Capítulo 3 2
Aleksander Petrov
Meus sapatos ecoam no salão vazio do Paris Opera Theatre, misturando-se com as notas de abertura fracas do Lago dos Cisnes que vêm do corredor à esquerda. Com o balé já começando, a entrada está desocupada. Eu aceno para o segurança, então me viro e sigo o longo corredor em direção às portas duplas de madeira na
extremidade, onde um pôster pendurado na parede atrai minha
atenção. Mudaram a foto. A anterior mostrava toda a trupe no meio do
salto do grupo, tirada de longe para que todo o palco ficasse visível, mas a nova mostra apenas uma bailarina, a cena ampliada antes da imagem. Sem pensar em nada, minha mão sobe e traça o
contorno de seu rosto, suas maçãs do rosto afiadas, sua boca de flor de cerejeira, seu pescoço esguio, então de volta sob o contorno de seus olhos, que parecem estar olhando diretamente para mim. Seus olhos brilham que nem dois cristais celestiais, é ela, sem sombra de dúvidas.
Depois da emboscada feita pelos italianos, metade do meu rosto ficou dilacerado, fiz incontáveis cirurgias plásticas para tentar recuperar o meu rosto, mas ele foi destruído demais e as cicatrizes me assombram por todas as noites. Depois que recuperei a consciência, a primeira coisa que fiz, foi procurar pelo anjo que salvou a minha vida. Foram longos os meses procurando por um rosto compatível, ao rosto do anjo, até que encontrei alguém compatível. Por ironia do destino, ela é segunda filha do rato desgraçado de Roberto Constantine, o capo da máfia italiana. Por alguma brincadeira do destino, ela teve que ser filha do homem que tentou me matar e destruiu o meu rosto e a minha vida.
— Pakhan¹! Precisamos ir, os italianos estão chegando — um dos soldados informa. Dou-lhe um olhar assassino, por me interromper num momento tão mágico, como esse — Perdão, não quis te interromper — se desculpou tremendo.
— Deixe que cheguem até mim, não tenho mais medo da morte, eu derrotei ela — retruco sem tirar os olhos da palco. O anjo desliza na pista de dança, como se flutuasse no ar, como se tivesse asas, como um verdadeiro anjo.
O soldado sai de perto de mim e continuo assistindo ao show do meu anjo, ela chama a atenção de todos para si, para cada um de seus movimentos, ela dança com tanta leveza que é praticamente impossível não imaginar, fodendo ela com as roupas de bailarina, como será o gemido dela, será que ela canta no lugar de gemer?
— Petrov, o que faz aqui? Perdeu o caminho de casa? — Roberto Constantine, meu maior inimigo, o homem que quase me matou está diante de mim, com um sorriso zombeteiro nos lábios.
— Constantine — murmuro seu nome com toda a minha raiva contida, se ao menos pudesse mata-lo — Muito pelo contrário, em breve está será minha casa — termino com um sorriso mais diabólico que o dele.
Roberto Constantine, armou uma emboscada para me matar, mas não conseguiu. Eu subestimei ele no passado, acreditando que era fraco e um fantoche da mulher dele, mas fui enganado, ele é um homem inteligente, muito inteligente, só não foi tão inteligente assim quando tentou me matar pelo fogo. Eu fui forjado pelo fogo, uma Fênix nunca morre pelo fogo, ela renasce das cinzas. Ele cometeu um grande erro ao tentar me matar com o carro bomba naquele dia, mas por outro lado, eu agradeço a ele porque se não fosse pelo acidente, eu não teria encontrado o meu anjo.
— Esta nunca será sua casa, russo de merda — berra tentando se aproximar de mim, mas meus soldados são mais rápidos que ele e o impedem de sequer se aproximar de mim.
— Aí é que você se engana Constantine — levanto me do meu assento e vou até próximo dele, quero ver ele tentar me matar — Toda esta área, está cercada de soldados russos, é só eu estalar uma vez que, toda sua família será morta, aqui e agora — completo sorrindo diabolicamente.
O homem parece que foi possuído por algum espírito demoníaco, pula em meu pescoço mas um dos meu soldados é mais rápido e o imobiliza. Seus soldados são poucos na sala, meus soldados imobilizaram todos eles, se eu quiser, posso matar ele aqui e agora e pegar o meu anjo para mim, mas isso criaria um grande constrangimento no nosso relacionamento e eu não quero que a futura mãe dos meus filhos, me odei para todo o sempre.
— Calma sogrinho, eu não vou matar ninguém hoje, até porque, tenho uma proposta por te fazer — comunico ainda sorrindo debochada mente. Com um aceno de cabeça, o soldado solta o velho italiano que espuma feito um verdadeiro Bulldog.
— O que você quer? — faz a questão que eu tanto esperei, é isso que eu queria ouvir. O que eu quero.
— Agora estamos falando a mesma língua, vamos nos sentar e tomar um bom whisky — o velho me segue sem muita vontade, se pudesse ele me mataria agora mesmo, mas assim como eu, ele é um homem de negócios e sabe que não tem muita escolha.
— Bom, eu quero selar um acordo de paz entre a Bratva e a Cossa Nostra, o que me diz — falo sem rodeios, nunca fui uma pessoa de dar muitas voltas e não gosto disso, sou directo e curto.
— Um acordo de paz? Entre nós? Por quê? O que quer em troca da paz? — esse velho faz muitas perguntas, é tão lerdo que não consegue perceber que eu quero a filha dele.
— Não quero muito, só quero sua filha Fiorella — informou sem delongas. O semblante do velho transparece alívio, como se ele estivesse feliz por eu ter escolhido a mais nova e não a mais velha.
— É só isso que quer? — indaga incerto da minha calma, o negócio flui com tanta facilidade que o velho suspeita. No lugar dele, eu ficaria do mesmo jeito, ninguém em sã consciência, faz um negócio com tanta facilidade junto do diabo.
— Sim, eu só quero sua filha Fiorella, ela é muito bonita, inteligente, encantadora, muito bem educada, ela é um verdadeiro diamante da temporada — explico o que ganharei nessa barganha. Para além da paz que nós dois teremos e precisamos, eu terei uma mulher linda, que todos querem e desejam, não existe coisa melhor que essa.
— Tudo bem, eu concordo com você, precisamos dessa paz e eu concedo a mão da minha filha— o filho fala com calma e solta o ar aliviado.
A família Constantine é uma verdadeira farsa, o casamento de Roberto e Giana Constantine foi um fracasso, fadado a tantas traições que até surgiram alguns bastardos no caminho.
— Minha gente entrará em contacto, farei o contrato e entregarei a vocês amanhã mesmo — informo satisfeito e me retiro do salão sorrindo, com o contrato assinado amanhã, eu terei o meu anjo para mim e em uma semana, eu me casarei com ela.
(...)
Quando dei a notícia de um possível casamento, com a segunda filha da família Constantine, minha mãe achou um verdadeiro absurdo, afinal não existe uma possibilidade de essas duas máfias se unirem, mas assim que expliquei as vantagens de um possível casamento entre russos e italianos, minha mãe amoleceu um pouco o coração.
— Eu fiz um contrato que vai favorecer as duas máfias, tome cuidado — minha mãe informa me entregando os papéis. Para além de serminha mãe, ela é a advogada da máfia, ela trata todos os assuntos burocrático da mesma.
