Capítulo 6 6. ROMERO

Lidar com mulheres nunca foi o meu forte. Agora, lidar com uma mulher atrevida, teimosa e dona de uma língua afiada era um verdadeiro teste para a minha paciência.

Hoje tive a certeza disso.

Trouxe Nataly para a mansão por ordem do meu pai e, durante todo o caminho, precisei controlar a vontade de colocá-la no devido lugar. Detesto ser desrespeitado, e ela não perdeu uma única oportunidade de me desafiar. Só não fiz algo de que pudesse me arrepender porque meu pai deixou claro que ela deveria chegar viva.

Ao entrarmos na mansão, encontrei meu pai, minha mãe, Natasha e Gian nos esperando na sala. O ambiente estava pesado. Olhei para Gian tentando entender o motivo daquela reunião. Pensei em dezenas de possibilidades, menos na absurda ideia de meu pai entregar Nataly como se fosse uma mercadoria, obrigando-a a se casar comigo.

Senti um nó se formar na garganta.

Meu instinto era contestar aquela decisão, mas conhecia meu pai. Quando ele tomava uma decisão, ninguém tinha o direito de contrariá-lo. Apenas Gian possuía liberdade para opinar.

Levantei os olhos e encontrei os de Nataly.

O ódio estampado em seu rosto era tão intenso que, por um instante, senti o gosto amargo de ser desprezado por uma mulher. Ela preferia morrer a se tornar minha esposa.

Aquilo feriu meu orgulho.

Se estivéssemos sozinhos, eu faria aquela garota engolir cada palavra ofensiva que pronunciou contra mim. Faria questão de mostrar que ninguém me enfrentava sem sofrer as consequências.

Mas meu pai colocou uma arma na cabeça do pai dela e deu apenas uma escolha: aceitar o casamento ou assistir Gérard morrer.

Nataly não teve alternativa.

Depois que todos deixaram o salão, permaneci diante do meu pai.

— Por que está fazendo isso comigo? — perguntei, tentando controlar a irritação. — Sou perfeitamente capaz de escolher uma esposa. Não preciso que o senhor faça isso por mim.

Ele permaneceu tranquilo.

— Romero, você evoluiu muito. A cada dia demonstra estar mais preparado para assumir os negócios da família. Mas ainda lhe falta uma qualidade indispensável.

Cruzei os braços.

— Qual?

— Autocontrole.

Aquela única palavra me incomodou.

— Esse casamento será sua última prova. Se conseguir conduzir essa situação da forma correta, toda a fortuna da família ficará sob sua administração. Quero ter certeza de que você sabe comandar um império sem agir apenas pela raiva.

Soltei uma risada irônica.

— O senhor escolheu justamente a mulher que reúne tudo o que eu mais detesto. Ela consegue ser ainda mais insuportável que Natasha. Acho que as duas foram separadas na maternidade.

Meu pai sorriu discretamente.

— Deixe de reclamar. A garota é bonita, inteligente e tem personalidade. Talvez seja exatamente isso que você precisa.

Balancei a cabeça, inconformado.

— O senhor enlouqueceu.

Ele apenas deu um leve tapinha em meu ombro antes de sair da sala.

Respirei fundo e imediatamente peguei o celular.

— Alô, Gian. Onde você está?

— Já estou em casa.

— Levou aquela linguaruda para a minha residência?

— Sim. Lena está cuidando dela.

Passei a mão pelos cabelos.

— Estou indo para aí.

Desliguei sem esperar resposta.

Poucos minutos depois, estacionava em frente à casa de Gian. Nunca havia reparado como ele gostava de natureza. O jardim era enorme e transmitia uma paz que contrastava completamente com o caos que existia dentro de mim.

Ele abriu a porta e me convidou para entrar.

— Conversou com o seu pai?

Joguei-me no sofá.

— Estou com sangue nos olhos. Como ele espera que eu divida a mesma casa com uma desconhecida? Disse que esse casamento é minha última prova antes de assumir tudo.

