Capítulo 2 CAPÍTULO 01

Thomas Cooper.

O carro para, e olho pela janela, percebendo que estamos em um aeroporto. Arregalo os olhos, sentindo meu coração apertar ainda mais.

Eu vou ser levado para longe? Por que isso só acontece comigo?

— Vamos. — O homem diz alguma coisa que não entendo e me empurra para que eu continue andando.

Sigo em frente sem ter muita escolha e reparo que há outros homens no local. Alguns estão espalhados pelo caminho, e não reconheço nenhum deles. Na verdade, não reconheço absolutamente nada ao meu redor.

— Quem é esse garoto? — Um homem loiro fala algo ao se aproximar de nós.

Olho de um para o outro, tentando entender aquela língua estranha, mas não consigo reconhecer uma única palavra.

— O pagamento.

O homem loiro me olha de cima a baixo, demorando alguns segundos em sua análise. Seu olhar frio me deixa ainda mais assustado, e instintivamente abaixo os olhos.

— Certo.

Ele dá as costas para nós e segue em direção ao jatinho que está parado mais à frente.

Engulo em seco ao ser empurrado novamente para continuar andando. Seguro o soluço que ameaça escapar da minha garganta enquanto me aproximo da aeronave e, quando finalmente entro, sinto o medo crescer ainda mais dentro de mim.

O que vai acontecer comigo? Para onde estão me levando? Quem são essas pessoas?

São tantas perguntas, mas nenhuma resposta.

Sento-me em uma das poltronas, e o homem puxa o cinto, prendendo-o em minha cintura. Fico imóvel enquanto ele faz isso, com medo até mesmo de reclamar. Quando finalmente se afasta, solto um suspiro de alívio.

Olho pela janela e mordo os lábios ao sentir as lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas. Não consigo impedir. Tudo aconteceu rápido demais, e ainda não consigo entender como a minha vida chegou a esse ponto.

Eu os odeio por estarem estragando a minha vida. Odeio todos eles pelo que estão fazendo comigo.

Eu nunca vou perdoá-los por isso. Nunca.

[…]

Sou acordado pelo homem que me trouxe até esse lugar. Abro os olhos ainda desnorteado, levando alguns segundos para me lembrar de onde estou e de tudo o que aconteceu.

— Vamos, vamos. Chegamos.

Ele fala novamente naquela língua que não conheço e faz um gesto para que eu me levante.

Ele ainda não entendeu que eu não faço ideia do que está falando?

Solto um suspiro e o sigo para fora do jatinho. Assim que desço, observo o lugar ao nosso redor e arregalo os olhos. Tento reconhecer alguma coisa, qualquer coisa que me dê uma pista de onde estou, mas tudo é completamente desconhecido.

Que lugar é esse? Onde eu estou?

Ele segura meu braço e começa a me arrastar, como sempre. Mordo os lábios para impedir que um gemido de dor escape pela força com que sua mão aperta meu braço. Parece que, para ele, eu sou apenas alguma coisa que precisa ser transportada de um lugar para outro.

Há um carro parado nos esperando. Ele abre a porta, e entro sem dizer nada. Mesmo que eu falasse, não adiantaria muito. Eu não entendo o que ele diz, e ele claramente não parece interessado em tentar me explicar alguma coisa.

Logo o carro começa a andar, e apoio a bochecha no joelho, encolhendo-me no banco enquanto observo a paisagem passar pela janela.

Eu já estou cansado de chorar. E do que adianta continuar chorando? Nada vai mudar.

Estou em um lugar que nunca vi, cercado por pessoas que não conheço e sem fazer ideia do que pretendem fazer comigo.

Fecho os olhos e, inevitavelmente, lembro-me das palavras do meu pai.

— Ele pode ser o pagamento para o chefe de vocês.

Pagamento? Pagamento de quê? O que eles fizeram?

Solto um suspiro e, pouco depois, sinto o carro parar. Olho para um lado, mas não vejo nada que me ajude a descobrir onde estou, apenas carros passando pela rua. Viro o rosto para o outro e meus olhos encontram um prédio enorme, imponente o bastante para prender minha atenção.

O homem que me trouxe sai do carro, dá a volta e abre a porta para mim.

Mais uma vez, ele segura meu braço e me puxa para fora sem nenhuma delicadeza. Já começo a sentir o lugar dolorido de tanto ser agarrado daquele jeito, mas não tenho coragem de reclamar.

Ele me arrasta para dentro do prédio, e olho para todos os lados, tentando entender onde estou. Há pessoas, luzes, máquinas e um movimento que reconheço depois de alguns segundos.

Um cassino?

O que eu estou fazendo em um cassino?

Não tenho nem tempo para observar direito. Ele continua me puxando por um corredor enorme e dobra uma esquina, onde há uma grande escada. Subimos, e eu apenas o acompanho, cada vez mais nervoso com o lugar para onde ele está me levando.

Quando chegamos diante de uma porta preta, ele finalmente para e dá duas batidas leves.

— Entre. — Uma voz masculina responde do outro lado.

Não faço ideia do que foi dito, mas meu corpo inteiro se arrepia ao ouvir aquela voz grave. Seja quem for, parece ser alguém importante o suficiente para fazer o homem ao meu lado esperar por permissão antes de entrar.

Ele abre a porta e me puxa junto.

Assim que entro, olho para a frente e arregalo os olhos ao ver dois homens na sala.

Os dois imediatamente voltam a atenção para mim.

Engulo em seco, sentindo-me ainda menor sob aqueles olhares. Não conheço nenhum dos dois, não sei o que querem comigo e muito menos por que fui trazido até eles. Tudo o que sei é que meu pai me entregou como pagamento, e isso é suficiente para fazer meu estômago se revirar.

— Explique. — O homem sentado diz alguma coisa naquele mesmo idioma estranho.

Não entendo uma única palavra, mas, pelo tom de voz, percebo que ele não está contente.

— Os Cooper deram o garoto como forma de pagamento, chefe.

Meu sobrenome no meio daquela fala chama minha atenção, embora eu continue sem entender o restante. Mordo os lábios e abaixo o olhar, lutando novamente contra a vontade de chorar.

— Deixe-nos sozinhos.

— Sim, senhor.

O homem que me trouxe se curva e, logo depois, sai da sala, fechando a porta e me deixando sozinho com os dois.

Meu coração dispara.

Socorro.

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