Capítulo 3 Susany
Capítulo 3
Don Antony
Saio dos meus pensamentos quando alguém entra na sala VIP da boate.
— Estressado, meu Don? — Susany passa as mãos nos meus ombros. — Vim ver se precisa de algo... — Ela está com aquela saia curta, estilo estudante que adoro.
— Um pouco… mas hoje nem você vai tirar o meu estresse.
— Aposto que te faço relaxar... — falou de forma sexy e passou a mão no meu pau por cima da calça.
— Hum... mão gostosa, Susany. Mas hoje quero ficar sozinho — me ajeitei na cadeira.
— Tem uma coisa muito mais gostosa, aqui... — veio com a mão novamente e me irritei.
— Saia, Susany. Se eu precisar dos teus agrados eu chamo — falei mais firme, porém tentando não me irritar, pois amanhã acordarei cedo para ver a minha noiva, e pretendo estar de bom humor.
Ela voltou chateada para o polidance, e então fiquei apenas olhando, por incrível que pareça tenho vontade de passar a noite com a Fabiana, aquela ragazza me intriga muito.
No dia seguinte:
Acordei e ainda estava escuro. Fui até o jardim, pois quando fico irritado as flores têm o poder de me acalmar. Assim que toquei na primeira rosa me lembrei dela... a catadora que me encanta com aquele jeito delicado.
A terra estava gelada, e o sol nem havia nascido. Os pássaros estavam dormindo, e eu relaxei plantando as novas mudas que separei ontem.
Com cuidado coloquei uma delas num vaso, peguei o boné e fui andando pela estrada sentido à casa dela. Quem me vê como o Don, e como estou agora, se não me conhecer o suficiente não vai me reconhecer.
Da estrada eu conseguia ver um pouco do que acontecia lá em cima, pois a casa dela ficava no alto, quase que um morro e havia mato dos lados. Sorri satisfeito quando a vi, ela estava me procurando, pois olhava de um lado para o outro, então levantei a mão e ela fez sinal para que eu subisse.
O portão estava aberto, mas fui devagar. Estranhei aquele lugar... havia sacos enormes de um lado, e do outro lado uma pilha de sacos de lixo, e fiquei pensando em como uma moça tão linda e delicada estaria nessa vida.
— Você voltou! — ela chegou bem perto. Hoje ela estava mais arrumada, não estava suja, seus cabelos estavam mais alinhados.
— Vim te ver. Trouxe uma muda de rosa, que é tão linda quanto você... — entreguei e ela sorriu lindamente, vi duas covinhas em seu rosto.
— Ah, meu Deus. Que lindo... você é jardineiro? — ela segurava o vaso com cuidado e seu jeito delicado de manuseá-lo me fez admirá-la ainda mais.
— Pode-se dizer que sim — sorri, gostando da brincadeira.
— Acho um trabalho lindo, eu gostaria de fazer isso, mas infelizmente não posso — ela olhou em volta. — Se não se importa, preciso continuar o trabalho, pois o meu tio está para acordar e ele fica furioso quando me enrolo.
Fui para perto dela e segurei suas mãos.
— Deixa que encontro um lugar para o vaso — vi que ela ficou olhando para a minha mão em cima da dela, parecia sem graça. — Você tem a pele macia... — elogiei e levei a mão até seu rosto e o toquei devagar, notei que ela ergueu a sobrancelha e não teve reação. — Desculpe, acho que te sujei de terra — falei tentando limpar.
— Ah, não tem problema. Sou acostumada a ficar suja — disfarçou se afastando e já começou abrir um saco preto, grande. Coloquei o vaso numa mureta e a observei.
— O que está fazendo? — ela colocou a mão dentro do saco de lixos, e fiquei espantado.
— Preciso averiguar todos aqueles lá — apontou para a quantidade exorbitante de sacos. — E quando terminar, meu tio vem com a carretinha e a gente sai para coletar mais... Bom, no caso eu.
— Caramba... e você precisa tocar nessas coisas? Não teria que usar uma luva?
— Sim, mas infelizmente o meu tio não compra, então eu me viro como dá. Olha... eu preciso separar o plástico, o papelão, ferro, e por assim vai. A lista de materiais é extensa e o que dá mais dinheiro é o cobre que encontramos nos motores que jogam fora, e também os metais danificados, principalmente aquelas torneiras velhas.
— Então você tem um salário? — abaixou a cabeça, separando mais rápido. Vi que ela jogava os itens do saco plástico nos outros grandes, os separando.
