Capítulo 6 Lugar estranho

Kira

Sou puxada para o bandeiro e deixada lá. Samira sai correndo para abrir a porta e escuto a voz do Ali que está bem alterada por sinal. Mas, ele fala em árabe para variar e não consigo entender nada. Mas, parece que Samira fez algo de ruim.

- Porém isso não dar o direito a ele de falar assim com ela. - logo penso nervosa

Pego um roupão e saio na ponta dos pés para ver o que está acontecendo.

"Mas, porque estou andando na ponta dos pés? Com esse tapete super macio em baixo dos meus pés seria impossível ouvir qualquer ruído, nem mesmo se uma xícara caísse sobre ele faria algum barulho, logo penso caminhando normalmente."

Chego próximo à porta e a abro sorrateiramente. Consigo ver sua feição bastante irritada e ele fala grosseiramente com ela. Após algum esforço consigo compreender ao menos a última frase: la 'astatie 'an 'aerif (Não pode saber!)

Abro a porta e pergunto: O que não pode saber?

Eles me olham assustados e logo em seguida ele grita:

- Por allah senhorita earia (Desnuda / Pelada). Por allah eu vou yanfud min rasih (Ficar sem cabeça)... - Ele se ajoelhou e olhava pra cima com as mãos levantadas para o céu dizendo

Alsayid 'amin hadha lays khata'ay, asf la taqtae rasi 'aw taqtae eayni

por allah. Ana la 'astahiqu 'an 'atalaqaa miayat jaldat 'aw 'ahtariq fi rukham aljahimi.

(Senhor Amin não tive culpa. Perdão! Não corte minha cabeça ou arranque meus olhos! Não mereço as cem chibatadas ou queimar no mármore do inferno)

- Venha senhora! - Samira me puxou para dentro fechando a porta, mas ainda escutava a voz do Ali repetindo as mesmas palavras que entendi apenas "Amin"

alsayid 'amin hadha lays khata'ay , asf la taqtae rasi 'aw taqtae eayni

por allah. Ana la 'astahiqu 'an 'atalaqaa miayat jaldat 'aw 'ahtariq fi rukham aljahimi. (Senhor Amin não tive culpa, perdão não corte minha cabeça ou arranque meus olhos. Não mereço levar as cem chibatadas ou queimar no mármore do inferno.)

- Será que ele está rezando para o sheik Amin, que estranho. - logo pensei

- Senhora por allah nunca mais saia desnuda assim em frente de um homem que não é intimo senhora, por allah, apenas seu alzawj, almalik

(Marido, Dono) pode vê-la assim. por conta disso o Ali pode perder eaynayk 'aw rasak (seus olhos ou a cabeça).

- Mais porque ele perderia o emprego? E eu não estou pelada, mas estou de roupão. E porque ficaria assim na frente do meu patrão? Cada hora entendo menos as coisas e vocês me confundem muito.

Ela não responde e somente diz: - Venha! Vamos colocar uma roupa, precisa estar vestida adequadamente...

Samira vai até uma porta que abre ambas as partes mostrando um grande closet...

Nossa! Fico admirada o quão grande é tudo aquilo, mas fico curiosa de ver apenas roupas tão tradicionais. Olho para um lado e para o outro perguntando:

- Cadê minhas roupas?

- Senhora! Aquelas roupas não são adequadas, essas aqui sim.

Respiro fundo e falo:

- Olha Samira! Não vou discutir com você sobre as minhas vestimentas, mas como sempre fui curiosa e sempre achei misteriosas essas roupas vou experimentar. Mas, pode trazer todas as minhas coisas de volta. - falei respirando fundo tentando manter a calma que estava quase impossível

- Entendo senhora, porém aquelas roupas não são permitidas por aqui.

Meu santinho, Meu santinho se você me der paciência eu te dou três beijinhos...

Meu santinho, Meu santinho se você me der paciência eu te dou três beijinhos...

Repito duas, três e digo olhando pra ela com um sorriso mais vermelha de raiva.

- Samira eu quero minhas roupas. AGORA! - disse quase rosnando

Ela arregala os olhos e diz:

- Por allah senhora, por allah la taqtuluni , lam 'akun 'ana , lam 'akun 'ana , laqad 'amar bidhalika. (Não me mate, não fui eu, não fui eu, foi ele que ordenou) - ela sai correndo do quarto, sem eu entender absolutamente nada o que ela falou.

- Samira! Samira! Volta aqui por favor Samira! Eu não quis te assustar! DESCULPA! - eu grito, mas de nada adianta

Vou até a porta e encontro o Ali na mesma posição repetindo a mesma coisa de antes. E quando me vê sai correndo gritando alto no corredor com as mãos na cabeça...

- Alsayid 'amin hadha lays khata'ay , asf la taqtae rasi 'aw taqtae eayni

por allah. Ana la 'astahiqu 'an 'atalaqaa miayat jaldat 'aw 'ahtariq fi rukham aljahimi. (Senhor Amin não tive culpa, perdão não corte minha cabeça ou arranque meus olhos. Não mereço levar as cem chibatadas ou queimar no mármore do inferno.)

- Meu Deus que povo mais doido! - penso e me repreendo na mesma hora - Não julgue Kira! Não julgue!

Olho para o lado tem um carrinho de comida todas cobertas e no mesmo instante puxo para dentro do quarto. - Vamos ver o que temos aqui... estou morrendo de fome. - logo penso com a boca salivando

Levanto todas as tampas e havia: pães diferentes que devem ser tradicionais, frutas, geléias, queijos, iogurtes.

- Hum... que delícia! - penso esfregando as mãos uma na outra e passando a ponta da língua em volta dos lábios

Fui ao bule achando que era café, que eu amo por sinal. Mas, era chá e ali não tinha nada do quê eu pedi. - Mas, vou comer tudo assim mesmo porque estou varada de fome. - logo pensei sentando na cadeira e pegando o pão

- Ai! Esse pão é tão gostoso.

- Nossa! Que geléia boa.

Como muito até não aguentar mais, quando termino de comer resolvo ligar para os meus pais contando tudo, eles se divertem com o que falo, quando termino de falar com eles percebo que escureceu, como ainda estou cansada da viagem resolvo voltar pra cama e como já está anoitecendo acabo dormindo sem perceber. Amanhã será um novo dia e terei muitas aventuras aqui dentro.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo