Capítulo 2 O babaca chegou - I
Analu
Alguns dias depois...
Faltando dois dias para o tão temido patrão chegar, então resolvo tirar algumas dúvidas com Vera, que já é minha amiga íntima aqui, na verdade ela e senhor Otávio são pessoas incriveis. Dona Morgana saiu para comprar os mimos do patrão, e apesar do seu jeito rígido moldado para agradar o senhor ranzinza, ela já mudou muito seu jeito comigo, e até parece gostar do meu serviço.
Agora estamos nós três na cozinha tomando um suco e como uma curiosa aproveito para comecar meu interrogatório.
— Qual o nome do nosso patrão? —acreditem, mas só ouço as pessoas chamarem ele por Senhor Fizterra
— Santiago, mas um aviso, não o chame pelo nome, ele não gosta. Na verdade só se direcione à ele o necessário. Ele é uma pessoa calada, fria, arrogante e bastante ignorante, então se queres mater o emprego, seja discreta. — dona Vera fala
— Nossa! Falando assim até parece que ele é um monstro. — falo
— Não, um monstro não, mas chega perto. — Vera termina de falar
— Ele não é casado?
— Não, na verdade se ele tem mulher nós não sabemos, pois ele nunca trouxe uma para sua casa, muito menos fala de sua vida pessoal.
— Entendi, um velho rabugento, arrogante e babaca. — falo dando de ombros
Dona Vera sorri e diz:
— Você irá se surpreender, mas por favor não se afobe, seja sempre discreta prestativa e educada, assim não terá problemas com o Senhor Fizterra.
— Ok! Ok! Já entendi o recado: "Fique bem longe do Senhor babaca se quiser manter teu salário." — falo mudando a voz e todos sorriem — Não se preocupe Verinha, eu o farei.
Depois dessas declarações criei uma certa ansiedade para conhecer essa tal pessoa. No mínimo deve ser alguém armagurado, porque pela casa se vê que é um sujeito com muito dinheiro, mas pela decoração já vejo que é um velho sem personalidade e bom gosto, porque tudo aqui é sem vida e sem nenhuma graça. Mas isso não é da minha conta, vou continuar executando o meu trabalho da melhor maneira, e assim garanto meu salário no final do mês. O patrão no canto dele e eu no meu, como uma doméstica, e assim tudo ficará bem.
No dia anterior a sua vinda, Morgana avisou que ele teve problemas e sendo assim só vira mês que vem. Isso é ótimo! Assim ganho mais experiência.
Os dias foram passando e até a senhora Morgana consegui conquistar, essa é mais firme, mais rígida, mas consegui amolecer seu coração.
Meu uniforme chegou, a calça é como a provisória, porém a blusa é uma batinha branca com detalhes rosas, bem meiguinha, e agora está no tamanho certo.
[...]
Um mês se passou, e eu já aprendi fazer até alguns pratos franceses. Aprendi à selecionar vinhos que combinam com cada prato. Confesso que quando estou em casa, pesquiso sobre essas combinações e assim avanço cada vez mais no meu trabalho.
Hoje Morgana entrevistou uma mulher para auxílio geral, segundo ela não vai ser necessário a moça vir todos os dias, apenas três vezes por semana.
Hoje na cozinha o prato é macarrão e molho pesto, enquanto cozinhamos ligo a play list de meu celular, sou eclética gosto de tudo um pouco, mas nessa hora está tocando Justin Bieber - Sorry.
Estou com um macarrão pendurado na boca fazendo graça enquanto danço, Verinha corta a cebola e dá até uma mexida no bumbum. Estou em êxtase com a música, pego a colher de pau e me empolgo quando ele canta sorry me sinto a cantora e digo: SORRY! Aquele bem esticado e alto no rítmo da música. Estava tudo perfeito até escutar uma voz ecoar na cozinha. Era uma voz grossa, firme e fria, eu que estava de costas sem ver de quem se tratava senti meu corpo arrepiar. É uma voz máscula, porém uma voz que passa medo a qualquer mortal.
— O que está acontecendo aqui? Desde quando minha cozinha virou uma baderna?
Discretamente coloco a colher de pau na bancada que até então era meu microfone, e lentamente viro meu corpo já pensando:
"Ai meu Deus! O velhote chegou sem avisar."
Mas quando meus olhos encontram com os dele, eu perco até o ar. Além do seu olhar penetrante que irradia raiva, ele tem uma beleza descomunal, fora que ele deve ter no máximo seus trinta e nove anos. Eu juro que idealizei ele um velhote barrigudo com seus sessenta anos, mas estou boquiaberta sem saber o que dizer.
"Uau! Que homem lindo é esse gente?"
Sinto minha testa soar, meu corpo inteiro estremecer, minha pupila dilatar e meu coração parece querer saltar pela boca. Fico perplexa com esse Deus Grego diante dos meus olhos.
"Ele é o homem mais lindo que já vi na vida."
Ele me encara de testa franzida, claro que não gostou do que viu aqui. E a música ecoa novamente em minha mente, "Sorry" era o que eu queria dizer, um leve sorriso brota em meus lábios, mas logo se esconde quando percebo que ele continua a me encarar sério.
— Senhor Fizterra, voltou sem avisar. — Morgana fala aparentemente nervosa
— As vezes é necessário, porque assim vejo o que de real acontece em minha casa quando não estou. — ele fala ainda me encarando
— Essa é Ana Lúcia, a nova ajudante de Vera. — ela fala percebendo o olhar dele para mim
— Essa garota é uma criança! — ele bufa e eu desperto para a realidade
— Ei perae, não sou uma criança, só porque tenho idade para ser sua filha não significa que eu seja uma menininha. Me respeite senhor ba... —falo irritada e engulo a última palavra, mas pelo visto não faltará a oportunidade de dizer o que ele é na realidade
Que droga! Odeio ser tratada como uma garota.
Todos me olham assustados inclusive ele, que desvia o olhar de mim pela primeira vez desde que chegou e fala para Morgana.
— Morgana, venha ao meu escritório agora!
Antes de sair Morgana me olha com uma cara ruim.
"Ai meu Deus! Será que falei demais?"
— Menina, desligue esse celular, e continue a fazer o almoço. E capriche! Pois depois do ocorrido o humor dele deve ter ido de mal a pior. — Verinha fala e engulo em seco
Minha mente só consegue ter o vislumbre de seus olhos negros encarando os meus. Estou em choque! Imaginei um velhote, e o que me aparece é um belo homem. E que homem!
É normal ficar meia deslocada, mas eu preciso recuperar a razão e focar no que é realmente importante; O almoço de hoje!
— Analu! Controle-se menina! Por pouco você não foi mandada embora. — Morgana sussurra na cozinha
— Ah! Fala sério! Só por causa da música? — falo pegando um vinho
— Foi mais pela sua resposta afiada do que pela música. — Morgana fala baixo com medo do Senhor babaca aparecer como um fantasma
"Será que esse doido colocou escutas por toda a casa? Vai saber né!? Esses milionários egocêntricos tem dessas coisas. Pensam que todos a sua volta são babacas como eles."