— Em teoria seria assim, mas... — cheguei bem perto dela e ergui o seu rosto.
— O que foi?
— Meu tio não me paga nada.
— Isso não é justo.
— A vida nunca é justa... — Vi uma lágrima escorrendo em seu rosto.
— Pare. Solta esse lixo, ele não pode te obrigar — empurrei o saco para longe dela e a abracei.
— Eu não posso...
— Ele te ameaça? Fez algo para você? — Senti o meu sangue ferver só de imaginar que ele poderia tê-la tocado.
Ela olhou para cima para me olhar e ainda chorava. Parecia se lembrar de algo.
— Não — se afastou dos meus braços. — É que preciso trabalhar, se não, não teremos alimento — disfarçou e puxou o saco novamente, voltando ao seu trabalho. Pegou uma torneira e deu um sorriso mentiroso.
— Essa pode ser metal. Nem todas são, precisamos esfregar no piso bruto ou passar uma faca e ver se a cor de baixo fica amarela — disfarçou completamente.
— Então, se ficar amarela é metal? — cheguei bem perto.
— Sim... vou acelerar aqui, estou atrasada.
— Vou te ajudar até dar o meu horário — falei sem pensar e sem saber como fazer, mas agora já era.
— Sério? Nossa, você é um fofo — puxei outro saco e comecei a abrir. — Mas, não se incomode, o meu tio pode não gostar.
— A hora que ele acordar eu pulo a mureta e vou embora, aposto que nem vai me ver — falei animado.
Ela sorriu, me explicou algumas coisas e fui ajudando devagar. Quando um item curioso caiu no chão, ela correu para pegar, e como eu havia me abaixado também, nossos rostos ficaram muito próximos.
Eu a ajudei a ficar em pé enquanto nossos olhares se cruzavam. Senti vontade de beijá-la, ter seu corpo junto ao meu, me aproximar... ela parece estar mais bonita a cada dia, e fico mais louco para que o dia do casamento chegue e eu possa fazê-la minha.
Eu me aproximei para beijá-la e vi que fechou os olhos, ela deixaria..., mas um barulho dentro da casa me chamou a atenção e me afastei.
— Acho que ele acordou.
— Eu vou embora. Me espere, amanhã — respondi lhe dando um selinho e ela pareceu assustada, colocou a mão na boca e eu pulei a mureta.
Antes de descer me escondi um pouquinho para ouvir como o tio dela a trataria, pois achei estranha aquela conversa, e mais ainda as frases que ouvi:
— Sua vadia, trouxe outro homem pra cá? Eu já te falei sobre isso. Não quero ninguém te beijando pelos cantos, você já tem dono.
— Ai, não me machuque. Eu não tive culpa!
— Não vou machucar. Infelizmente você se casa com o rico em breve, não posso correr o risco dele te devolver.
— EU NÃO QUERO AQUELE NOJENTO, VOCÊ SABE MUITO BEM! TENHO PAVOR DE OLHAR PRA ELE, NÃO O DEIXAREI SE APROXIMAR DE MIM — fiquei enfurecido.
Além dela ter costume de trazer homens aqui, ainda me detesta e sente nojo de mim? Encostei na mureta e desci pelo mato, pois não queria ouvir mais nada.
Fiquei muito revoltado, e quando cheguei em casa fui tomar banho, mas o sentimento começou a aumentar e fazer meu peito doer. Joguei a garrafa de Whisky na parede, que se reduziu a cacos.
— Meu Deus. O que aconteceu com você? — Laura me perguntou, mas eu não estava a fim de responder.
— Separe dois carros e seis soldados. Peça a governanta que separe alimentos e levem ao endereço que vou passar — ela ficou me olhando.
Comecei a escrever o endereço num papel, e assim que terminei escrevi um bilhete:
“Nosso casamento foi agendado para sábado, faltam três dias, então se apresse em arrumar suas coisas, e mande seu documento pelos soldados. Espero que tenha me dito a verdade aquele dia, pois no sábado saberei se preciso matar alguém.”
— O que é isso? — Laura questionou.
— Não estou disposto a responder perguntas, vou atirar.
Virei as costas e peguei minha arma indo ao lado de fora atirar, treinar tiros me ajuda a aliviar o estresse. Liguei na boate e pedi para trazerem a Susany, ela me fará tirar aquela ragazza maledetta da cabeça.