Gian caminhou até o bar e serviu duas doses de uísque.

— Talvez ele só queira testar sua paciência.

Peguei o copo.

— Está me chamando de desequilibrado?

Ele me encarou com calma.

— Estou dizendo que você age por impulso. Hoje mesmo quase bateu em Natasha. Se eu não tivesse interferido, teria perdido completamente o controle.

Bufei.

— Ela nos desrespeitou o tempo inteiro. Você queria que eu ficasse sorrindo?

— Natasha é apenas uma garota que enxerga o mundo de forma diferente. Para ela somos criminosos, e talvez não esteja totalmente errada.

Aquelas palavras me fizeram rir sem humor.

— Você sempre encontra uma justificativa para todo mundo.

Ele deu um gole na bebida.

— Apenas tento enxergar além da raiva.

Passei a mão no rosto.

— O pior é saber que Nataly e Natasha são irmãs. Já basta uma... agora terei as duas na minha vida.

— Seu pai escolheu uma mulher que não abaixa a cabeça. As discussões serão inevitáveis.

Sorri de lado.

— Não vejo a hora de assumir o comando da organização. Assim que tudo estiver em meu nome, darei um fim nesse casamento e cada um seguirá seu caminho.

Conversamos por mais alguns minutos. Apesar da tentativa de Gian de me acalmar, a simples ideia de encontrar Nataly novamente fazia minha paciência desaparecer.

Quando cheguei em casa, encontrei-a parada na sala observando cada detalhe da decoração. Assim que me viu entrar, deu um pequeno salto de susto.

Cruzei os braços.

— O que foi?

Ela respirou fundo antes de falar.

— Preciso voltar à minha antiga casa. Minhas roupas ficaram lá. Também preciso buscar meus livros da faculdade. Seu pai garantiu que eu continuaria estudando.

Aproximei-me lentamente.

— Também quero que esse pesadelo termine logo.

Abri a palma da mão diante dela.

Nataly olhou confusa.

— O que significa isso?

Sorri.

— Significa que, a partir de agora, quem manda em você sou eu.

Ela franziu a testa.

— Está me ameaçando?

— Posso simplesmente impedir você de voltar à faculdade. Posso fazer com que permaneça nesta casa apenas para cumprir o papel de esposa perfeita.

Seu rosto perdeu a cor.

— Nunca! Está ouvindo? Nem que você me mate eu vou abaixar a cabeça para você! Eu odeio tudo o que você representa.

Ri com desprezo.

— E quem disse que eu quero você como esposa? Você é teimosa, arrogante e vive pronta para atacar. Se dependesse de mim, jamais escolheria uma mulher como você. Só vou me casar porque preciso concluir essa última prova.

Ela enxugou uma lágrima.

— Então morra abraçado com sua ambição e com esse dinheiro sujo.

A frase fez minha paciência acabar.

Segurei seu braço e a puxei para perto.

Ela estremeceu.

Podia sentir seu coração disparado.

Aproximei meu rosto do dela.

— Escute bem. Você pode até terminar Medicina, mas jamais conseguirá emprego nesta cidade se eu decidir o contrário. Tenho influência suficiente para fechar todas as portas para você.

Os olhos dela se encheram de desespero.

— Você não pode fazer isso!

— Posso. E farei, se continuar me desafiando.

Soltei seu braço e dei um passo para trás.

— Lena vai acompanhá-la até sua antiga casa para buscar seus pertences. Aproveite a oportunidade.

Nataly me lançou um último olhar carregado de ódio antes de subir as escadas.

Observei sua silhueta desaparecer.

Nunca imaginei que fosse detestar tanto uma mulher.

E, ao mesmo tempo, nunca conheci alguém capaz de despertar uma vontade tão grande de vencê-la.

A convivência entre nós estava apenas começando, e eu já tinha certeza de uma coisa: aquele casamento seria uma guerra.

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