Capítulo 2 Prólogo 1.1 Maya

Quando me separei, nessa época, eu já trabalhava em um supermercado de caixa. O dinheiro não era muito porque ainda tinha que pagar uma pessoa para cuidar das meninas. Como eram duas, muita vezes as babás desistiam devido a dar muito trabalho e eu não tinha como pagar o dobro, já que ganhava tão pouco.

Muitas vezes tinha que me virar em duas para não deixar faltar nada para as meninas.

Assim a menina só para olhar as meninas, assim ficaria mais fácil, apesar das meninas serem tranquilas.

Adriel não dava nada. Tive que lhe falar que teria que me ajudar porque, mesmo eu trabalhando, o dinheiro não estava dando. Cada dia que passava, as coisas só aumentavam, deixando cada vez pior. Foi quando ele mais uma vez me surpreendeu e me auxiliou na feira das meninas. Como ele estava morando de aluguel, alegava que não poderia dar um valor alto. Não reclamei porque nessa altura iria me ajudar bastante, mesmo se mantendo longe das filhas, eu queria que ele se aproximasse das nossas filhas, elas sentiam falta dele.

Foi tudo muito fácil, fiquei até com medo com essa bondade do Adriel.

Quando minhas filhas completaram cinco anos, só morávamos só nós três. Minhas pequenas as deixavam durante o dia na escola e, quando largavam, iriam para a creche porque a babá não podia mais prorrogar horário. Por isso, tive que colocar na creche até o horário em que saía do trabalho. Nesse período, até comecei a estudar a distância para tentar algo melhor para nossa família. O que me deixou triste foi que mesmo com o passar do tempo, Adriel se manteve longe das meninas. Elas não mereciam o seu desprezo por serem meninas.

Mente machista como a dele não tinha outro pensamento, tudo para ele, o homem que mandava, pagava contas e até mesmo não aceitava que mulher trabalhasse porque meu dinheiro não valia de nada ao ver dele. Palavras dele e não minha, já que tenho uma visão totalmente diferente de que a mulher, sim, pode ser independente e sim pagar contas e nessas idealizações que vive nesse tempo todo.

Mesmo na minha rotina, a qual é uma correria, casa, filhas crescendo, estudando e ainda temos estados mais juntas do que nunca, as meninas crescendo a cada dia. Já estavam umas moças, e Adriel só tinha visto elas duas vezes.

Assim, os anos foram se passando. E como minha família mora em outro estado, torna muito caro viajar com elas nas férias. Então, tento suprir a atenção delas como eu posso. Aquele jeitinho que toda mãe faz para deixar seus filhos felizes.

Em ficar em casa, aproveitando com um filminho ou ir à praia e até mesmo ir ao clube que tem aqui perto de casa, já que as amiguinhas delas sempre vão, as meninas já estão entrando para a adolescência. É foi assim que vivemos há mais de dez anos, daqui a pouco minhas bebês vão fazer 15 anos. Parece que foi ontem que meus bebês eram uns pacotinhos lindos que cabiam em meu colo, que acalentava e dava muitos cheiros.

Hoje, o dia, foi muito cansativo, tive que fazer hora extra sem querer porque teve uma falta e, como era na hora que se tem mais clientes, não poderia abandonar, então tive que ligar para minha vizinha Maria, a qual é o meu anjo. Que fique de olho nas meninas, fique um pouco mais com as meninas, sei que elas já estão ficando adolescentes, mas no bairro em que moramos não podemos descuidar. (Me odiando por isso).

Assim que saio do trabalho, vou correndo para a casa, tentar descansar um pouco e aproveitar minhas filhotas. Quando eu terminar de me organizar e aproveitar o restinho da noite com as meninas e depois que elas foram para a cama, eu só quero minha cama, por sorte amanhã será minha folga. Amém! Parece até sonho quando chega a minha folga!

Assim que me deito, meu corpo parece reclamar de tão cansado que está, meu celular começa a tocar, me dá até uma preguiça de levantar, mas a pessoa do outro lado da linha não desiste, então decido levantar para atender.

Quem está com tanta persistência que não po

deria deixar para depois?

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo