. Levamos cerca de três horas explorando até ficarmos satisfeitas, mas era evidente que eu ainda não estava contente com nossas descobertas. Heloisa percebeu isso e quis saber como poderia me ajudar a encontrar o que eu procurava. Quando ela perguntou o que eu queria, confessei que não tinha certeza, apenas que queria descobrir algo raramente visto por olhos humanos.

"Você realmente não sabe o que é?" Heloisa perguntou, fazendo o possível para me ajudar a encontrar a resposta.

"Não," respondi. "Mas o que encontramos pode ser visto por qualquer um. O que eu desejo é algo único, algo que poucas pessoas têm o privilégio de testemunhar."

Heloisa olhou para mim e compreendeu meu anseio. Talvez o que eu procurava estivesse na floresta, mas a incerteza era grande. Poderia ser uma raridade excepcionalmente específica que nos escapava ali.

"Tenho uma ideia," Heloisa propôs.

Olhei para minha amiga. Estávamos caminhando por uma trilha entre as árvores, envolvidas pelos sons dos pássaros cantando e dos sapos coaxando.

"Talvez seja melhor voltarmos para a vila. Talvez sua avó possa nos ajudar a identificar exatamente o que você deseja."

"Mas eu sei o que quero, que é encontrar algo raramente visto, especialmente por olhos humanos, como mencionei antes," respondi.

Heloisa apenas me olhou, compreendendo minha perspectiva.

"Ainda acredito que ela pode ajudar na sua busca," Heloisa argumentou.

Olhei para minha amiga e depois para frente.

"Está bem," cedi, a menina de cabelos castanhos. "Vamos voltar para casa."

Heloisa sorriu para mim e segurou minha mão. Viramos e começamos a caminhar em direção à vila.


Vila Palmeira Vermelha, uma cidade escondida que poucos conhecem, situada perto da Amazônia. É uma vila simples, mas bem preservada, habitada por pessoas que valorizam a tradição.

As casas são construídas de madeira, e a vila tem cerca de cinquenta anos. Heloisa e eu fazíamos parte de um pequeno grupo de jovens que viviam entre a população de Palmeira Vermelha. Todos se conheciam, e havia cerca de duzentos moradores no total—um número pequeno, mas que ainda tinha muita sabedoria para transmitir à geração mais jovem.

Enquanto caminhávamos pela vila, observando cada pessoa envolvida em suas atividades únicas, algumas figuras se destacavam. Entre elas, eu, conhecida por compartilhar minhas fotos com os moradores; Heloisa, famosa por suas habilidades artesanais e pela alegria que trazia às crianças ao fazer bonecas de madeira; e Elizabeth, minha avó, famosa não só como a "avó da fotógrafa" mas também por seus bolos deliciosos. Ela adorava fazer bolo de chocolate com cobertura de baunilha, alegando ser o meu favorito, mas havia outras figuras bem conhecidas na Vila Palmeira Vermelha.

Então havia Vicente, tio de Heloisa e dono de uma onça que ele carinhosamente chamava de Mancha. Vicente sempre foi extremamente protetor e nunca poderia imaginar que Heloisa se aventuraria na floresta comigo. Ele adotou Mancha quando ela ainda era um filhote, contando uma história de caçar um monstro da floresta, mas encontrando a onça ferida em vez disso. Ele cuidou dela desde então, e Mancha se tornou sua companheira constante. Vicente era um homem de 42 anos, com cabelo curto e escuro, uma barba longa, mas bem cuidada, e uma predileção por usar uma camisa branca de manga curta, calças pretas, botas e um relógio de prata no pulso.

Outra figura notável era Cledir, um homem de 83 anos que adorava contar histórias de sua vida, a maioria das quais eram fantásticas, incluindo encontros com o Cavalo de Três Pernas, uma lenda que tinha grande importância em nosso folclore. Cledir era careca, possuía uma pele ligeiramente bronzeada e enrugada, olhos azuis marcantes e um bigode com pontas torcidas que ele mantinha meticulosamente.

Passei pelas pessoas que já estavam acordadas. Havia uma senhora cuidando dos vegetais que havia plantado, e quando nos avistou, ofereceu uma saudação calorosa. Então Cledir apareceu, estendendo seus cumprimentos matinais. Ele usava sua velha bengala confiável, movendo-se em um ritmo tranquilo.

"Como estão, meninas?" Cledir perguntou.

"Estamos bem," respondi, com um sorriso.

Cledir sorriu de volta para nós e fez uma pergunta, "Encontraram algo interessante na floresta, Maria?"

"Ainda não, mas veja as fotos que tirei," mostrei a ele a multitude de fotos na tela da minha câmera, e ele ficou visivelmente impressionado.

"Isso é incrível. Suas habilidades estão melhorando continuamente. Estou gostando de ver seu crescimento!" o ancião expressou.

Sorri em gratidão, e então Cledir mencionou algo mais.

"Bem, devo seguir meu caminho. A propósito, esta noite, contarei uma lenda que vai despertar o interesse de todos, especialmente porque estamos em 2020, e todos devem estar cientes do evento programado para amanhã."

"Um evento?" Heloisa perguntou.

"Sim. Há um evento programado para amanhã, e é essencial que todos estejam informados, especialmente porque o que está por vir não é agradável para ninguém, nem mesmo para vocês duas," Cledir revelou antes de se afastar. "Vou fazer minha caminhada matinal."

Heloisa e eu trocamos olhares pensativos, tentando lembrar o que estava previsto para amanhã. Não havia pessoa melhor para consultar do que Elizabeth, dada sua vasta sabedoria sobre lendas folclóricas, segunda apenas a Cledir.

"Acho que sua avó pode ter as respostas. Vamos visitá-la," Heloisa sugeriu.

Concordei prontamente, e nós duas voltamos pelo caminho, rumo a casa.

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