Capítulo 6 capítulo 6

O que ela tinha na cabeça? Ela ia mesmo deixar que ele a beijasse? Havia perdido a sanidade, só podia ser isso.

— Espero que seja realmente urgente, Luca. Você interrompeu algo que eu queria muito, e vou descontar todo o meu mau humor em você.

— Por que está vestido assim? Esqueceu que temos que nos vingar daquela gangue de merda que ateou fogo em um dos nossos clubes?

— Eu… me espera lá embaixo. Droga!

Damian se vestiu na força do ódio, e podia-se ter certeza de que naquela noite ele iria moer ossos.

Enquanto ele descia, Isabella se vestiu, e ao perceber que a porta não estava mais trancada, saiu do quarto e desceu as escadas.

— Para que uma casa tão enorme? Não vi ninguém aqui ainda — disse ela, assustando-se com uma voz vindo de trás.

— Você vai se acostumar — disse Bianca. — Normalmente somos só eu e meu noivo aqui, já que o Damian deixou o Diego trabalhar de casa, para eu não ficar tão sozinha.

— Seu irmão é um babaca, um sequestrador idiota. Imagino que já saiba que ele me tirou da minha casa e me trancou aqui.

— Hmm… não foi bem assim, meu anjo. Meu irmão tem vários defeitos, sim, mas ele não mentiu. Ele me disse que seus pais entregaram você como forma de pagamento.

— Dá no mesmo! Quem aceita um ser humano como forma de pagamento?

— Você é a primeira mulher que entra aqui como companheira dele. É o primeiro relacionamento que ele vai assumir em anos. Você vai ser a primeira e única senhora De Santis. Qual é o seu nome? Eu me chamo Bianca.

— Me chamo Isabella.

— Então, Isabella, você é uma sortuda. Mas ele não tem prática em relacionamentos… meu irmão já sofreu um pouco na vida.

— Eu não vou me apaixonar por ele. A única coisa que eu quero agora é ir para outro país e esquecer tudo o que me aconteceu nas últimas horas.

— Deixa de ser boba, cunhadinha. Você pode ter ele na palma da mão e fica aí se lamentando. Mulher, você vai ser esposa de um mafioso, vai ter direito a tudo que é dele e vai ter direito a ele também… Convenhamos que ele é um gato e é perfeito, né?

— Para alguém acostumada a trabalhar em um café das sete da manhã às oito da noite e limpar a casa de uma senhora, isso aqui é um mundo que não me pertence. Meus amigos devem estar preocupados comigo, e eu só estou tentando ter minha vida de volta. Sei que, na sua opinião, eu deveria aproveitar, mas eu não tenho sentimentos pelo seu irmão, esta não é minha casa, e eu não quero me casar com ele.

— Quer conhecer a mansão e jantar comigo? Meu noivo teve que viajar para trazer os pais dele para passar o Natal aqui, já que vão ficar também para o nosso casamento, que, por mais que você odeie, vai ser no mesmo dia que o seu. Espero que não se importe com o casamento duplo, afinal, sou eu que vou preparar tudo.

— Pode deixar… eu realmente não me importo. Mas você parece ser muito legal.

— Vou tentar te ajudar a se apaixonar por "tudo" aqui. E quando digo "tudo", é "tudo".

— Você… o que tem para comer?

Enquanto isso, em algum lugar da cidade, Damian e Luca acabavam de eliminar uma gangue.

— Olha… hoje você caprichou. Gostei de ver. Estava mais cruel do que de costume — disse Luca.

— Como eu disse, você atrapalhou algo importante. Mas antes que você e a Sofia saibam por outras pessoas, vou falar com os dois de uma vez. Vou contar quando chegarmos ao bar, onde ela está nos esperando.

Ao chegar ao bar, Sofia já veio ao encontro deles com três garrafas de cerveja na mão. Damian pegou a sua e virou de uma vez, enquanto Luca dizia:

— Ele tem algo para nos contar!!! E ele nunca tem nada para nos contar!!!

— Pode tratar de abrir essa boca linda que Deus te deu! Vamos logo! — disse Sofia.

— Vou me casar. Depois do Natal.

Os dois o olharam e começaram a rir.

— Podem rir, é a verdade.

— Vai casar com quem, desgraçado? Você nem namora! — disse Sofia.

— Me diz que você não caiu no golpe da noiva árabe — provocou Luca.

— Vocês são tão irritantes. Não está mais aqui quem falou. Se quiserem ir ao casamento ou não, tanto faz.

Damian virou a garrafa de uma vez e, depois de esvaziá-la, completou:

— Agora vou tentar continuar de onde parei antes de esse idiota me interromper.

Saiu do bar e voltou para casa. A mente insistia em lembrar a imagem dela nua, a sensação, o calor dos lábios dela quando estavam próximos aos dele — o corpo se acendia e esquentava de novo. Entrou em casa, já silenciosa, foi até o quarto dela e viu que já dormia.

Não seria daquela vez, mas ele não sairia dali sem sentir os lábios dela nos seus — pensou, olhando para a boca de Isabella. Beijou-a, e ela acordou, empurrando-o para longe.

— Por que fez isso? Eu ainda não sou sua esposa! Você não pode entrar aqui assim e…

— Quer dizer que, depois que a gente se casar, por você tudo bem a gente…

— Não! Não foi isso que eu quis dizer! Quer saber, sai daqui!

— Vou sair só pelo simples fato de que preciso acordar cedo para trabalhar. Mas não vai ser sempre que terei essa paciência com você. Então, quanto antes você colocar nessa sua cabecinha linda que é minha, mais fácil e melhor vai ser para você.

Ele se levantou, e antes de sair, voltou até a cama, subiu sobre ela, segurou firme o rosto dela e a beijou de um jeito que deixou os lábios dela inchados na mesma hora. Olhou bem nos olhos dela e disse:

— Isso é só o começo, garotinha.

Saiu dali e se jogou na própria cama. O sonho que teve com ela foi tão quente que acordou s

uado e com muito calor. Não seria um simples banho frio que baixaria sua temperatura.

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