Capítulo IV

Maria

Eu estava determinada a fazer o que queria, que era explorar a floresta para encontrar o lobisomem. Segundo a lenda, quando a lua ficava rubra, era um sinal de que um lobisomem poderia aparecer, e eu queria capturar um em foto. Sei que o risco é alto, mas encontraria uma maneira de evitar um ataque de lobisomem. No entanto, o que me preocupava era se ele realmente existia ou se era apenas mais uma das lendas malucas do Cledir. Sei que ele tem muitas histórias para contar, mas muitas delas podem ser invenções. Afinal, a lua está com um tom rubro, mas quem garante que um lobisomem pode aparecer? Tenho minhas dúvidas, mas não custa explorar a floresta para descobrir.

Neste momento, estou deitada na minha cama. O tempo não estava muito quente; pelo contrário, havia uma brisa que tornava o ar mais fresco. Naquele momento, esperava que toda a vila fosse dormir para que eu pudesse agir. Estava determinada a encontrar esse lobisomem a qualquer custo. Para me proteger de um possível ataque, levarei uma lâmina de prata comigo, pois sei que os lobisomens têm uma fraqueza por prata, e usarei isso a meu favor.

Precisava ter cuidado para não adormecer. Mesmo estando cansada, tinha que ficar acordada. Continuava verificando o relógio; era digital e estava ao meu lado. Indicava que era meia-noite, mas não me sentia segura para sair da vila até que todos estivessem completamente dormindo. Sabia que alguém poderia acabar ficando acordado e me ver sair, mas não permitiria isso. Talvez saísse perto do amanhecer, mas conseguiria o que queria. Queria muito tirar uma foto de um lobisomem, especialmente porque poderia provar a todos que ele realmente existe e não é uma invenção do Cledir, não que todos duvidassem, mas sempre havia alguém que tinha suas dúvidas sobre se era real ou não.

Depois de passar muito tempo perdida em meus pensamentos, olhei para o relógio novamente. Vi que eram uma e meia da manhã, e se minha memória não falhava, todos já estavam caindo no sono, o que seria um bom momento para eu agir. Queria capturar uma foto desse lobisomem e provar que ele realmente existe.

Levantei-me da cama e fui ao banheiro. Tudo estava indo conforme o planejado. Se minha avó ainda estivesse acordada, ela poderia notar que fui ao banheiro, mas não suspeitaria que eu estava prestes a escapar pela janela, especialmente porque era pela janela do meu quarto.

Depois de usar o banheiro, voltei para o meu quarto. Estava descalça, mas para evitar espinhos ou qualquer obstáculo inesperado, levaria minhas sandálias comigo, embora as carregasse na mão. Assim que percebi que minha avó estava dormindo, tudo estava indo conforme o plano. Ninguém poderia saber que eu estava indo para a floresta encontrar o lobisomem, nem mesmo minha amiga Heloísa. Não é que eu não confie nela, mas queria fazer isso sozinha, e não queria que ninguém soubesse disso.

Subi no parapeito da janela e posicionei minhas pernas para fora. Mantive minhas sandálias na mão o tempo todo e então pisei no chão, fazendo um pouco de barulho. Olhei ao redor para ver se alguém tinha acordado, pois o barulho poderia ter sido perceptível, mas, felizmente, não acordei ninguém. Mesmo assim, precisava ter certeza. Tinha medo de que minha avó tivesse acordado, então me agachei e comecei a rastejar para verificar se ela tinha despertado ou não. Felizmente, isso não aconteceu. Ela ainda estava dormindo, e me senti aliviada.

Agora era a hora de explorar a floresta, mas só colocaria minhas sandálias quando estivesse na frente dela. Não queria que ninguém ouvisse meus passos, pois isso poderia complicar as coisas. Depois de me levantar devagar, comecei a caminhar suavemente. Mesmo estando descalça, ainda poderia fazer barulho, então caminhei como descrevi para você. Continuei olhando ao redor para garantir que ninguém tinha acordado para me ver indo em direção à floresta, e, felizmente, isso não aconteceu. Todos ainda estavam dormindo, e me senti mais aliviada à medida que avançava. Olhei para a lua, e ela ainda estava naquele tom rubro. Tenho que admitir; é assustador vê-la assim, talvez porque não estou acostumada.

Continuei caminhando devagar enquanto olhava constantemente ao redor. Mesmo ficando mais à vontade à medida que avançava em direção à floresta, ainda precisava ter cuidado para não atrair a atenção de ninguém. Verifiquei para garantir que a câmera estava pendurada no meu pescoço, e a resposta foi sim, o que me deixou ainda mais aliviada.

Estava chegando mais perto da floresta. Depois de mais de dez minutos caminhando devagar e evitando chamar a atenção dos moradores adormecidos, finalmente cheguei ao fim da vila. Quando saí, rapidamente coloquei minhas sandálias, colocando-as suavemente no chão. Olhei para trás e vi que a vila ainda estava dormindo. Sorri e continuei em frente, certificando-me de que tudo estava em ordem, e eu tinha a lâmina de prata que mencionei antes, e tudo indicava que sim. Agora era o momento certo para realizar essa missão que criei para mim mesma. Sei que vai dar certo.

À medida que continuava a caminhar, sentia-me cada vez mais ansiosa porque estava prestes a encontrar um ser popular na mitologia humana, um ser que era uma mistura de humano e lobo e aparecia nas noites de lua cheia. No entanto, esse lobisomem parecia diferente; ele aparecia nas noites em que a lua estava rubra. Se isso for verdade, então sou muito sortuda.

Depois de muito caminhar e refletir sobre minhas ações e os motivos que me trouxeram até onde estou agora, finalmente cheguei à floresta.

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