Capítulo 5 CAPÍTULO 04
Thomas Cooper
Descemos as escadas, e meus passos diminuem quando vejo vários homens armados espalhados pelo lugar. Engulo em seco e me aproximo um pouco mais dos dois sem nem perceber.
Quantas pessoas trabalham para eles?
— Nós já estamos indo. Fiquem de olho nas coisas. — Lúcifer diz alguma coisa naquela língua que continuo sem entender.
Olho rapidamente para ele, mas desisto de tentar descobrir o que falou.
— Sim, senhor! — alguns dos homens respondem.
Franzo a testa diante da resposta em conjunto, mas logo ignoro.
Eu só queria saber onde estou.
Desde que cheguei, aconteceram tantas coisas que nem tive a oportunidade de perguntar.
Continuo seguindo os dois até sairmos do cassino. Do lado de fora, vejo um carro extremamente luxuoso esperando por nós.
— Entre. — Damon diz enquanto abre a porta.
Obedeço sem discutir.
Entro no carro e me sento ao lado de Lúcifer. Logo depois, Damon entra pelo outro lado e fecha a porta.
Só então percebo a situação em que estou.
Estou no meio dos dois.
Meu corpo fica tenso novamente, e aquela ansiedade que parecia ter diminuído volta com força. Olho para as minhas mãos por alguns segundos, criando coragem para fazer a pergunta que está presa na minha cabeça desde que saí daquele jatinho.
— O-O-Onde eu estou? — pergunto em um tom baixo.
Quase me arrependo assim que as palavras deixam minha boca. Ainda não sei o que posso ou não perguntar e não quero fazer nenhum dos dois ficar irritado comigo.
Lúcifer, no entanto, responde com a maior tranquilidade:
— Rússia.
Arregalo os olhos.
O quê?!
Viro o rosto rapidamente para ele, acreditando que talvez tenha entendido errado.
— R-R-Rússia?
Ele realmente disse Rússia?
Meu coração volta a acelerar enquanto olho pela janela, como se de repente tudo lá fora tivesse se tornado ainda mais desconhecido.
Estou na Rússia.
Não apenas longe da minha casa.
Estou em outro país.
Um país que não conheço, cercado por pessoas que falam uma língua da qual não entendo absolutamente nada.
Como eu voltaria para casa daqui?
Nem sei onde estou exatamente. Não conheço as ruas, não sei pedir informação, não sei falar com ninguém e muito menos sei para onde poderia ir.
Mesmo que eu conseguisse fugir deles, fugiria para onde?
A constatação faz um peso se instalar no meu peito.
Eu realmente estou preso aqui.
— Com o tempo você se acostuma. Não se preocupe com isso. — Lúcifer diz calmamente.
Sua mão repousa sobre a minha coxa e dá um pequeno aperto. Meu corpo reage com um suspiro baixo, e imediatamente volto a olhar para a frente.
Fácil para ele dizer para eu não me preocupar.
Ele não foi arrancado de casa e levado para outro país sem nem saber para onde estava indo.
Resolvo ficar quieto e não perguntar mais nada. Abaixo os olhos para as minhas mãos e começo a brincar com os dedos, tentando ocupar a cabeça com qualquer coisa que não seja a situação em que me encontro.
Que vida.
[…]
Abro os olhos devagar e pisco algumas vezes quando a claridade do sol atinge meu rosto.
Por alguns segundos, fico completamente parado.
Onde eu estou?
Viro a cabeça e observo ao redor, percebendo que estou deitado em uma cama dentro de um quarto enorme. E não é apenas grande. O lugar é tão bonito e diferente de qualquer quarto em que já estive que acabo me distraindo por alguns instantes.
— Uau...
A palavra escapa sem querer.
Ergo um pouco o corpo e observo cada canto do quarto, tentando me lembrar de como vim parar aqui.
A última coisa de que me lembro é de estar no carro com Lúcifer e Damon.
Como foi que eu cheguei neste quarto?
Eu dormi no caminho?
E quem me trouxe para cá?
Olho para mim mesmo, ainda confuso, mas, antes que consiga pensar muito sobre isso, algumas batidas na porta me fazem levar um pequeno susto.
Meu corpo fica tenso.
Será que são eles?
— A-Ah... Entre!
A porta se abre lentamente, e, para minha surpresa, quem entra é uma mulher bem jovem.
— Bom dia, senhor.
Franzo a testa.
Senhor?
Olho discretamente para os lados, quase como se pudesse existir outra pessoa no quarto para quem ela estivesse falando.
Só estou eu aqui.
— Senhor? Por que está me chamando assim? — pergunto, realmente confuso com toda aquela situação.
A mulher me encara com surpresa, como se a minha pergunta fosse mais estranha do que o fato de ela ter acabado de me chamar de senhor.
— Os chefes ordenaram que todos o chamassem de senhor.
— Por quê?
Ela continua me olhando por alguns segundos antes de responder:
— P-Porque o senhor é o novo submisso deles. Sempre que chega um submisso novo, nós temos que tratá-lo com respeito. Essa é a nossa ordem.
Novo submisso.
Ainda é estranho ouvir alguém se referir a mim dessa forma.
Ontem eu era apenas Thomas Cooper. Hoje acordei na Rússia, dentro de um quarto que nunca vi, e aparentemente agora sou o "senhor" de alguma coisa só porque pertenço a Lúcifer e Damon.
Olho para a frente e solto um suspiro.
Minha vida realmente virou de cabeça para baixo.
— Enfim, senhor, eu me chamo Jéssica. Sempre fui escolhida para preparar as roupas dos submissos.
Volto minha atenção para ela.
— Preparar? Como assim?
— Eu devo escolher suas roupas.
Abro a boca, pronto para perguntar por que alguém precisa escolher minhas roupas por mim, mas desisto antes mesmo de formular a pergunta.
Provavelmente é mais uma ordem deles.
Estou começando a perceber que muitas coisas nesta casa funcionam simplesmente porque Lúcifer e Damon decidiram que devem funcionar assim.
— Tudo bem.
Jéssica dá um sorriso gentil.
— Eu irei preparar seu banho. Já volto.
Ela caminha em direção a uma das portas do quarto e desaparece por ela. Só então percebo que deve ser o banheiro.
Fico sozinho novamente e olho ao redor.
Como a minha vida mudou tão rápido?
