Capítulo 5 Capítulo 5 — Feito uma Leoa!
A escola de Drake fazia Hayley querer vomitar. Ela odiou aquele lugar. Ali não se podia falar um pouco mais alto sem ser repreendida, e qualquer palavra considerada de baixo nível já vinha acompanhada de um discurso sobre os efeitos na vida da criança. Não aguentou e mandou uma das professoras de Drake para um lugar bem longe, chamando-a de chata e sem graça. A mulher a colocou sentada afastada das outras mães e babás, disse que ela era um mau exemplo para Drake e ameaçou chamar o pai dele.
Hayley pensou, na mesma hora, que aquilo tinha acabado de virar cinquenta tons de cinza para o lado errado. Dylan ia acabar com ela, e dessa vez literalmente. Ficou ali, imaginando as formas mais cruéis de castigo que ele poderia inventar, quando seus olhos captaram algo que fez seu sangue ferver: um garoto maior que Drake segurava seu cabelo, puxando sua cabeça para trás.
Aquilo não ficaria assim. Ela odiava bullying, tinha sofrido isso na própria escola até aprender a se defender, e aquele fedelho não faria o mesmo com Drake. Ninguém machucaria seu protegido no turno dela.
Foi até os dois e segurou firme a franja do garoto, repetindo o mesmo movimento que ele tinha feito com Drake.
— E aí, fedelho, está gostando? — provocou. — Já que fez o mesmo com o meu protegido, deve estar gostando. Quantos anos você tem?
— Ele se chama Marvin e tem treze anos — respondeu Drake, no lugar do garoto. — Ele queria que eu desse mais dinheiro para ele, e eu não tinha mais. O Marvin é só um valentão.
— E ainda tem cara de fracassado — completou Hayley. — Ele pegou seu dinheiro, Drake? Não tenha medo, pode me contar.
— É melhor me soltar, ou a minha irmã vai te dar uma surra, sua louca — ameaçou Marvin. — Você não pode colocar as mãos em mim.
— Drake, me dá aquele copo de água ali — pediu Hayley, sem largar o garoto. — A boca desse idiota precisa ser lavada, e ele parece estar com sede também.
Quando ela ia jogar a água no rosto do menino, alguém a puxou pelo braço. Era a professora insuportável.
— Você está batendo em um aluno dentro da escola — acusou a mulher. — Vou chamar a polícia. Você é como esses abusadores de menores, não vai sair daqui assim tão fácil.
— Ninguém vai chamar a polícia aqui enquanto eu não souber o que está acontecendo — interrompeu Dylan, entrando na sala. — Você de novo, ratinha...
Hayley encarou-o, sabendo exatamente o que ele estava pensando, e adivinhou pelo próprio olhar dele que aquilo também tinha virado cinquenta tons de cinza para o lado dela. Dylan explicou que tinha sido avisado da festa e que os seguranças o alertaram de que ela havia arrumado confusão com todos os adultos ali, obrigando-o a comparecer.
Reuniram-se na sala: a irmã do garoto, o próprio Marvin, Drake, Dylan e a professora.
— Essa mulher vulgar agrediu o meu irmão — começou a irmã de Marvin. — Ela puxou o cabelo dele sem motivo algum, quero que ela pague pelo que fez.
— Sem motivo algum? — repetiu Hayley, incrédula. — Esse fedelho com nome de fracassado puxou o cabelo do meu protegido, que ainda vai fazer oito anos. Olha o tamanho desse garoto e o tamanho do meu protegido. Você só pode estar cega ou maluca, minha querida.
— Drake, isso é verdade? — perguntou Dylan, olhando para o filho. — Ele puxou seu cabelo mesmo?
— Já faz um mês que ele diz que eu tenho que dar meu dinheiro pra ele — confessou Drake. — E que se eu não desse, ele ia bater nas meninas que são minhas amigas. Eu não podia deixar ele bater nelas, pai. Não pode bater em meninas, de nenhuma idade, eu só queria proteger elas.
— Drake, querido, você está dizendo a verdade? — interviu a professora, séria. — Você sabe o que pensamos sobre mentiras, né? Mentirosos não vão para o céu, e são punidos.
