Capítulo 1 PRÓLOGO

Thomas Cooper

Um barulho forte vindo do andar de baixo me faz despertar assustado.

Abro os olhos de uma vez e me sento na cama, sentindo o coração disparar dentro do peito. Por alguns segundos, permaneço completamente imóvel, tentando descobrir o que acabou de acontecer.

O que foi isso?

Olho para a porta do quarto e penso em simplesmente voltar a me deitar. Seja lá o que estiver acontecendo lá embaixo, provavelmente não é da minha conta. E, se meus pais descobrirem que saí do quarto por curiosidade, tenho certeza de que vou acabar sendo castigado.

Outro barulho ecoa pela casa, dessa vez muito mais alto.

Dou um pequeno pulo.

Meu Deus.

A curiosidade acaba vencendo o medo de ser pego. Saio da cama devagar e caminho até a porta, abrindo-a com cuidado para não fazer barulho. Espio o corredor antes de sair e começo a andar lentamente em direção à escada.

Meu coração bate tão rápido que parece querer sair pela boca.

Quando chego ao alto dos degraus, não desço imediatamente. Fico escondido atrás da parede e inclino apenas um pouco o corpo para conseguir enxergar a sala.

Então congelo. Há vários homens dentro da nossa casa. Todos estão vestidos de preto, e alguns seguram armas. Meus olhos se arregalam ainda mais quando encontro meus pais ajoelhados no chão diante deles.

O que está acontecendo?

— Onde está o dinheiro do nosso chefe?! — grita um dos homens, apontando a arma para meu pai.

Franzo a testa. Não entendo uma única palavra. Que língua é essa?

— P-Por favor... Eu vou pagar — implora meu pai.

Pagar? Pagar o quê?

Continuo escondido, tentando entender o que está acontecendo. Nunca vi meu pai daquele jeito. Ele está pálido, assustado, completamente diferente do homem que sempre parece tão grande quando está gritando comigo.

— Vocês acham que somos idiotas? Sabemos que tinham o dinheiro! Não pagaram porque não quiseram!

O homem volta a gritar, mas continuo sem compreender nada. Pelo tom de voz e pela arma apontada, porém, não preciso entender as palavras para saber que ele está furioso.

Deveria voltar para o quarto. Na verdade, deveria ter feito isso desde o começo. Começo a recuar lentamente, mas, antes que consiga dar o primeiro passo, meu pai levanta o rosto. Seus olhos encontram os meus. Meu corpo inteiro paralisa. Por alguns segundos, apenas nos encaramos. Espero que ele mande que eu volte para o quarto ou faça qualquer coisa para me tirar daquela situação.

Mas isso não acontece. Em vez disso, um sorriso estranho aparece em seu rosto. Sinto um arrepio percorrer meu corpo.

— Ali! — meu pai aponta diretamente para mim.

Todos os homens se viram ao mesmo tempo. Dou um passo para trás.

Não.

— Ele pode ser o pagamento para o chefe de vocês.

Meu coração parece parar.

Pagamento?

Por alguns segundos, não consigo nem respirar.

O que ele acabou de dizer?

Os homens olham para mim de cima a baixo e começam a conversar naquela língua que não consigo compreender. Não faço ideia do que estão dizendo, mas os olhares que lançam em minha direção fazem meu estômago se revirar.

— Muito bem.

Um deles começa a caminhar na minha direção.

Não.

Não, não, não.

Minha mente grita para que eu corra. Quero voltar para o quarto, fechar a porta, me esconder em qualquer lugar. Só que minhas pernas simplesmente não obedecem. Fico parado enquanto o homem sobe os degraus. Quando finalmente consigo reagir, já é tarde demais.

Sua mão se fecha com força ao redor do meu braço.

— Ah!

Ele me puxa, e quase tropeço nos próprios pés ao ser obrigado a acompanhá-lo.

— Ande logo, porra!

Não entendo o que ele diz, mas sua voz irritada é suficiente para me fazer encolher os ombros e apressar os passos.

Olho desesperadamente para os meus pais.

Talvez meu pai tenha falado aquilo apenas para ganhar tempo. Talvez minha mãe vá impedir. Talvez algum dos dois diga que foi um engano e mande aquele homem me soltar.

Qualquer coisa.

Mas nenhum deles faz nada.

Eles continuam ajoelhados no chão.

E estão sorrindo.

Alguma coisa dentro de mim se quebra.

Eu sempre soube que meus pais não me amavam. Cada tapa, cada soco, cada castigo e cada noite em que fui dormir com fome deixaram isso muito claro. Mesmo assim, em algum lugar dentro de mim, ainda existia aquela esperança idiota de que um dia alguma coisa mudaria.

Que talvez eu finalmente fizesse alguma coisa certa. Que eles olhariam para mim e enxergariam um filho. Mas agora entendo. Para eles, eu nunca fui um filho.

Sou apenas uma coisa que podem entregar quando precisam pagar uma dívida.

As lágrimas começam a embaçar minha visão enquanto sou arrastado para fora da única casa que conheço.

Não sei quem são esses homens. Não entendo a língua que falam. Não faço ideia de quem é o chefe deles ou por que meus pais lhe devem dinheiro.

Muito menos sei o que significa ser usado como pagamento.

Só sei que ninguém está vindo me buscar.

Ninguém vai mandar que me soltem.

E, quando a porta da casa se fecha atrás de mim, uma única pergunta permanece presa na minha cabeça:

Para onde estão me levando?

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