Capítulo 3 Capítulo 3 — Uma Ratoeira Para Uma Ratinha

— O que eu deveria fazer com uma ratinha trapaceira como você? — perguntou Dylan, encarando Hayley com um sorriso perigoso. — Se eu quebrar seus lindos dedinhos, será que você aprende? Ou será que torcer seus pulsos vai fazer você pensar no que fez? Muito tentador. Tenho várias opções de puni-la, e todas vão te deixar com muita dor e vão me deixar muito feliz. Agora me diz, pequena ratinha, como pensa em me pagar? Porque não parece que tem esse dinheiro guardado dentro desse vestido.

— Aceita bolos? — respondeu Hayley, tentando parecer calma. — Olha, eu sei fazer um bolo de chocolate perfeito, é uma delícia. Sei fazer docinhos maravilhosos também, de qualquer tipo. Cozinho muito bem, é só escolher que eu preparo algo para o senhor e para esses dois cavalheiros tão educados.

Ela pensou, por dentro, que sua vontade mesmo era xingar os três de tudo quanto era nome, mas sabia que estava em desvantagem ali. Manteve o sorriso no rosto e a expressão mais neutra possível.

— Eu acho que ela está pensando que você paga isso tudo para sua cozinheira, Dylan — comentou Henry, rindo. — Gata, acho melhor levar essa conversa a sério.

— Garota, você tem noção do que vai acontecer com você se não pagar o que deve? — perguntou Doug. — Acho que você está doida para virar adubo de planta.

— Te garanto que serei o adubo mais lindo que as plantas já viram — rebateu Hayley, sem perder o deboche. — Vão crescer tão bonitas que vão virar estrelas de revista.

— Já chega — cortou Dylan, irritado. — Você não está levando nada a sério aqui, né, ratinha? Tem noção de que está a um passo de deixar de existir?

— Para de me chamar de ratinha — protestou Hayley. — Meu nome é Hayley Moser. Hayley. Que saco... Agora eu sei por que essa bebida tem sobrenome de playboy iludido. Meu Deus, que homem irritante.

— Do que você está falando, sua louca? — perguntou Dylan, sem entender.

Ela apenas riu, debochando da situação, e a vontade de Dylan de esganá-la aumentou ainda mais. Ele caminhou até Hayley e segurou firme em seu pescoço, começando a apertar, quando Brooke entrou correndo, sem sequer bater na porta.

— Dylan, é o Drake! Ninguém consegue encontrar ele em casa! Ele não saiu de lá, mas ninguém consegue achar ele, nem os seguranças — disse Brooke, ofegante.

— Vamos, agora mesmo — ordenou Dylan, já se dirigindo para a saída. — Doug, traz essa ratinha impertinente também, ainda não terminei com ela, nossa conversa não acabou.

Dylan entrou em seu carro, e Doug entrou também, empurrando Hayley junto com ele. Pouco tempo depois, chegaram à casa de Dylan. Assim que desceu, ele segurou Hayley pelo braço, arrastou-a para dentro e a jogou em seu escritório. Depois de empurrá-la para dentro, trancou a porta, enquanto ouvia as irmãs gritando pelo nome de Drake pela casa. Surpreendeu-o perceber que Bonnie, mesmo ainda bêbada, não desistia de procurar o sobrinho.

Enquanto isso, no escritório de Dylan, Hayley tentava, desesperada, encontrar uma saída.

— Eu preciso sair daqui — murmurava, socando e chutando a porta, sem sucesso. — Essa droga de porta deve ter aço no meio, não é possível.

Decidiu vasculhar as gavetas, na esperança de encontrar uma chave reserva. Estava no meio da busca quando uma voz a assustou, vinda de um sofá no canto da sala, um lugar para onde ela não tinha olhado desde que chegara. Havia um garoto sentado ali, observando-a.

— Meu pai odeia que mexam nas gavetas da mesa dele — disse Drake, sério. — Ele também odeia que estranhos entrem aqui. Acho melhor você parar agora mesmo, ou será punida. Eu me chamo Drake, e você, como se chama?

— Você é o pirralho que eles estão procurando — constatou Hayley, surpresa. — Me chamo Hayley, Drake.

Em sua mente, ela já começava a arquitetar um plano. Sabia que não era legal usar uma criança daquele jeito, mas era a própria vida que estava em jogo, e aquele menino era filho do homem que a ameaçava.

— Drake, você parece um garoto muito inteligente e gentil — continuou ela, com um sorriso calculado. — Eu te achei aqui. Que tal você pedir para o seu pai maravilhoso me liberar e perdoar minha dívida, hein?

