Capítulo 4 capítulo 4
Depois do expediente, ajudaram Austin a limpar a cafeteria e fechar a loja. Como moravam na mesma rua, foram juntos para casa e saíram direto para o bar. Ao chegar, escolheram uma mesa e se sentaram.
— Vou até o balcão pedir nossas bebidas — disse Lindsay. — Vocês vão querer o quê?
— Dose dupla de whisky — pediu Austin.
— Cerveja, para mim — disse Isabella.
Lindsay saiu cantarolando em direção ao bar, e Austin ficou preocupado ao olhar para a amiga.
— Amiga, eu sei que você está indo bem na cafeteria, e hoje bateu a meta de novo, mas você está trabalhando das sete da manhã às oito da noite. São treze horas! Você é só um ser humano, vai acabar doente.
— Eu não tenho tempo para pensar em quanto tempo ou quantas horas trabalho, Austin. Preciso dar um jeito de tirar meus pais dessa vida e pagar essa droga de dívida com o banco logo.
— Eu sei que você ama seus pais, mas eles não estão facilitando a sua vida. Onde eles estão agora, neste exato momento?
Isabella olhou para ele e abaixou a cabeça.
— Nem você sabe, não é, amiga?
— Austin, eu só quero beber e esquecer meus problemas, por favor. Amanhã vou ajudar a senhora Kassingk com o jardim e a limpeza da casa dela, para ganhar um extra. E hoje eu só quero beber.
— E você ainda vai trabalhar na sua folga. Isabella…
— Por mim, eu nem queria essa folga, já que ganho mais na cafeteria mesmo.
Ela olhou para o balcão, procurando por Lindsay, que ainda não tinha voltado. Quando a encontrou, apontou para Austin.
— Olha aquilo.
— É sério isso? Ela foi buscar nossas bebidas e está beijando o barman? Vou lá buscar as bebidas, porque hoje essa maluca não sai desse bar.
Isabella riu, e logo ele voltou com a cerveja dela e o whisky dele. A noite foi ótima, e decidiram ir embora um pouco depois das três da manhã, arrastando Lindsay, que tinha acabado transando com o rapaz no depósito do bar.
No dia seguinte, Isabella acordou com um pouco de dor de cabeça, tomou banho e vestiu uma calça jeans com uma blusa de alcinha preta. Calçou o tênis all star preto, prendeu o cabelo em um rabo de cavalo alto e desceu para tomar café. Estranhamente, a mãe já estava na cozinha, e a mesa, posta.
— Bênçã, mãe — disse ela, dando um beijo e um abraço em sua mãe, que tremeu ao seu toque. — Mãe?
— Deus abençoe minha filha — disse minha mãe. — Quer panquecas com morango e banana? Sua favorita! Tem calda de chocolate também.
— Mãe, cadê o meu pai?
Assim que fechou a boca, ele entrou na cozinha, e ao vê-lo, Isabella o sentiu estranho também.
— Bênçã, pai.
Deu um beijo e um abraço nele, e o sentiu tremer também.
— Tem alguma coisa acontecendo aqui?
Os dois a olharam, mas não disseram nada. Ela se sentou e tomou o café da manhã. Ao terminar, se despediu deles e foi para a casa da senhora Kassingk.
Quando finalmente terminou a limpeza e o cuidado do jardim, a senhora lhe pagou trezentos dólares, e Isabella saiu de lá em direção à própria casa. No caminho, notou algo estranho: havia um carro muito chique na porta de casa. Ao chegar, ouviu o pai dizendo a alguém:
— O senhor disse hoje às dezoito horas em ponto. Não íamos nos atrasar. Ainda nem conversamos com ela.
— Sou impaciente.
Isabella entrou e viu um homem forte, elegante, de olhos cor de âmbar, cabelos castanho-avermelhados e olhar frio. Quando entrou, o olhar gélido dele se voltou para ela.
— Precisa conversar comigo sobre o quê, pai? — perguntou ela. — Não me diga que está devendo dinheiro para esse… — olhou mais uma vez para o homem, depois desviou o olhar para o pai. — Senhor, está?
