Capítulo 2 capítulo 2
Pelos gemidos que ouviu ao passar diante do quarto de Bianca, os dois estavam bem ocupados, e ele não quis atrapalhar. Saiu e, já na rua, mandou uma mensagem para ela.
Ao chegar ao clube, encontrou Sofia e Luca na entrada, animados.
— Não estamos aqui para diversão, e sim para ver se está tudo certo mesmo — disse Damian.
— Você não vai fazer chover na nossa noite perfeita — reclamou Luca.
— Acho que vamos ter que embebedar ele, porque essa versão que estamos vendo é muito chata — disse Sofia.
Ele os ignorou, e entraram. O ambiente estava do jeito que haviam pedido, sem nada de diferente além das mesas extras. A música estava um pouco alta, mas baixaram assim que perceberam sua presença.
— Sabemos muito bem para onde você vai agora, e decidimos ficar por aqui — disse Luca.
— Aproveitem a noite. Eu vou trabalhar.
Damian os deixou no salão e foi para o próprio escritório. Ligou a tela tripla de computador, abriu as imagens das câmeras de segurança e viu, em uma delas, o casal que já havia notado mais cedo nas gravações. Pareciam nervosos e ansiosos. Decidiu ir até eles.
Ao se aproximar, viu que a mulher estava muito nervosa. Ouviu um dos seus homens dizer que a saída dos dois não seria permitida até que pagassem o que deviam.
— Algo que eu possa ajudar vocês? — perguntou Damian.
O homem se apresentou como Carl, e a mulher, como Lais.
— Nós não sabemos como acabamos perdendo tanto — disse Carl.
— Já não temos mais nada. Perdemos o nosso último dinheiro — completou Lais.
— Levem os dois para o meu escritório.
Levaram-nos, e assim que chegaram, Damian falou:
— Vocês não deveriam apostar, já que não têm como pagar. Algo de valor, além da casa de vocês?
— Não temos mais a casa como garantia. Está hipotecada — respondeu Carl.
— O que mais de valor vocês têm? — Damian olhou para os dois, e apenas a mulher respondeu.
— Nossa filha… Isabella.
— Lais! — protestou Carl.
— A filha, é? Mostre-me uma foto dela.
— Ela é uma jovem muito estudiosa e linda. Tem apenas vinte e três anos.
Quando Damian viu a jovem de cabelos negros e lisos, sorriso encantador e olhos alegres, sentiu o coração falhar uma batida.
— "O que foi isso?" — pensou.
Uma necessidade repentina de ter aquela garota tomou conta dele, ao ponto de não conseguir raciocinar direito.
— A sua filha será o pagamento da dívida de vocês. Vou redigir um contrato, e vocês vão assiná-lo, entregando-a em troca do que devem. Se tentarem me enganar, mato toda a família de vocês.
Eles o olharam aterrorizados. Damian se sentou e começou a digitar o contrato no computador, erguendo os olhos para os dois de vez em quando. Ao terminar, fez três cópias, e eles assinaram todas com as mãos trêmulas.
— Aqui está dizendo que o senhor vai se casar com ela — disse Carl. — Eu não sei se ela vai querer se casar com o senhor.
— Está escrito aí que ela tem o direito de dizer "não"?
Carl balançou a cabeça, negando.
— Então assinem, e me tragam a garota amanhã, aqui mesmo. Vocês terão até às dezoito horas. Se ela não estiver aqui até lá, as coisas não serão boas para vocês.
— Senhor, ela vai nos odiar se for obrigada a se casar com o senhor por causa de um erro nosso — disse Lais.
— Isso já não é problema meu. Vocês sabiam das consequências, não entraram aqui sem saber o que realmente era este lugar.
— Um amigo me disse que era fácil ganhar uma grana e apostar ao mesmo tempo — disse Carl. — Como queríamos pagar a hipoteca da casa, acho que não pensamos direito.
— Não pensaram mesmo. E agora, olhem onde estão. Já assinaram?
Eles lhe entregaram os contratos. Damian devolveu uma cópia a cada um e ficou com as outras duas, já que teria que entregar uma à garota.
— Podem ir. Mas não se esqueçam de que estão nas minhas mãos, então é bom trazerem a filha de vocês no horário.
Carl abraçou a esposa e saiu do escritório. Damian ficou com a imagem da jovem mulher na mente. Isabella. Seria interessante tê-la ao seu lado. Queria entender o que havia sentido ao vê-la pela primeira vez.
Ainda com a mente a mil, ouviu seus amigos entrarem.
— Você precisa descer — disse Sofia. — Encontramos uma bebida deliciosa lá no bar.
— E eu já tenho companhia para a noite. Vai ter fogo na minha cama de madrugada — disse Luca.
— Agradeça a mim, que conversei com a mulher para você. E nem venha dizer que não foi eu, ou te dou uma surra — ameaçou Sofia.
— Calma aí… Você me ajudou, sim. Obrigado.
— Vamos descer logo. Quero provar essa bebida maravilhosa.
Eles o olharam incrédulos.
— Vão ficar aí parados me olhando?
Começaram a rir e desceram juntos. Damian tomou algumas doses, depois foi
para casa, jogou-se na cama do jeito que estava e apagou. Sonhou com a jovem de sorriso doce.
