Capítulo 6 Capítulo 3.0 Maya
Mais uma rasteira do Destino...
Acordo com as meninas na minha cama.
Durante a madrugada, Aysha teve outro pesadelo, então achei melhor dormirmos juntas. Sei que elas ainda têm a última imagem do pai morto. Mal consegui pregar os olhos e zelar por elas aqui no meu quarto.
Quando já estavam saindo os raios do sol, o cansaço me pegou. Vou saindo da cama devagar para elas não acordarem, minha vontade é de ficar aqui com elas, preciso trabalhar, mas que nunca, agora não posso me dar ao luxo de ficar em casa para cuidar delas. Faço toda a minha higiene, vou para a cozinha, deixo o café delas pronto enquanto dona Maria não chega e assim começa a minha rotina.
Quando estou saindo de casa, meu fixo toca, mas deixo de lado, pois já estou em cima da hora. Se for algo sério, entrarão em contato no meu celular.
Chego no trabalho um pouco mais desanimada, devido ao cansaço que continua presente em mim. Já perdi as contas de quantos cafés tomei só para ficar mais acordada, hoje foi tranquilo e agradeci a Deus por isso, já estava no final do expediente quando meu celular toca um número estranho, resolvo atender.
— Gostaria de falar com a senhora Maya Bellerose?
— Sim, é ela, quem gostaria de falar? — Não reconheço a voz do outro lado.
— Aqui quem fala é um oficial de justiça, tentamos entrar em contato no fixo, mas não tivemos sucesso, amanhã às 10h, gostaríamos de conversar com a senhora? A senhora estará disponível? — Fico curiosa para saber do que se trata.
— Poderia adiantar o assunto? — Não aguento a minha curiosidade e questiono o porquê.
— Não, senhora, só pessoalmente? Posso marcar para amanhã às 09h? — A sua insistência está me deixando com uma pulga atrás da orelha.
— Se não tenho opção, o aguardarei. — Encerro a chamada.
Que estranho, um oficial de justiça, não lembro que eu tenha feito nada perante a justiça. Fico com essa ligação em minha mente martelando...
Assim que chego em casa, as meninas estão assistindo ao filme. Me corta o coração vê-las dessa forma triste, mas tenho fé que tudo isso passará, creio que para melhor!
— Meninas, o que estão assistindo?
— Estamos assistindo uma comédia, é a sua cara, mãe! — Ayla fala com pouco de animação.
— Qual o nome? Agora fiquei curiosa!
— A minha mãe é uma peça! Tem cenas que parece que a senhora que está lá falando dramática, vem assistir conosco, mãe? — Aysha diz.
— Então quer dizer que sou dramática? Deixa só tomar um banho e já venho me juntar a vocês! Quero ver se parece comigo mesmo.
Deixo as meninas rindo na sala e vou em direção ao quarto. Meu celular começa a tocar, quando atendo Katharina, não tenho nada para falar com ela, mas fiquei curiosa para saber o porquê de estar me ligando, já que não temos nada para falar uma com a outra.
— Alô, em que posso ajudar? — Sou curta e direta.
— Queria saber, se você já sabe que tem que sair da minha casa! — A vaca sai soltando seu veneno.
— Do que você está falando, Katharina? Que eu saiba, a casa era do Adriel, por morte dele é das meninas. — Rebato o óbvio.
— Engano, seu querida, a casa é minha e já acionei a justiça, pois quero que vocês saiam o quanto antes da minha casa, planejo pôr ela para alugar quanto antes. — Não a deixo terminar de falar e já a corto.
— Você só pode estar enlouquecendo, eu não vou sair da casa, é das minhas filhas. — Que ousadia dessa vaca, conseguiu me deixar irritada, desligo para não prolongar ainda mais esse assunto com ela.
Fico irritada com a tamanha petulância que ela tem, de me enfrentar dessa forma, não a deixo responder e desligo o celular. Adriel não seria tão idiota a ponto de colocar no nome dela, ou seria? Deus, mais essa, não pode ser verdade. Amanhã mesmo, vou atrás de um advogado para saber sobre isso.
Adriel não poderia ter feito isso com nossas filhas, vou para o banho tentar me acalmar, pois posso ter um treco aqui, de tão pilhada que estou com toda essa informação...
Quando estou debaixo do chuveiro, começo a pensar um pouco mais calma na ligação que recebi hoje, meu Deus, o que faço agora? Me dá uma luz...
Assim que chego na sala, as meninas notam que estive chorando, mas tento ao máximo desconversar, pois só a deixariam ainda mais abaladas...
