Capítulo 10 Capítulo 10
CAPÍTULO 10
Lúcia Russo
Eu fiquei até sem ar... não me lembrava que os quartos daqui eram tão abafados! Fiquei em silêncio, mas sabia que precisava enrolar o máximo possível aquele cowboy safado, quanto mais ele desfilasse daquele jeito, mais eu aproveitaria um acordo que tenho certeza que vou me ferrar, mas já posso dizer que mesmo assim, vou me ferrar satisfeita, até aqui já valeu a pena, pelo menos agora eu tenho certeza que estou buscando no caminho certo! Agora entendo um pouco da ira dele naquele dia... de achar que ele tinha pinto pequeno!
— Tá boa a vista aí? — perguntou descarado, e acho que esse é o primeiro homem além do meu pai que viu Lúcia Russo se calar... como falar algo? Quando estou olhando para um homem perfeito, com o corpo todo quadriculado de tanto exercício pesado, barriga tanquinho, com aquelas duas entradas nos músculos da barriga, coxas levemente inchadas, me lembro de quando usava aquele jeans colado na festa... aquele sorriso safado, parado na porta do closet, segurando uma camisa xadrez na mão, e o corpo nu, com uma tromba gigante, aquele infeliz estava excitado, mas que sem vergonha! Tá gostando da cena, e diz que não me quer? Quer quem, então?
— Você tem alguém! — claro, só pode ser isso! E, o pior é que se for verdade, terei que deixá-lo ir... assim como fiz com o Matthew!
— Num tenho, não! Já tive... mas isso é passado! Agora vai querê ouví, ou não? Já vou me vestí, gostei dessa aqui! — olhou para a peça.
— Sei... — não acreditei nele, tem coisa aí. — fala então... mas só se vesti depois, ok? — negociei.
— Tá! Ocê num vai me deixá i embora né? — perguntou, e neguei com a cabeça. — então eu quero ligá lá pra casa! Preciso avisá que tá tudo bem, meu pai num pode ficá nervoso!
— Você pode mandar um áudio, te empresto o meu celular, e você fala, depois eu envio! Não vou te deixar com um celular funcionando, esse vai estar sem Internet! — falei, mas na verdade achei até bom! Eu iria mesmo precisar de um áudio dele para não levantar suspeitas.
— Pode, sê! Por enquanto... porquê ocê num vai podê ficá me escondendo por tanto tempo! Ninguém é bobo lá, vão descunfiá! — comentou.
— Tenho meus truques! Não se preocupe! — colocou a camisa no armário virando de costas, e... alguém me abane! Que bunda é aquela? O cowboy é bundudo! Toda redondinha, caralho!
— A segunda é o seguinte... vai me prometê se comportá quando eu soltá! Nada de me forçá a nada, e vai me deixá tranquilo!
— Tem medo de tortura, cowboy? — sorri.
— Não... eu sei o que ocê quė!
— E, vai me dar? — pergunto safada, o olhando de forma diferente.
— Não! Eu só tenho a muié que quero, e por enquanto num quero ocê! Porquê não desiste de uma veis? — me jogou um balde de água fria.
— Pois eu duvido! Me solta pra vê se você não muda de ideia! Acha que eu não estou vendo, você de pau duro? Você não me engana, cowboy!
— Ainda num concordô com a segunda oferta, e tem mais uma! — falou, e vestiu a cueca, acabando com a minha alegria.
— Tá, eu concordo com a segunda, mas não veste essa cueca, não! — falei, mas ele negou.
— Já viu muito, agora vô dizê a tercera... quero ir para o concurso! — falou, e franzi o cenho.
— Mas, nem pensar! Pra você fugir, não é? Mas, não vai mesmo! — respondi irritada, e o filho duma égua veio de cueca perto de mim, parece que por onde ele vinha passando, ia ficando mais quente, “gente, se esse cowboy me pega, acho que fico sem voz, e sem buceta” penso.
— Óia orquídea rosa... eu só quero i pro concurso, ok? Se quiser pode ficá perto o tempo todo, ou até segurá na minha mão, mas se alguém perguntá, nois só é amigo, e nada mais! Num quero estragá a minha reputação, a minha família é séria! — ele foi falando e por um milagre consegui pensar com cautela...
— Ok! Podemos ir! Mas, não vai soltar da minha mão, entendeu? — perguntei.
— Tá bem! — virou as costas terminando de se vestir, e lá se foi a minha bela vista...
Olhem o meu plano... ele vai usar um rastreador sem saber! Se alguém da família se aproximar, eu o agarro e falo que estamos juntos, ele não vai negar... sem contar que assim vou ter uma experiência diferente, andar de mãos dadas com um gato desse, vai ser épico, qualquer uma terá inveja, e ele tem muitas chances de ganhar o prêmio...
— Agora me solta, cowboy! Já cansei da brincadeira! — falei, e espero afobada, pois a primeira coisa que vou fazer é pedir ao Romeo para investigar quem é essa mulher que ele já se relacionou que pode ter algo ainda com ela...
— Num posso, orquídea rosa! A chave ficou com o Romeo...
— O QUÊ? NÃO ACREDITO NISSO! — gritei irritada.
— Mais carma! Vô batê na porta, e ele vem!
— Droga! Maldito, cowboy trapaceiro dos infernos!