— Filha… eu… minha filhinha… nós… sua mãe e eu… — gaguejou Carl.
— Filha, esse é o senhor Damian De Santis — disse Lais. — Ele… ele está aqui para…
— Vocês são dois covardes — cortou Damian. — Não conseguem nem dizer para a própria filha que a venderam para mim, para pagar a enorme dívida que vocês têm.
— Primeiro, não fale assim com eles, eu não permito — disse Isabella. — E vocês podem me explicar, sem que eu tenha que ficar perguntando o que esse senhor sei-lá-quem quis dizer?
— Nós temos uma dívida alta com ele — disse Carl. — E a condição dele para não cobrar é se casar com você.
— Ele veio te buscar, filha — completou Lais.
— Vocês estão brincando comigo, não é? Diga que sim.
Eles a olharam e abaixaram a cabeça. Isabella olhou para o homem, que se levantou devagar e caminhou até ela. Devia ter uns um metro e noventa de altura, o que fazia o um e sessenta dela parecer o de uma criança diante dele. Ele parou de frente para ela e, olhando em seus olhos, entregou-lhe um documento.
Ainda sem tirar os olhos dela, disse:
— Creio que você não terá nenhuma dúvida depois de ler esse contrato que seus pais assinaram ontem.
Isabella leu o contrato com as mãos trêmulas, os olhos deixando cair lágrimas insistentes. Viu que ele já havia pago a dívida no banco e que a casa voltou a ser dos pais. Ele também havia proibido a entrada dos dois em seus clubes de aposta, fora ali, então, que a haviam colocado à venda. No contrato constava ainda um valor simbólico de duzentos mil dólares para eventuais despesas, já que era ela quem sustentava a casa.
— Senhor… eu sou uma mulher de vinte e três anos e não vou sair daqui para lugar nenhum com o senhor. Então vamos ao que interessa: o senhor pagou a dívida dos meus pais, e agora eles devem o dobro do que deviam antes. Se o senhor aceitar, posso pagar uma parcela todo mês, é só estipular um valor.
O homem deu uma risada alta.
— Garotinha, você ainda não entendeu? — Ela o olhou, confusa. — Sou um mafioso, e seus pais estão na boca do lobo, prestes a serem devorados. Você é o pagamento da dívida, e vem comigo agora. Ou, então, seus pais ficarão sem andar pelo resto da vida. Você decide.
Isabella olhou para os pais, que continuavam com a cabeça baixa.
— Vocês pelo menos têm coragem de me encarar e se desculpar pelo destino que me obrigaram a ter? Vocês me jogaram nas mãos de um estranho sem o meu consentimento, e agora ficam aí, com essas lágrimas. Querem que eu sinta pena de vocês por terem arruinado a minha vida? OLHEM PARA MIM!
O homem colocou a mão em seu ombro. Ela olhou bem nos olhos dele.
— Tire a sua mão de mim agora mesmo.
— Acho melhor você entender, desde já — disse Damian, segurando-a firme e jogando-a sobre o próprio ombro. — Não é você quem manda aqui.
Ele a jogou sobre o ombro rápido demais, e ela começou a gritar e se debater. Os pais tentaram se aproximar, mas homens de terno preto e óculos escuros entraram de repente na casa, formando uma barreira que os impedia de chegar perto.
Isabella bateu e se debateu, mas o homem era forte demais e nem se abalava com o que ela fazia. Ele a colocou dentro do carro, prendeu o cinto de segurança nela, trancou as portas, mas não entrou. Olhou para um dos seguranças e disse:
— Vai lá dentro e diz para eles arrumarem uma mala, só com os documentos dela, e só saia de lá depois que te entregarem.
Ele entrou no carro. Isabella gritou:
— VOU FAZER DA SUA MALDITA VIDA UM INFERNO!
— Garotinha, vou te apresentar ao meu inferno pessoal, e você vai ver que não é nada perto do que você pretende fazer comigo — respondeu Damian, rindo alto.
Ele ligou o carro e arrancou. Isabella viu sua vida ficando para trás, sendo arr
astada rumo ao inferno por um estranho, entregue por quem deveria amá-la e protegê-la.
Sua vida havia acabado.