Foi a gota d'água para Hayley, que se levantou e puxou a professora pelos cabelos.
— Repete o que você acabou de falar — desafiou, olhando fundo nos olhos da mulher. — Só quero ouvir de novo.
— Eu vou te denunciar! Você está me agredindo gratuitamente! — gritou a professora, desesperada.
— E eu vou fechar essa escola em uma hora — declarou Dylan, se levantando e puxando Hayley pelo braço, que relutava em soltar os cabelos da mulher. Bastou um olhar sério dele para que ela finalmente cedesse. — Vamos, meu filho. E outra coisa: você aí, que não sei o nome e nem quero saber, diga para a sua família que eles têm exatamente duas horas para sair da minha cidade. Nem um segundo a mais. Drake, vamos.
Dylan abriu a porta do carro, e os dois entraram. No caminho para casa, enquanto Drake subia para tomar banho, Dylan segurou Hayley na sala.
— O que você fez por Drake lá na escola, eu não vou esquecer — disse ele, sério. — Você mandou bem, ratinha.
Ele saiu logo em seguida, voltando para a rua, e Hayley só percebeu que tinha prendido a respiração quando precisou urgentemente de ar. Recompondo-se, subiu para ver como Drake estava, e encontrou uma mulher elegante e bonita saindo de um dos quartos. A mulher lançou um olhar frio em sua direção antes de se afastar. Drake saiu do quarto logo depois, visivelmente irritado ao ver a mulher.
— O que você está fazendo aqui, Brooke? — perguntou o menino, contrariado. — Você sabe que eu não te quero aqui, você não é bem-vinda na minha casa.
— Vou falar só mais uma vez pra você, garoto — respondeu Brooke, com desdém. — Seu pai e eu vamos nos casar, e eu vou engravidar do filho que ele vai amar mais do que você. Vai ser questão de tempo até você ir pra um internato de meninos, onde ninguém vai te visitar, porque ele vai estar amando mais o meu filho e nem vai lembrar que você existe.
Hayley não precisou pensar duas vezes. Sua mão encontrou o rosto da mulher sem hesitar.
— Se falar com ele assim de novo, vou quebrar seus lindos dentes e usar como colar — avisou, encarando-a.
— Você nunca mais vai encostar em mim, sua merdinha — rebateu Brooke, furiosa. — Quem você pensa que é? Está aqui só de passagem.
— Acho melhor não me irritar mais, ou vou deixar o outro lado igual — respondeu Hayley, séria.
Brooke saiu dali com o rosto vermelho, e Hayley puxou Drake para o quarto dele, percebendo o estrago emocional que aquela mulher tinha causado na criança.
— Você quer se livrar daquela bruxa má? — perguntou, olhando para o menino com carinho.
— Meu pai não sabe como ela é comigo — confessou Drake, a voz baixa. — E a Brooke disse que se eu contar, ele vai dormir igual minha mãe e nunca mais acordar. Se eu aprendi uma coisa até agora, vendo a vida que meu pai e minhas tias levam, é que a gente não deve duvidar das pessoas. Mas como é que a gente vai se livrar dela?
— Vamos enlouquecer a bruxa até ela pedir demissão e sumir da vida de vocês — declarou Hayley, decidida. — Você sabe onde ela mora? E o mais importante: qual desses seguranças é de confiança? Aquele que levaria seu segredo pro túmulo.
— Tem dois sim, o Lourenço e o Miguel — respondeu Drake. — Só esses dois ajudariam a gente sem fazer muita pergunta. Mas o que você tem em mente?
— Vamos dar um passeio com eles — respondeu ela, com um sorriso maroto.
Os dois seguranças os levaram até a casa de Brooke e desligaram o sistema de alarme, incluindo as câmeras de segurança. Hayley levou luvas para todos e fez pequenas modificações pela casa: pegou o sabonete líquido da mulher e misturou pimenta, colocou removedor de pelos no shampoo e no condicionador. Foi até o closet e fez pequenos cortes sugestivos nas roupas mais caras, deixando ainda alguns cupins na cama dela. Aquilo aliviou um pouco da sua raiva, e ver o enorme sorriso no rosto do menino não tinha preço.
