Capítulo 4 CAPÍTULO 03
Thomas Cooper
Ainda permaneço parado diante dos dois, assustado com toda essa situação e sem saber o que devo fazer agora.
Como a minha vida conseguiu ficar tão complicada em tão pouco tempo?
Fui vendido pelos meus próprios pais, levado para longe de casa e agora pertenço a dois homens que acabei de conhecer. E, para piorar, devo ser o submisso deles.
Mas como um submisso age?
A pergunta fica martelando na minha cabeça até eu criar coragem para falar.
— Desculpa... — Olho nervoso para os dois, apertando os dedos uns contra os outros. — Mas... como um submisso age?
Os dois se entreolham por alguns segundos antes de voltarem a atenção para mim.
— Você vai aprender com o tempo. Agora, venha aqui.
Meu corpo fica tenso imediatamente.
Respiro fundo várias vezes, tentando controlar o nervosismo, e começo a caminhar em sua direção com passos trêmulos. Cada vez que me aproximo, sinto meu coração bater um pouco mais rápido.
Dou a volta pela mesa e passo por Damon, que não tira os olhos de mim nem por um segundo. Sinto seu olhar acompanhar cada movimento meu, e isso faz um arrepio percorrer minha pele.
Eu me sinto como uma presa cercada por leões.
Quando finalmente paro perto de Lúcifer, ele me observa por alguns instantes antes de perguntar:
— Você é virgem?
Tão direto assim?
Sinto meu rosto pegar fogo imediatamente e abaixo um pouco a cabeça, completamente envergonhado. Nem preciso responder.
— Pela sua expressão, vejo que sim. — diz, olhando fixamente para mim.
Tento sustentar seu olhar, mas simplesmente não consigo. Há alguma coisa naqueles olhos que me deixa nervoso demais, como se ele pudesse enxergar tudo o que estou pensando. Acabo desviando e encarando qualquer outro ponto da sala.
Minha mente grita uma única palavra:
Perigo.
— Como você é nosso agora, pode nos chamar pelo nome.
Antes que eu consiga responder, Lúcifer segura minha cintura e me puxa para o seu colo.
— Ah! — O som escapa da minha boca pelo susto.
Meu corpo inteiro fica rígido.
Coro violentamente, pego completamente desprevenido por sua atitude. Não sei onde colocar as mãos, como me sentar ou sequer para onde olhar. A proximidade entre nós é tanta que consigo sentir o calor do corpo dele contra o meu.
Perto demais.
— Vamos. Tente me chamar pelo meu nome. — diz, mantendo os olhos fixos nos meus, sem desviar nem por um segundo.
Engulo em seco.
Não dá, não dá, não dá.
Ele está perto demais.
— Vamos, gatinho. Diga meu nome.
Sua mão desliza lentamente pela minha coxa, e um pequeno arquejo escapa dos meus lábios antes que eu consiga impedir.
Meu rosto esquenta ainda mais.
— L-L-Lúcifer.
Um pequeno sorriso de lado surge em seus lábios.
— Muito bem. Aqui vai seu prêmio.
Prêmio?
Nem tenho tempo de perguntar.
Arregalo os olhos quando seus lábios encontram os meus.
Fico completamente imóvel por um instante, surpreso demais para reagir. Uma de suas mãos segura minha nuca enquanto a outra permanece firme em minha cintura, mantendo-me preso contra ele.
Então sinto sua língua invadir minha boca.
Meu coração dispara.
Não sei direito o que fazer ou como acompanhar seus movimentos. Tudo o que consigo fazer é permanecer ali enquanto ele conduz o beijo, e, quando sua língua encontra a minha, um pequeno gemido escapa de mim sem querer.
Lúcifer finalmente afasta nossos lábios, mas continua perto. Seu polegar passa lentamente pela minha boca, e eu permaneço olhando para ele, ainda tentando entender o que acabou de acontecer.
— Você é nosso. Nunca se esqueça disso.
Como se eu conseguisse esquecer depois de tudo o que aconteceu.
