Capítulo 5 CAPÍTULO 5 - LEILA
Saí de casa pouco depois. O céu estava ainda mais cinza, e um vento leve trazia o cheiro de chuva. Peguei um táxi, porque o caminho era longo e eu não podia me atrasar. Mas o trânsito de Londres estava parado, pior do que eu esperava. Os caras mal se mexiam, e a cada minuto que passava, meu coração batia mais forte.
Olhei para o relógio no pulso. Oito e dez. Minha entrevista era às oito e meia.
— Por favor, hoje não. — Murmurei, olhando para a fila de carros que não andava.
O motorista me olhou pelo retrovisor, com um sorriso compreensivo.
— Está atrasada, senhorita?
— Só um pouquinho. — Respondi, tentando não mostrar preocupação.
— Não se preocupe. Estamos quase chegando. Daqui a pouco o caminho abre.
Concordei com um aceno leve de cabeça, mas o coração continuava apertado. Eu odiava chegar atrasada. Em qualquer lugar. E principalmente numa entrevista de emprego, onde cada detalhe importava. Onde a primeira impressão era tudo.
Quando o carro finalmente parou diante do prédio da Carter Group, paguei a corrida e desci. E ali fiquei parada, olhando para cima, com o pescoço esticado e os olhos arregalados. O edifício era enorme! Subia alto, muito alto, parecendo querer tocar as nuvens carregadas. Era feito de vidro brilhante, aço e concreto liso. Tudo ali parecia perfeito, limpo, impecável. E tudo parecia caro. Muito caro. Mais caro do que eu poderia sonhar em ter.
Respirei fundo, endireitei os ombros e entrei. Assim que passei pela porta de vidro, senti o peso daquele lugar. O chão brilhava como um espelho. Pessoas bem vestidas, com roupas que pareciam custar mais do que eu ganhava num ano, caminhavam de um lado para o outro com passos rápidos e firmes. Tudo era organizado. Silencioso. Perfeito. O tipo de lugar onde um erro pequeno provavelmente custava muito caro. E onde alguém como eu, que vinha de um apartamento pequeno e apertado, parecia não pertencer.
Fui até a recepção, onde uma mulher com cabelo penteado com perfeição me olhou com um sorriso educado.
— Bom dia. Tenho uma entrevista com o senhor Jason Carter. — Falei, tentando manter a voz firme.
Ela olhou para o computador, bateu as pontas dos dedos devagar nas teclas e depois sorriu para mim.
— Leila Miller?
— Sim, sou eu.
— Certo. Ele está esperando a senhorita.
Meu estômago apertou de uma vez.
Então era verdade. Eu finalmente conheceria Jason Carter. O famoso CEO. Todo mundo em Londres parecia conhecer seu nome. Diziam que ele tinha trinta e cinco
anos, era milionário, viúvo há alguns anos, e que era frio, exigente e às vezes até arrogante. Pelo menos era o que as pessoas falavam.
Subi no elevador sozinha. Enquanto ele subia, andando de andar em andar com um som suave, meu coração batia cada vez mais rápido. Parecia que a cada andar que passava, eu ficava mais nervosa. Oito e trinta e dois. Eu tinha chegado com dois minutos de atraso. Dois minutos pareciam pouco, mas naquele lugar, com aquele homem, talvez fosse muito.
Quando as portas se abriram com um som suave, uma mulher de cabelo escuro e olhos atentos já estava me esperando do lado de fora.
— Senhorita Miller? — Perguntou ela, com voz calma.
— Sim, sou eu.
— Pode me acompanhar, por favor.
Segui atrás dela por um corredor amplo e silencioso, com paredes claras e quadros grandes nas paredes. Paramos diante de uma porta de madeira escura, grande e imponente. A mulher bateu três vezes, com ritmo certo.
— Entre! — Disse uma voz masculina de dentro. Era uma voz grave, firme, sem qualquer suavidade. Meu coração deu um
salto.
A mulher abriu a porta e entrou primeiro.
— Senhor Carter, aqui está Leila Miller.
Respirei fundo, endireitei o blazer, cruzei os dedos por um segundo e entrei.
E foi naquele momento que vi o homem que poderia mudar minha vida.
Jason Carter estava de pé diante de uma janela enorme que cobria quase toda a parede, deixando ver toda a cidade lá embaixo. Ele usava um terno de cor escura, tão bem cortado que parecia ter sido feito só para ele. Era alto, ombros largos, postura reta. Elegante de um jeito que parecia natural, sem esforço. O rosto era sério, linhas firmes, olhos de um tom escuro que não dava para decifrar. Ele me encarou e seus olhos encontraram os meus.
Por um segundo, eu esqueci tudo. Esqueci onde estava, esqueci o que deveria dizer, esqueci até de respirar. Ele não era apenas bonito. Era o tipo de homem que fazia uma sala parecer menor só por estar ali. Que chamava atenção sem precisar falar nada.
Ele olhou para o relógio no pulso, com um movimento calmo e seco, e depois voltou os olhos para mim.
— Você está atrasada. — Disse ele.
Sem raiva, sem grito. Só uma afirmação simples. Mas soou pesado, como uma sentença.