— Eu não sou idiota — respondeu o menino, sério. — E você não vai me usar. Você não me encontrou, eu já estava aqui, e meu pai não perdoa dívidas. Principalmente quando envolve dinheiro, ele não chegou onde chegou perdoando devedor. Acho melhor você pensar em algo melhor para resolver seus problemas.

Hayley engoliu um xingamento inteiro na garganta, irritada com a resposta do garoto. Foi nesse momento que Dylan entrou no escritório e a encontrou ao lado do filho. Ela tentou parecer calma, como se estivesse tudo sob controle.

— Você estava aqui esse tempo todo, Drake? — perguntou Dylan, aliviado e irritado ao mesmo tempo. — Meu filho, não faça isso comigo de novo, está me ouvindo? Você não tem noção de como eu fiquei quando me disseram que você tinha sumido.

Drake pensou, por dentro, que se ela tinha tentado se aproveitar dele por ser uma criança, ele também podia se aproveitar da situação.

— Pai, essa moça se chama Hayley — disse o menino, com um sorriso inocente. — E eu gostei muito dela, parece ser bem legal. Ela me contou que está com uma dívida que não tem como pagar, então eu tive uma ótima ideia. Ela pode ser minha babá, e trabalhando para a gente ela paga a própria dívida.

— Do que o pirralho está falando? — reagiu Hayley, incrédula. — Eu não posso trabalhar de graça para vocês, tenho outras dívidas para pagar. Tá perdendo a sanidade, pirralho?

— Do que você chamou meu filho? — rosnou Dylan, encarando-a com fúria. — Está querendo muito morrer, né, ratinha impertinente? Drake, não sei se é uma boa ideia. Você já viu que ela não é nem um pouco amorosa, calma ou gentil. Ela é um perigo para ela mesma, imagina se vai conseguir cuidar de você.

— Pai, ela não ousaria fazer mal nenhum a mim — insistiu Drake. — Hayley ama a própria vida, ela não é má pessoa, é só impulsiva. Eu quero que a Hayley seja minha babá.

O menino olhou para ela, deu seu melhor sorriso, e correu até o pai, abraçando-o com força, sabendo o quanto Dylan adorava aquele gesto.

— Pai, eu posso colocar ela na linha — sussurrou Drake no ouvido dele, puxando-o para baixo para dar um beijo em seu rosto.

Dylan suspirou, encarando Hayley em seguida.

— Ok, Drake. Você será a babá do meu filho — declarou ele, sério. — Já que ele faz tanta questão de ter você ao lado dele. Mas terá sempre alguém de olho em você. Não se atreva a fazer nenhum mal contra meu filho, ou eu te dou de comer para os meus tubarões de estimação, não duvide disso. Você vai receber apenas dez por cento do seu salário para manter seu pai onde está. E sim, eu sei tudo sobre você. A partir de hoje, vai morar aqui e atender todos os desejos do meu filho. O resto do seu salário será para pagar sua dívida comigo.

— Desse jeito vou ser babá até dos seus bisnetos — protestou Hayley. — Eu sei muito bem que o valor é alto, e não quero trabalhar para a sua família a vida toda. A escravidão acabou há mais de um século.

— Tenho outros tipos de trabalho para você, que serão feitos à noite, quando meu filho Drake estiver dormindo — completou Dylan, com um meio sorriso. — Vai te ajudar a liquidar sua dívida mais rápido comigo.

— Querido, serei babá do seu filho, não sua prostituta — rebateu Hayley, cruzando os braços. — Tire seu cavalinho da chuva se está pensando que eu vou deitar na sua cama. Que abusado, nem me deu flores ou me levou para jantar e já está todo saidinho para o meu lado.

— Mas que ratinha iludida você é — riu Dylan, debochado. — Você nem faz meu tipo, se enxerga, garota. Vai trabalhar no cassino. Drake, leve sua babá para o quarto que você achar melhor, e amanhã continuo minha conversa com ela. Por hoje já me cansei de ouvir a voz irritante dela.

— Obrigado, pai! Eu te amo! — exclamou Drake, radiante. — Venha, Hayley, você vai ficar no quarto de frente para o meu. Pode ficar comigo até a hora que eu pegar no sono.

Drake saiu puxando a nova babá pela mão, com um sorriso enorme no rosto, enquanto ela parecia completamente desesperada. Dylan observou os dois se afastarem, pensando que só queria ver no que aquilo tudo ia dar. Mas uma coisa era certa: ele ficaria de olho naquela ratinha.

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