Ainda estou meio fora de mim por causa do beijo quando um ronco alto quebra o silêncio.
Meu corpo inteiro congela.
Foi a minha barriga.
Coro de vergonha e abaixo o rosto, querendo desaparecer.
Ah...
Eu não tinha comido antes de ir para o quarto. Foi o castigo que meus pais acharam justo depois que queimei a comida.
Com tanta coisa acontecendo, eu tinha até esquecido da fome.
— Bom, como terminamos as coisas aqui, podemos ir embora.
Aproveito a oportunidade para sair rapidamente do colo de Lúcifer, talvez rápido demais. Minhas pernas ainda estão trêmulas, e quase perco o equilíbrio assim que meus pés tocam o chão.
Só não caio porque um braço me segura.
Damon.
Olho para ele, surpreso, encontrando-o muito mais perto do que esperava.
— O-Obrig...
Não consigo terminar.
Damon segura meu corpo e aproxima o rosto do meu, interrompendo-me com seus lábios.
— Humm...
O som escapa abafado contra sua boca.
Instintivamente, apoio as mãos em seu peitoral e arregalo um pouco os olhos.
Meu Deus.
Parece que estou tocando em pedra de tão duro que é.
A língua de Damon invade minha boca, e minhas pernas ficam ainda mais bambas. Uma de suas mãos segura minha nuca com firmeza, forte o bastante para me manter preso ao beijo, mas sem chegar a me machucar.
Se o beijo de Lúcifer me deixou desnorteado, o de Damon parece ainda mais intenso.
Sua boca devora a minha com tanta ferocidade que mal consigo acompanhar. Continuo com as mãos apoiadas em seu peitoral duro, sem saber exatamente o que fazer com elas, enquanto sinto o pouco de ar que ainda tenho desaparecer dos meus pulmões.
Eu preciso respirar.
Rapidamente viro o rosto, quebrando o beijo para puxar o ar. Meu peito sobe e desce depressa, e minha respiração sai pesada enquanto tento recuperar o fôlego.
— Sim, você é nosso. — Damon diz, em um tom tão possessivo que um arrepio percorre meu corpo.
Continuo parado diante dele, respirando rápido demais e tentando processar o que acabou de acontecer.
Fui beijado pelos dois.
Em questão de minutos.
O que está acontecendo com a minha vida?
— Vamos.
A voz de Lúcifer me tira dos meus pensamentos.
Olho em sua direção e percebo que ele já se levantou da cadeira.
— Vamos para sua nova casa. — Ele faz uma pequena pausa antes de voltar os olhos para mim. — Você vai aprender aos poucos como ser nosso submisso. Por isso, iremos pegar um pouco leve com você.
Franzo a testa.
— Leve? — pergunto, sem entender.
O que exatamente significa "pegar leve" para dois homens que acabaram de me dizer que mataram o último submisso?
— Sim, leve. Como você é novo nisso, não iremos levá-lo nesse momento.
Continuo encarando-o, ainda mais confuso.
Não irão me levar para onde?
Lúcifer percebe minha expressão e um pequeno sorriso surge em seus lábios.
— Não iremos fazer sexo com você neste momento.
Meu rosto pega fogo no mesmo instante.
Ah.
Era isso.
Abaixo os olhos, completamente envergonhado só de ouvi-lo falar tão abertamente sobre aquilo.
— Você é virgem e ainda não sabe muitas coisas, então iremos pegar leve. Por enquanto.
Por enquanto?
Jesus.
Essas duas palavras conseguem me deixar ainda mais nervoso do que todo o resto da frase.
— Vamos.
Os dois caminham em direção à porta, e eu os sigo de cabeça baixa.
Não sei o que vai acontecer comigo daqui para a frente. Não sei o que eles esperam de um submisso, não sei o que pretendem me ensinar e muito menos o que vai acontecer quando decidirem que não precisam mais "pegar leve".
Mas eu sei que não quero ir para o bordel.
Então só me resta segui-los.
