Capítulo 4 Capítulo 2.0 Maya

Mesmo que o Destino queira brincar com você!

Depois desse dia cansativo com as meninas, mesmo sabendo que não deveria ter ido ao enterro, de última hora Ayla também ficou sentimental. Não foi nada fácil ver minhas filhas tão tristes daquela maneira. Katharina ficou o tempo todo nos olhando de uma maneira estranha. Já a vi uma vez, mas nunca cheguei para conversar ou conhecer. O pouco que Adriel falou com elas nunca mostrou para as meninas. Não sei o motivo, mas ele fez muito bem. Quanto mais distante das meninas ela estiver, melhor.

Sinto uma sensação ruim quando ela ficou nos olhando!

Quando chegamos em casa, elas ficaram muito caladas, então decide que dormiríamos todas juntas, assim ficamos abraçadinhas e tentamos aliviar essas tristezas do coração delas...

Infelizmente tive que ir trabalhar no domingo e a vizinha veio ficar de olho nas meninas, que caso elas estivessem muito caladas pedi para ela me avisar, eu não gosto de ver elas assim, elas são a minha alegria, minha motivação para enfrentar cada dia que passa, sei que agora ficará ainda mais difícil, mas não será impossível acredito nisso! Nem que para isso eu faça bastante extra, mas não deixarei faltar nada para as meninas!

Não tem aquele dia que tudo dá errado? Pois me sinto hoje! Cheguei um pouco atrasada no trabalho, meu chefe me deu uma bronca, sei que estou errada, mas não era para tanto, mesmo assim seguirei por fazer meu trabalho, tentando não surtar.

Em meio a um atendimento, me distrai e acabei cobrando o valor menor na compra da cliente, resultando no valor de 280,00 que teria que pôr no lugar. Para alguns, esses valores são pouco, mas para mim é muito, já é um valor de comprar cereais ou até mesmo uma conta para ser paga.

Pedi paciência e sabedoria a Deus ou surtaria a qualquer momento, eu ainda tinha que enfrentar o resto do dia pela frente, então teria que ficar mais atenta a tudo, não poderia acontecer outro erro desse ou perderia o trabalho...

Estou voltando para casa mais tarde do que o horário normal, pois preciso fazer um extra para tentar cobrir o valor do meu caixa que faltou. Fico parada na praça tentando eliminar toda essa negatividade que sinto hoje, mas acabo me sentando no banco da praça mesmo sabendo que já é tarde.

Preciso de ar puro para respirar e choro, derramando toda a dor que sinto ao ver minhas filhas tristes. Me sinto tão incapaz por não poder fazer nada para tirar as dores que elas estão sentindo, como se eu fosse culpada por isso. Eu queria ter o dom para poder passar uma borracha, mas não posso, por ser simplesmente uma fraca...

Tento me recompor para voltar para casa, pois já está ficando tarde. Quando um carro reduz a velocidade no meio da pista, empurrando o motorista para fora do carro, fico assustada quando me aproximo, noto que é uma mulher, o carro sair cantando pneu pela pista levantando poeira.

A mulher está com a boca sangrando, ela tenta se levantar, mas acaba caindo, ajudo-a para ela não bater a cabeça no chão...

— Moça, você consegue me ouvir? — Fico desesperada, não sei o que fazer, demora um pouco até ela abrir os olhos e soltar o ar com força.

— Sim, por favor, me ajuda! — Ela pede, fazendo careta, deve estar doendo muito.

— Vou chamar ambulância, como você foi jogada para fora do carro, pode ter machucado algum osso!

— Não precisa, eu consigo me levantar, só me ajudar a levantar, por favor? — Pego em seu braço e apoio em meu ombro, tentando levantá-la, sem me levar junto ao chão, consigo levá-la para o banco na praça, com muito cuidado para não a machucar ainda mais.

— Moça, acho melhor te levar para o hospital, a queda foi feia. — Falo para ela entender que ela poderá ficar com mais sequelas depois da queda...

— É, eu irei, muito obrigada por me ajudar, só preciso me acalmar, estou com meu corpo todo tremendo, pensei que não conseguiria sair do carro. — Ela diz com a voz trêmula.

— Sei que não é da minha conta, mas foi briga ou você foi roubada? — Não escondo a minha preocupação.

— Foi um assalto, estava parada no sinal, quando o ladrão entrou no meu carro e mandou dirigir sem parar ou iria atirar em mim. Fiquei desesperada, porque ele estava muito nervoso e fiquei com medo dele atirar. Quando saí da curva, só pedi para ter alguém para poder pular do carro, eu não sei do que ele era capaz! Quando te vi, me deu força para sair do carro, eu não pensei duas vezes. — Agora ela tocou bem fundo no meu coração, graças a Deus ela conseguiu.

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