Capítulo 4 2.1

Conhecendo bem minha mãe, eu sei que ela colocou várias cláusula no contrato, só para proteger os nossos interesses, não preciso ler o contrato para saber que posso confiar nela.

— Eu sei disso, eu confio em você, tudo está perfeito com certeza — completo com um beijo em sua testa e me retiro da sala.

Combinei de me encontrar com o Constantine num ponto neutro para os dois, que neste caso é a França, ela é um território não tomado por nenhum máfia europeia, por conta disso, ela é muito usada para negócios. Encontrarei o Constantine no Paris Opera Theatre, o mesmo salão onde meu anjo costuma se apresentar.

— Petrov, vejo que é um homem de palavra — Roberto Constantine cumprimenta com seu melhor sorriso, mas ao lado dele está sua esposa com cara de poucos amigos, ela não está nem um pouco contente com esse enlace.

Minha máscara de ferro, esconde metade do meu rosto e a outra metade, eu escondo com o cabelo, que ficou comprido, nos meses em que fiquei em coma.

— Senhora Constantine, é um prazer finalmente conhecê-la — cumprimento a mulher por trás de todos os planos da Cosa Nostra, com certeza, a mesma que planejou a minha morte. Beijo o dorço de sua mão e falta só a mulher vomitar de nojo.

Não me espanta que Fiorella seja tão magnífica, a mãe dela é simplesmente estonteante, mesmo com a idade, a senhora Constantine continua sendo bela. Corpo curvilíneo, seios fartos mas não muito cheios, cabelo loiro natural e olhos verdes cristalinos, me espanta que com uma mulher dessas, o Roberto tenha pensado em procurar outras.

— Ah! Obrigada senhor Petrov, eu vim acompanhar o meu marido, espero que não se importe com a minha presença aqui — a mulher retruca sem medo e afasta sua mão da minha. Como pensei, é ela quem toma as decisões na Cosa Nostra, Roberto Constantine é só um pau mandado.

— Não, claro que não, será muito bom ter uma figura feminina nas negociações — informo com um sorriso galante nos lábios e parece que o velho Constantine vai me matar, ele espuma como búfalo mas tenta disfarçar.

— Vamos logo com isso Petrov, não temos o dia todo — o velho Constantine entra no recinto do Paris Opera Theatre, sem esperar por nós e a esposa dele o acompanha.

Está mais do que claro que quem fará as negociações será a esposa dele e não ele, ele só ficará pianinho num canto e só vai se pronunciar no momento das assinaturas. Acompanho meus futuros sogros até o interior do teatro, e me sento de frente para ela.

— Eu tenho o contrato comigo, eu já assinei, podem ler e assinar, qualquer coisa que queiram alterar me informem — informo entregando os papéis a mulher e não ao marido, não vai mudar absolutamente nada, se eu entregar para ele, ele passará para a mulher na mesma.

— Vamos ler primeiro — a mulher informa já com os papéis na mão.

A mulher levou cerca de dez minutos lendo os documentos, nesse meio tempo tive que me distrair com qualquer coisa, a única coisa que encontrei foi observar a fisionomia da minha sogra. Fiorella é a cara da minha sogra, se envelhecer da mesma forma que ela, serei o homem mais sortudo na face da terra. Assim que a mulher concluiu a leitura, ela deu o marido para assinar os mesmos.

— Bom, negócio feito, fico feliz em informar que o casamento será em uma semana — informo feliz da vida, mas o sorriso de pura chacota da velha Constantine me deixa em alerta.

— Com certeza senhor Petrov, Bella será preparada para o senhor — a velha informa satisfeita e isso me desperta e desperta o velho Constantine.

— Como assim Bella, eu fui claro ao informar que quero a Fiorella — me sobressalto e a velha na se abala nem por um segundo. Roberto Constantine olha para sua esposa como se ela tivesse duas cabeças.

— Sim, o senhor foi claro e nós entendemos, mas no contrato existente uma cláusula que informa que se a Constantine mais nova não for fértil, ela pode ser substituída pelas outras irmãs — Giana Constantine fala satisfeita e aponta a para a cláusula.

Eu cometi um erro por não ler o contato, mas como é que, eu podia imaginar que a minha mãe Faria tal coisa, eu confio cegamente nela.

— Tudo bem, eu compreendo, mas onde Isabella entra nisso — murmuro derrotado, não posso transparecer a minha fúria, se não farei figura de palhaço por assinar um contrato sem ler , uma página sequer.

— Acontece que senhor Petrov, minha filha Fiorella é infértil — a velha solta a bomba e eu e o marido dela a olhamos espantados.

— Bom, eu quero os testes de fertilidade dela, para ontem — murmura fazendo todo o possível para controlar minhas emoções. Deixo os dois na sala e volto para casa, como pude deixar isso acontecer? Se eu tivesse lido o contrato antes de assinar, talvez tivesse como evitar isso, se os resultados derem positivo e atestarem que Fiorella é realmente infértil, terei que me casar com a mais velha da casa Constantine e perderei meu anjo para sempre.

(...)

— O teste deu positivo para infertilidade, Fiorella não pode te dar filhos — minha mãe lê os documentos com pena — Sinto muito meu filho, não quis te meter nisso, se tivesse me explicado que queria Fiorella somente, eu não teria colocado a cláusula — minha mãe me abraça por trás.

Mas a verdade é que ela não tem culpa de nada, eu é que fui burro, por não ter sido cuidadoso ao ponto de ler os documentos antes de assinar eles, agora eu estou preso a uma mulher que não conheço, desejando a irmã dela. Para Fiorella, eu dei o meu coração, ela é o meu anjo na terra, seria tratada como tal, mas a Isabella, ela receberá o pior de mim, ela casará com o diabo e não com Aleksander Petrov.

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