Capítulo 3 CAPÍTULO 02

Thomas Cooper

— Qual é o seu nome? — pergunta o homem sentado à mesa.

Permaneço parado, olhando para ele sem saber o que responder. Pela maneira como me encara, sei que está esperando alguma coisa de mim, mas não faço ideia do que acabou de dizer.

— E-E-Eu... N-N-Não entendo. — digo, gaguejando de nervosismo.

Ele me observa por alguns segundos, como se finalmente percebesse o problema. Então volta a falar, dessa vez em uma língua que consigo entender:

— Qual é o seu nome?

Arregalo levemente os olhos.

Impossível. A voz dele já é grave, mas, falando uma língua que entendo, parece ficar ainda mais intensa.

— T-Thomas Cooper. — respondo em um tom baixo.

— Quantos anos?

Abaixo a cabeça e volto a olhar para os meus pés. Não consigo sustentar o olhar daquele homem por muito tempo. Há alguma coisa nele que me deixa ainda mais nervoso.

— Vinte e um, senhor.

A resposta sai quase em um murmúrio.

Eu só queria estar bem longe daqui.

— Bom. — Olho para ele, que cruza as pernas com tranquilidade, assumindo uma postura que lhe dá ainda mais um ar de superioridade. — O que você sabe?

Encaro-o sem entender exatamente o que ele quer dizer.

— Sei... o quê? — questiono, confuso.

— Você sabe por que está aqui? — Seus olhos frios permanecem fixos em mim, e não consigo sustentar aquele olhar por muito tempo. Rapidamente abaixo a cabeça e volto a encarar meus próprios pés.

— N-Não muito... Só... que eu fui dado como forma de pagamento. — Engulo em seco, tentando reunir coragem para continuar. — Pagamento de quê?

Consigo olhar para ele por alguns segundos, mas logo desvio novamente para o chão.

— Seu pai achou uma ótima ideia pedir dinheiro emprestado a mim. Só que, quando fui cobrá-lo, ele achou que seria uma boa ideia fugir. Como se fosse possível fugir de mim.

Então é isso?

Minha vida não significa nada para eles?

Eu sabia que meus pais me odiavam. Nunca fui idiota a ponto de acreditar que sentiam algum carinho por mim, mas não imaginava que o ódio chegasse a esse ponto. Eles não apenas fugiram de um problema que criaram como me entregaram para pagar uma dívida que não é minha.

Como se eu não fosse uma pessoa.

Como se a minha vida pudesse simplesmente ser usada como pagamento.

— O-O-O que vai acontecer comigo? — pergunto, mesmo sentindo medo da resposta.

Ele permanece me olhando por alguns segundos antes de desviar a atenção para o homem ao seu lado.

— O que você acha, Damon?

Meu olhar passa de um para o outro. Eu queria muito saber o que ele acabou de perguntar àquele homem tão sério. Odeio ficar parado enquanto conversam sobre alguma coisa que claramente me envolve sem que eu consiga entender uma única palavra.

— Ele até que é bonitinho. Podemos fazer dele nosso submisso, já que precisamos de outro. — O outro homem responde e dá uma risadinha no final.

Não faço ideia do que ele disse, mas aquela risada faz um arrepio de medo percorrer meu corpo.

— De fato, o último foi um pé no saco.

Continuo olhando para os dois, completamente perdido, enquanto eles decidem sabe-se lá o quê a meu respeito.

O homem sentado suspira e volta sua atenção para mim, prendendo-me novamente sob aqueles olhos azuis e gelados.

— Tenho uma proposta para você, Thomas. — diz de repente.

Meu coração começa a bater mais rápido do que o normal. Depois de tudo o que aconteceu desde que fui arrancado de casa, não consigo acreditar que qualquer proposta vinda daquele homem possa significar alguma coisa boa.

— O-O-O que... seria?

Ele dá um sorriso de lado.

— Queremos você como nosso... submisso.

Arregalo os olhos.

Por alguns segundos, apenas fico parado, tentando entender se realmente ouvi aquilo. Meu corpo inteiro começa a tremer, e minhas pernas ficam tão bambas que tenho medo de não conseguirem me sustentar.

— S-S-S-Submisso? — pergunto, implorando mentalmente para ter ouvido errado.

— Sim, foi exatamente isso que você ouviu. Veja bem, garotos como você a gente costuma levar para o bordel.

O ar some dos meus pulmões.

Bordel?

— Só que o último submisso que tínhamos foi um grande pé no saco. Então, simplesmente o matamos e agora estamos atrás de outro.

Meu coração parece parar por um segundo.

Eles mataram o último?

A frase fica se repetindo dentro da minha cabeça enquanto encaro aquele homem, esperando que ele sorria ou faça qualquer coisa que indique que está brincando. Mas nada acontece. Ele continua ali, tranquilo, como se tivesse acabado de me contar a coisa mais normal do mundo.

Sinto meu coração voltar a bater de uma vez, tão rápido e tão forte que chega a doer. Minhas mãos começam a suar, minha respiração fica curta e preciso me esforçar para puxar ar suficiente para os pulmões.

Eu vou ter um ataque cardíaco.

É sério. Eu vou morrer aqui antes mesmo que eles tenham a oportunidade de decidir o que fazer comigo.

Primeiro descubro que meus próprios pais me deram como pagamento. Depois sou levado para outro lugar por homens que nem sequer consigo entender. Agora estou diante de dois desconhecidos que querem me transformar em submisso e acabaram de dizer, com a maior tranquilidade do mundo, que mataram o último.

Se fizeram isso com ele, o que impede que façam exatamente a mesma coisa comigo?

— Então pode escolher: ser nosso ou ser levado para o bordel.

Fico em silêncio, encarando-o enquanto aquelas duas opções passam pela minha cabeça.

Ser deles ou ser levado para um bordel.

Que tipo de escolha é essa?

Ele não está me dando opção nenhuma.

Se eu disser não, vou acabar em um bordel, cercado por pessoas que não conheço e provavelmente sendo obrigado a fazer coisas que não quero. Se aceitar, fico com dois homens que acabaram de admitir que mataram o último submisso que tiveram.

Nenhuma das opções parece terminar bem para mim.

Mas, pelo menos aqui, eu sei onde estou e com quem estou. Ou quase sei.

Engulo em seco, sentindo meu estômago se apertar. Não quero pertencer a ninguém. Não quero ser submisso deles, seja lá o que exatamente esperam de mim. Só que também não quero descobrir o que aconteceria comigo naquele bordel.

Não tenho para onde correr.

Não tenho ninguém para me ajudar.

E, acima de tudo, não tenho escolha.

— Tudo bem. — Minha voz sai baixa, derrotada. — Eu aceito.

As palavras deixam minha boca, e imediatamente sinto como se tivesse acabado de assinar a minha própria sentença.

Agora pertenço a esses demônios.

Os dois trocam olhares e dão sorrisos de lado, quase idênticos, como se estivessem satisfeitos com a minha resposta. Isso não faz nada para diminuir o medo que ainda aperta meu peito.

— Meu nome é Lúcifer D'Angelo, e esse ao meu lado é o meu irmão, Damon D'Angelo.

Lúcifer?

Olho para ele por um instante.

Não é que são demônios mesmo? Têm até nome para isso.

— Você agora é nosso, Thomas. É melhor não se esquecer disso — diz friamente.

Meu corpo se arrepia com a maneira como ele pronuncia aquelas palavras.

Como se isso fosse possível.

Depois de tudo o que aconteceu hoje, acho que nunca mais vou conseguir esquecer.

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